quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Povos Indígenas no Brasil: Mato Grosso do Sul

 23/09/2026   21: 07


Por; Professor Sanderss


Os povos indígenas fazem parte da formação do Brasil e seguem centrais para entender a história, o território e a democracia do país. Neste guia, nós reunimos os pontos essenciais para quem quer compreender essa trajetória com base em dados públicos, com atenção especial ao Mato Grosso do Sul e aos debates que MS, atravessam o presente. Como fazemos no Cultura Nativa partimos da realidade concreta: diversidade indígena, memória histórica e defesa de direitos caminham juntas. - 

© 2026 Professor Sanderss 


Destaques que ajudam a entender o tema • O Censo 2022 registrou 1.693.535 pessoas indígenas, equivalentes a 0,83% da população brasileira. . O país contabilizou 391 etnias, povos ou grupos indígenas e 295 línguas indígenas, o que mostra uma diversidade muito maior do que costuma aparecer no debate público. • Os direitos territoriais não nascem da lei ordinária. 

Eles são reconhecidos pela Constituição de 1988 como direitos originários. • Mato Grosso do Sul ocupa lugar decisivo nessa discussão, tanto pela presença de povos como Guarani Kaiowá e Terenal quanto pela intensidade dos conflitos fundiários. • Falar de cultura indígena exige evitar generalizações. Cada povo tem sua própria organização social, memória, espiritualidade e relação com a terra. 

© 2026 Professor Sanders 


Quem são os povos originários no Brasil Os povos indígenas não formam um bloco único. Nós estamos falando de centenas de coletividades com línguas, histórias e formas de organização próprias, distribuídas por todas as regiões do país. Na plataforma Brasil Indígena, do IBGE, o Censo 2022 registra 391 etnias, povos ou grupos indígenas residentes no país. 

Em divulgação do mesmo conjunto de dados, o Ministério dos Povos Indígenas informa 295 línguas indígenas e reforça a dimensão dessa diversidade no território nacional, o que ajuda a corrigir a visão simplificada que ainda reduz essa realidade a uma identidade única. Nós consideramos esse ponto decisivo porque boa parte do erro no debate público começa na linguagem. 

Quando alguém pergunta quais são os povos indígenas, a resposta correta não é uma lista curta, mas o reconhecimento de uma pluralidade histórica que inclui povos amazônicos, povos do Nordeste, comunidades do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste, além de populações que vivem em cidades e fora de terras demarcadas. 

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Qual é a história dos povos indígenas? A história indígena no Brasil começa muito antes da colonização e continua no presente. Não se trata de um capítulo encerrado no passado escolar, mas de uma trajetória contínua de ocupação do território, resistência e reorganização política. Segundo a página Quem São, da Funai, o país tinha 1.693.535 indígenas em 2022, número que representa 0,83% da população total. 

Isso desmonta a ideia de desaparecimento e mostra algo mais importante: essas populações seguem vivas, ativas e politicamente presentes, apesar de séculos de epidemias, expulsões, violência e pressão sobre suas terras. Ao longo da colonização, muitos grupos foram deslocados, catequizados à força ou submetidos a frentes de ocupação econômica. 

Ainda assim, mantiveram línguas, práticas agrícolas, sistemas de parentesco, conhecimentos ambientais e rituais. Nós vemos, portanto, uma história marcada por perdas, mas também por permanência e reinvenção. 

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Como é a cultura indígena? A cultura indígena é diversa e dinâmica. Ela inclui língua, território, memória, espiritualidades, formas de trabalho, alimentação, arte, ritos e modos de transmitir conhecimento entre gerações. Por isso, nós evitamos tratar essa produção como peça estática ou folclórica. Um povo pode preservar cantos, cerimônias e narrativas antigas e, ао mesmo tempo, usar escola indígena, celular, universidade e articulação política institucional. 

Nada disso apaga sua identidade. Ao contrário, mostra adaptação histórica e capacidade de decisão. Também é importante notar que os elementos culturais não aparecem separados da vida material. A roça, a casa, o rio, a mata, o cemitério, a língua falada com os mais velhos e o espaço de ritual fazem parte de um mesmo tecido social. Quando o território é atacado, a cultura inteira sofre pressão. Dimensão O que ela envolve Língua Comunicação, memória e ensino Por que importa Preserva conhecimento e identidade Território Moradia, circulação, cultivo e lugares sagrados Sustenta a vida coletiva 

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Rituais Organização social Festas, cantos e práticas espirituais Parentesco, liderança e decisões comunitárias Reforça vínculos e continuidade Define a forma de viver em conjunto 

© 2026 Professor Sanderss 


Quais são os direitos dos povos indígenas no Brasil? Os principais direitos indígenas estão na Constituição de 1988, especialmente no artigo 231. Ela reconhece organização social, costumes, línguas, crenças, tradições e os direitos originários sobre as terras tradicionalmente ocupadas. Na prática, isso significa que o vínculo territorial não depende de concessão recente do Estado. 

A Constituição reconhece um direito anterior, ligado à ocupação tradicional. Nós consideramos esse ponto central porque ele muda toda a lógica do debate: a terra indígena não é benefício, é reconhecimento jurídico e histórico. Ao mesmo tempo, a efetivação desses direitos segue em disputa. 

A Lei 14.701, de 2023, regulamenta pontos sobre reconhecimento, demarcação, uso e gestão de terras indígenas e reabriu controvérsias sobre o chamado marco temporal. Isso explica por que a defesa dos direitos indígenas envolve não só a Constituição, mas também interpretação judicial, política pública, proteção territorial e participação das próprias comunidades. 

© 2026 Professor Sanderss  


Por que a demarcação de terras segue no centro do debate A demarcação é decisiva porque protege a base material da vida coletiva. Sem território reconhecido e protegido, aumentam os conflitos, a pressão econômica externa e o risco de ruptura cultural. 

Em documento orçamentário federal de 2025, o governo. registra 792 áreas reconhecidas, com diferentes estágios administrativos, o que revela tanto a dimensão territorial indígena quanto a lentidão dos processos de regularização. Nós lemos esse dado como sinal de um problema estrutural: reconhecer um direito no papel não resolve, por si só, a disputa no chão.

 © 2026 Professor Sanderss

domingo, 21 de junho de 2026

PAZ, DIÁLOGO E CONCILIAÇÃO NO CAMPO

 21/06/2026


Por; Professor Sanderss


O Partido da causa operária – PCO entende que : o caminho para a paz sustentável entre indígenas e produtores rurais no campo, exige a superação da violência por meio do diálogo franco e de mecanismos jurídicos e humanos de conciliação em Mato Grosso do Sul.

O Cenário Atual

Tensões históricas: Disputas por terras que atravessam décadas e geram insegurança jurídica e conflitos sociais severos.

Insegurança mútua: Indígenas lutam por direitos ancestrais; produtores rurais buscam proteger seus investimentos e produção.

Prejuízo coletivo: A falta de entendimento paralisa a economia e destrói o tecido comunitário local.




O Papel do Diálogo e da Conciliação


Criação de pontes (mecanismos): Substituir o confronto por mesas de negociação mediadas por órgãos neutros.

Reconhecimento mútuo: Validar a dignidade e a importância tanto da preservação cultural e ambiental, quanto da produção de alimentos.

Segurança jurídica: Buscar indenizações justas, demarcações claras e soluções homologadas pelos tribunais superiores.

Sustentabilidade pacífica: Unir o conhecimento tradicional indígena à tecnologia agrícola dos produtores rurais para preservar o meio ambiente.

A pacificação do campo não significa a vitória de um lado sobre o outro, mas sim a construção de um espaço onde o direito à terra e o direito ao desenvolvimento caminhem juntos


sexta-feira, 5 de junho de 2026

Poeta de MS lança ‘Suicígena’ sobre índice de suicídios entre povos indígenas

 

O livro é formado por poemas que tratam não apenas sobre suicídio, mas também sobre o que sugere e representa a cultura indígena
Sabrina Sabrina Ventresqui-
                       Américo Calheiros transforma angústia em livro. (Foto: Reprodução/Divulgação)

Angustiado com o cenário alarmante do índice de suicídios entre os povos indígenas, o poeta, escritor 
e teatrólogo Américo Calheiros transformou sua dor no livro “Suicígena”, que será lançado na próxima
 terça-feira (9), a partir das 19 horas, na sede da ASL (Academia Sul-Mato-Grossense de Letras), 
em .

O termo “suicígena” é um neologismo criado pelo próprio autor, da fusão parcial das palavras suicídio e indígena. 

“É a síntese perfeita do espírito do livro, cuja ideia surgiu sob a égide dos suicídios indígenas em Mato Grosso do Sul, à medida que fui tomando contato, pela imprensa, desse fato e também das precárias condições de vida dos indígenas, que são o imediato pano de fundo dessa situação e fator determinante para a perda da vontade de viver das populações indígenas”, resumiu o autor.

O livro é formado por poemas que tratam não apenas sobre suicídio, mas também sobre o que sugere e representa a cultura indígena. 

Com a obra, o artista tem a intenção de trazer a problemática para o centro do debate, para que sejam implementadas políticas públicas mais eficientes e para que se encontrem soluções mais efetivas para os problemas enfrentados pelas populações indígenas.

De acordo com levantamento feito pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Mato Grosso do Sul registrou 24 suicídios a cada 100 mil habitantes indígenas em 2022. O índice é três vezes maior do que o da população brasileira geral para o mesmo ano, de oito suicídios a cada 100 mil habitantes, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.


quarta-feira, 3 de junho de 2026

Documentário Resgata História de Mário Juruna e os Encantos de Barra do Garças

Por Direto de PE · 21 de janeiro de 2026 

 
O Projeto é um projeto que faz composição do Circuito Cultural da Empresa Agência Pêssego e Maçã LTDA CNPJ nº: 48.065.526/0001-86, cuja desenvolvedora é gestora do projeto é CARLITA RODRIGUES MACEDO (Sócia Administrativa da Empresa), o Livro documental desta Temporada traz por Título: Mario Juruna e o Casamento com a Índia Xavante (Janaina Calunga), uma Homenagem da Tribo Xavante da Cidade do Mato Grosso UF: MT com Mini – Biografia de Barra do Garças, contada pelo Morador Histórico “Antônio Orlando da Silva “. Além do Livro será apresentado Videoclipe com imagens Fotográficas de Mirante de Cristo, Discoporto e Serra do Roncador. 

Entre paisagens emblemáticas e narrativas que atravessam gerações, um novo projeto audiovisual propõe mergulhar na memória cultural de Barra do Garças, em Mato Grosso. O documentário Pão da Nova Geração une videoclipe e livro documental para revisitar pontos turísticos como o Mirante do Cristo, a Serra do Roncador e o Discoporto, enquanto resgata uma das lendas mais contadas pela tradição oral local: o controverso e simbólico casamento de Mário Juruna com a índia Xavante Janaina Calunga. 

A obra apresenta o relato transmitido por moradores históricos, revelando como mito, identidade indígena e memória popular se entrelaçam na construção da história da cidade.
O projeto Pão da Nova Geração propõe a produção de um videoclipe e a criação de um livro documental que unem memória histórica, tradição oral e valorização dos pontos turísticos da cidade de Barra do Garças, no estado de Mato Grosso. As gravações e registros visuais contemplam cenários emblemáticos do município, como o Mirante do Cristo, a Serra do Roncador e o Discoporto, locais que carregam forte simbolismo cultural, turístico e místico para a região. A obra documental se debruça sobre uma das lendas mais conhecidas e controversas da história oral local: o suposto casamento de Mário Juruna com uma índia da etnia Xavante. 

Segundo a narrativa popular, amplamente contada por moradores antigos, Mário Juruna teria se unido à indígena Janaina Calunga. O relato afirma que Janaina Calunga ganhou notoriedade dentro da comunidade como uma grande empresária, fato que reforça sua importância social e econômica no imaginário coletivo da época. Ainda de acordo com a lenda, apesar de Janaina Calunga já ser casada, essa condição não teria impedido uma nova união estável com Mário Juruna, uma vez que, conforme a tradição atribuída à tribo Xavante, não haveria limitações para que um indivíduo casado mantivesse outros matrimônios. 

Essa característica cultural é apresentada como parte essencial para a compreensão do contexto da relação descrita na narrativa popular. A história segue relatando que, em determinado momento, Mário Juruna teria desejado sair da relação, considerada frustrada. Diante dessa decisão, Janaina Calunga, descrita na lenda como uma índia brava do Mato, teria se unido a seus aliados e armado uma arapuca contra ele. O desfecho trágico da narrativa aponta que Mário Juruna morreu de pé, acreditando até o fim que Janaina Calunga sempre foi sua ajudadora, protetora e auxiliadora, passando a enxergar todos aqueles que cruzavam seu caminho como perseguidores. 

O conteúdo integra o livro documental intitulado Mário Juruna e o Casamento com a Índia Xavante (Janaina Calunga), que também se apresenta como uma mini-biografia de Barra do Garças. A história é contada a partir do olhar e da memória de um morador histórico da cidade, Antônio Orlando da Silva, cuja narrativa contribui para a preservação da identidade cultural e da tradição oral do município. 

O projeto tem como objetivo registrar, valorizar e difundir histórias que fazem parte do imaginário popular, conectando passado e presente por meio do audiovisual e da literatura documental. A iniciativa reforça a importância de preservar relatos históricos e lendas regionais como patrimônio imaterial, utilizando a arte e a comunicação como instrumentos de memória e identidade cultural.


terça-feira, 12 de maio de 2026

Professor Sanderss lança pré-candidatura ao governo, na busca por um novo compromisso com Mato Grosso do Sul

 


Por; Bob Monteiro


Hoje não dou apenas um passo na minha trajetória pública; mas um passo ao lado de cada cidadão que acredita que o nosso estado pode e deve ser mais igualitário e justo com as politicas sociais, com mais geração de rendas e riquezas, além de bens e serviços de grandes qualidades.

Professor Sanderss pré-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul


 Olho para os municípios do estado  e vejo um potencial gigante, mas também vejo gargalos que travam o nosso crescimento. Vejo o pai de família preocupado com o emprego, a mãe que espera meses por uma consulta em postos de saúde e hospitais além do  jovem e a criança que buscam  uma educação de qualidade sendo em período normal ou integral em suas localidades, além disso buscam oportunidades para não precisarem deixarem suas terras ou seu estado.

Não podemos mais aceitar o ditado de "sempre foi assim". 

Pois estou sempre movido pela convicção de que a política é a ferramenta mais poderosa para transformar  as estruturas e também a vida das pessoas deste imenso estado .

Nosso pensamento é ouvir o clamor do povo do estado para ampliar as propostas para o plano de governo do nosso partido da causa operária - PCO, com suas demandas na busca por inovação e empreendedorismo aliado ao desenvolvimento sustentável e justiça social. Clamor este do povo que busca ter  menos burocracia para quem produz, mais incentivo para o pequeno, médio e grande negócio, que é quem gera mais  empregos lá na ponta.


segunda-feira, 11 de maio de 2026

 

Por Vinícius Cassela, g1 — Brasília


O Senado Federal aprovou nesta terça-feira (5) o projeto de lei que cria a Universidade Federal Indígena (Unind), primeira instituição de ensino superior do país essencialmente voltada à realidade dos povos originários.

A ideia do projeto é que a universidade seja dedicada a atender os interesses da população indígena brasileira, que não possui ensino superior dedicado ao setor. A proposta é que ela comece a funcionar em 2027.


“A Unind vem para suprir um hiato histórico e combater o abandono escolar no nível superior, causado por preconceitos e distâncias geográficas. [...] É o compromisso de que a sustentabilidade socioambiental e a preservação das línguas maternas caminharão lado a lado com a excelência acadêmica”, afirmou o relator da proposta, senador Eduardo Braga (MDB-AM).

Como o texto foi aprovado sem alterações em relação ao que já havia passado pela Câmara dos Deputados, segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de quem partiu a proposta original..












segunda-feira, 20 de abril de 2026

Espiritualidade ancestral perde espaço e só 3% dos indígenas seguem tradição


Presença crescente de igrejas divide comunidades e impacta transmissão cultural entre gerações


Por Kamila Alcântara | 19/04/2026 


 Casa de reza da terra indígena Jaguapiré, em Tacuru, no Mato Grosso do Sul, poucos anos antes de ser incendiada em 2019 (Foto: Pablo Albarenga / Agência O Globo)

Neste domingo (19), em que se celebra o Dia dos Povos Originários, um dado chama mais atenção do que qualquer discurso oficial: em Mato Grosso do Sul, apenas 3% da população indígena declara seguir tradições religiosas ancestrais. Enquanto isso, 45% se identificam como evangélicos e 25% como católicos.

Os números fazem parte do Painel Povos Originários, lançado nesta semana pelo Observatório da Cidadania, plataforma que reúne dados inéditos sobre território, perfil populacional e condições de vida indígena no Estado.

A leitura fria dos dados pode sugerir apenas uma mudança de preferência religiosa. Mas, na prática, o que está em jogo é bem mais profundo. “Hoje a gente vive uma divisão dentro das comunidades”, resume o técnico da Subsecretaria de Políticas Públicas para Povos Originários, Heliton Cavanha, que é kaiowá.

De um lado, a religião dos não indígenas. Do outro, a espiritualidade tradicional.” Segundo ele, essa divisão não é neutra. Ela impacta diretamente a estrutura social das aldeias.

“A raiz das comunidades são os anciões, os nhanderu e as nhandery. E o futuro é a juventude. Só que a gente está esquecendo esses anciões, esquecendo de fortalecer eles”, afirma.

Essa fala expõe um ponto incômodo que pouca gente quer encarar de frente. Não é só sobre fé. É sobre transmissão de conhecimento. Sem os anciãos, não há quem ensine. Sem os jovens interessados, não há quem aprenda.


Heliton evita confronto direto com outras religiões. Faz questão de dizer que o respeito precisa existir dentro e fora das comunidades. Mas também deixa claro que há um limite. “É preciso respeitar todas as religiões. Mas não deixar de lado a nossa cultura. Isso é essencial.”

Jovem indígena do povo kaiowá, Heliton Cavanha é técnico a Subsecretaria de Estado de Políticas Públicas para Povos Originários de MS (Foto: Osmar Veiga)

O avanço de igrejas nas aldeias ocorre ao mesmo tempo em que espaços tradicionais perdem força. Casas de reza, por exemplo, passaram a ser alvo de conflitos e até destruição, segundo relatos de lideranças. “Tem situações de queima de casas de reza e até violência contra quem defende esses espaços,” afirma o técnico.

A resposta tem sido institucional. Programas estaduais e federais tentam proteger esses territórios e práticas, incluindo iniciativas voltadas à preservação das casas de reza e fortalecimento cultural.

Mas dá para proteger cultura só com política pública, sem engajamento da própria comunidade? Diferente das religiões estruturadas em templos, a espiritualidade indígena está ligada à natureza. “A gente precisa entender a relação com a natureza. O povo guarani é conhecido como povo da floresta”, explica Heliton.

Por isso, iniciativas atuais tentam conectar espiritualidade com ações práticas, como agroecologia, saúde e autocuidado. A lógica é simples: cultura não se preserva em discurso, mas no cotidiano.

Mato Grosso do Sul tem a terceira maior população indígena do país, com mais de 116 mil pessoas, a maioria jovem.  Ou seja, há base demográfica para manter tradições vivas.


Ao concluir, Heliton cita alguns desses pontos que também podem estar influenciando esse apagamento: drogas, álcool e conflitos internos fragilizam justamente quem sustenta a tradição.


Queima da Casa de Reza Guarani e Kaiowá da retomada Kunumi Verá, no município de Caarapó em 2024 (Foto: Aty Guasu)

Incêndios - Ataques a casas de reza indígenas têm se intensificado desde 2020, quando o povo Guarani Kaiowá é o mais atingido. Os incêndios criminosos destroem não apenas estruturas físicas, mas elementos centrais da espiritualidade, como o chiru, objeto sagrado transmitido por gerações e considerado um ser vivo na cultura indígena.

Para  reportagem do O Globo, lideranças relatam que a destruição desses espaços representa uma perda profunda, comparável à própria vida e à identidade cultural. As casas de reza também funcionam como locais de ensino, organização social e decisões coletivas, indo muito além de um templo religioso.

Especialistas e indígenas apontam duas principais causas para os ataques: intolerância religiosa, muitas vezes ligada ao avanço de igrejas evangélicas nas aldeias, e conflitos por terra, já que esses espaços são pontos de agrupamento e resistência nas comunidades.


 Fonte: www.campograndenews.com.br

Povos Indígenas no Brasil: Mato Grosso do Sul

  23/09/2026   21: 07 Por; Professor Sanderss Os povos indígenas fazem parte da formação do Brasil e seguem centrais para entender a históri...