segunda-feira, 12 de março de 2012

Índios bolivianos farão nova passeata contra estrada financiada pelo Brasil

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12/03/2012      23:13
EFE

 La Paz, Organizações indígenas da Amazônia, do leste e do sul da Bolívia confirmaram nesta segunda-feira que farão uma nova passeata para se manifestar contra a construção de uma estrada financiada pelo Brasil e impulsionada pelo presidente Evo Morales no parque Tipnis, mas ainda não definiram a data do protesto. 

O presidente da Confederação de Povos Indígenas do Oriente da Bolívia (Cidob), Adolfo Chávez, disse à Agência Efe que as instituições reunidas na cidade amazônica de Trinidad concordaram em definir a data antes do fim deste mês. 

Segundo ele, a reunião realizada desde domingo não teve a presença de uma organização de índios guaranis, mas todos os demais povos "estão com o espírito firme para fazer respeitar os direitos individuais e coletivos". 

Os dirigentes da Cidob farão as consultas no Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis), no centro do país, para analisar opções a fim de concretizar a nova mobilização. 

Morales aprovou em fevereiro uma lei para consultar os indígenas do Tipnis sobre a construção da estrada, depois que grupos de camponeses, indígenas e produtores de coca realizaram uma contramanifestação rumo a La Paz para apoiar a obra viária. 

Entre agosto e outubro do ano passado, os nativos do Tipnis e a Cidob fizeram uma primeira passeata para rejeitar plenamente a estrada, mas o movimento foi brutalmente reprimido pela polícia e bloqueado por seguidores de Morales antes de ser recebido triunfantemente em La Paz. 

Os indígenas do Tipnis esclarecem que não se opõem ao projeto viário, mas criticam o projeto da estrada de cortar pela metade essa reserva ecológica, por temor a uma invasão ainda maior de produtores de folha de coca, matéria-prima para elaborar cocaína. 

A nova passeata de defesa do parque nacional terá o respaldo de guaranis do Brasil, Argentina e Paraguai, conforme antecipou há poucos dias o presidente do Conselho Continental da Nação Guarani, o boliviano Celso Padilla.

domingo, 11 de março de 2012

Índios vendem direitos sobre terras na Amazônia por R$ 200 milhões

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11/03/2012     09:46
Do Portal R7
Por 30 anos, índios não poderão cortar nem uma árvore 

Por US$ 120 milhões (R$ 200 milhões), índios da etnia mundurucu venderam a uma empresa estrangeira direitos sobre uma área com 16 vezes o tamanho da cidade de São Paulo em plena floresta amazônica, no município de Jacareacanga (PA). 

O negócio garante à empresa "benefícios" sobre a biodiversidade, além de acesso irrestrito ao território indígena.  No contrato, os índios se comprometem a não plantar ou extrair madeira das terras nos 30 anos de duração do acordo. 

Qualquer intervenção no território depende de aval prévio da Celestial Green Ventures, empresa irlandesa que se apresenta como líder no mercado mundial de créditos de carbono. Sem regras claras, esse mercado compensa emissões de gases de efeito estufa por grandes empresas poluidoras, sobretudo na Europa, além de negociar as cotações desses créditos. 

Na Amazônia, vem provocando assédio a comunidades indígenas e a proliferação de contratos nebulosos semelhantes ao fechado com os mundurucus. A Fundação Nacional do Índio (Funai) registra mais de 30 contratos nas mesmas bases. 

 Só a Celestial Green afirmou ter fechado outros 16 projetos no Brasil, que somam 200 mil quilômetros quadrados. Isso é mais de duas vezes a área de Portugal ou quase o tamanho do Estado de São Paulo. A terra dos mundurucus representa pouco mais de 10% do total contratado pela empresa. 

 A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, reagiu:

  Os índios assinam contratos muitas vezes sem saber o que estão assinando. Ficam sem poder cortar uma árvore e acabam abrindo caminho para a biopirataria [...] Temos de evitar que oportunidades para avançarmos na valorização da biodiversidade disfarcem ações de biopirataria", reagiu O principal executivo da Celestial Green, Ciaran Kelly, afirma que todos os contratos da empresa com comunidades indígenas passam por um "rigoroso processo de consentimento livre, prévio e informado.

sábado, 10 de março de 2012

UMA MAIOR PARTICIPAÇÃO DO INDÍGENA NAS DECISÕES PARTIDÁRIAS

10/03/2012       12:06

ARTIGO

 Por: SANDER BARBOSA PEREIRA

 Os constantes acontecimentos sobre a problemática indígena no estado de Mato Grosso do Sul nos colocam num momento de perplexidade frente a banalidade de como é tratada a questão indígena de uma forma geral. 

Entendemos que a questão das demarcações é ainda o sistema nervoso não só aqui más em todo o Brasil, na raposa serra do sol terra indígena localizada em Roraima o processo levou três décadas para se ter uma sentença favorável aos povos indígenas e o processo foi doloroso para ambas as partes, alem dos embates nas áreas de conflitos, houve calorosos debates no supremo tribunal federal – STF. 

E a conclusão que se chegou foi acelerar os processos que lá estavam tramitando por longos períodos, aqui no Mato Grosso do Sul há processos que já estão beirando os 40 anos a espera de um parecer favorável e ao contrário da raposa serra do sol aqui os embates são de forma violenta com grandes perdas de vidas de lideranças que conduzem seus grupos na busca de seus territórios tradicionais. 

Somos sabedores que alem da problemática das demarcações há outras lutas que estão sendo travadas fortementes em setores como: Educação, saúde, inserção social e no campo da política partidária. Dentro da política partidária defendemos a tese de uma maior participação do cidadão indígena nas questões e decisões que envolva o componente e a temática indígena em todas às instâncias partidárias. 

Com melhores condições para fazer o debate de suas problemáticas junto à sociedade envolvente temos a certeza de alcançarmos os objetivos tão almejados numa sociedade que caminha lentamente quando se trata de reconhecer os direitos dos povos indígenas na sua essência. 

Defendemos ainda um melhor fortalecimento das lideranças indígenas no interior do estado de Mato Grosso do Sul, incentivos às filiações partidárias, visitas dos dirigentes locais às aldeias indígenas como forma de valorização da cultura indígena, assim como sua importância para as definições políticas no cenário eleitoral do estado.

SANDER BARBOSA PEREIRA, Licenciado e Bacharel em Letras pela UNIDERP-ANHANGUERA/MS, Membro do Conselho Municipal dos Direitos e Defesa dos Povos Indígenas de Campo Grande, Ativista indígena, Coordenador do setorial Indígena/DRPT/MS, Presidente da ONG indígena Centro Social de Cultura Nativa/MS.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Delcídio participa no Pará de audiência sobre Belo Monte

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08/03/2012 23:23

 Assessoria

O senador Delcídio do Amaral(PT/MS) , relator da Subcomissão do Senado que acompanha a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira, no interior do Pará, iniciou nesta quinta-feira, 8 de março, uma viagem de dois dias a região, para visitar as obras e participar de uma audiência pública que contará com a presença de autoridades municipais, estaduais , federais, representantes do Ministério Público e do Poder Judiciário, para debater questões relacionadas ao empreendimento.

 “Vamos conversar com a comunidade diretamente impactada pelo projeto, em uma visita muito boa porque, in loco, nós temos condição de avaliar melhor as dificuldades, os problemas e os avanços de uma obra tão importante para a segurança energética brasileira .Eu, que vivi no Pará construindo a Usina de Tucuruí, conheço bem a região. 

Queremos que as pessoas nos dêem os subsídios necessários de tal maneira que essa comissão temporária tenha condições de ajudar na implementação desse projeto tão importante para o Brasil", avalia Delcídio, A comitiva contará também com presença do presidente da subcomissão, senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), do senador Ivo Cassol (PP-RO), que é vice-presidente da subcomissão e do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).

 Além da comitiva de senadores,vão participar da audiência prefeitos da região e moradores de Altamira. Outros temas serão abordados, como o transporte na região, sobretudo aéreo, uma vez que são constantes as críticas de que existem poucos vôos, sempre lotados, e do alto preço das passagens aéreas.

Em tempo os povos indígenas daquela localidade também participarão desta audiência publica.

domingo, 4 de março de 2012

A maior grilagem acabou

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04/03/2012       20:16

FIM DE UM DOS MAIORES LATIFÚNDIOS DO MUNDO


Povos indígenas seriam afetados

Por Lúcio Flávio Pinto
 Cartas da Amazônia




 Nesta semana a subseção da justiça federal de Altamira, no Pará, vai receber os autos do processo sobre a maior grilagem de terras da história do Brasil, talvez do mundo. São quase 1.500 páginas de documentos, distribuídos em seis volumes, que provam a forma ilícita adotada por um dos homens mais ricos e poderosos do Brasil contemporâneo para se apossar de uma área de 4,7 milhões de hectares no vale do rio Xingu. 

Se a grilagem tivesse dado certo, Cecílio do Rego Almeida se tornaria dono de um território enorme o suficiente para equivaler ao 21º maior Estado do Brasil. Com seus rios, matas, minérios, solos e tudo mais, numa das regiões mais ricas em recursos naturais da Amazônia. O grileiro morreu em março de 2008, no Paraná, aos 78 anos, mas suas pretensões foram transmitidas aos herdeiros e sucessores. 

A "Ceciliolândia", se pudesse ser contabilizada legalmente em nome da corporação, centrada na Construtora C. R. Almeida, multiplicaria o valor dos seus ativos, calculados em cinco bilhões de reais. Com base nas provas juntadas aos autos, em 25 de outubro do ano passado o juiz substituto da 9ª vara da justiça federal em Belém mandou cancelar a matrícula desse verdadeiro país, que constava dos assentamentos do cartório imobiliário de Altamira em nome da Gleba Curuá ou Fazenda Curuá. 

O juiz Hugo Sinvaldo Silva da Gama Filho reconheceu que os direitos conferidos por aquele registro eram nulos, "em razão de todas as irregularidades que demonstram a existência de fraude no tamanho da sua extensão, bem como a inexistência de título aquisitivo legítimo". 

Comunidades indígenas

Além de mandar cancelar a matrícula do imóvel, o juiz ordenou "a devolução da posse às comunidades indígenas nas áreas de reserva indígena que encontram-se habitadas por não-índios". Condenou a empresa ao pagamento das custas processuais e da verba honorária, que fixou em 10 mil reais. No dia 9 de dezembro a sentença foi publicada pela versão eletrônica do Diário da Justiça Federal da 1ª Região, com sede em Belém e jurisdição sobre todo o Pará, o segundo maior Estado brasileiro. 

No último dia 15 de fevereiro os autos do processo foram devolvidos à subseção federal de Altamira, em cumprimento à portaria, baixada em novembro do ano passado. A portaria determinou "que a competência em matéria ambiental e agrária deve se limitar apenas aos municípios que integram a jurisdição da sede da correspondente Seção Judiciária". 

É provável que a única intervenção do juiz de Altamira se restrinja a extinguir a ação e arquivar o processo. Tudo indica que a Incenxil, uma das firmas de que Cecílio Almeida se valia para agir, não recorreu da decisão do juiz Hugo da Gama Filho. Ou por perda do prazo, que já foi vencido, ou porque desistiu de tentar manter em seu poder terras comprovadamente usurpadas do patrimônio público através da fraude conhecida por grilagem. 

A sentença confirma o que reiteradas vezes declarei nesta coluna e no meu Jornal Pessoal: Cecílio do Rego Almeida era o maior grileiro do Brasil — e talvez do mundo — até morrer. E até, finalmente, perder a causa espúria. Por ter dito esta verdade, reconhecida pela justiça federal, a justiça do Estado me condenou a indenizar o grileiro. 

A condenação original foi dada por um juiz substituto, que fraudou o processo para poder juntar a sua sentença, quando legalmente já não podia fazê-lo. Essa decisão foi mantida nas diversas instâncias do poder judiciário paraense, mesmo quando a definição de mérito sobre a grilagem foi deslocada (e em boa hora) para a competência absoluta da justiça federal. 

Se a Incenxil não recorreu, a grilagem que resultou na enorme Fazenda Curuá foi desfeita. Mas essa decisão não se transmitiu para o meu caso, o único dos denunciantes da grilagem (e, provavelmente, o único que mantém viva essa denúncia) a ser condenado. 

Em um livro-relâmpago que estou lançando em Belém junto com uma edição especial do Jornal Pessoal, reconstituo a trama urdida para me levar a essa condenação e me tirar do caminho do grileiro e dos seus cúmplices de toga. Como vítima de uma verdadeira conspiração entre empresários, advogados e membros do poder judiciário, considero a minha condenação um ato político. 

Seu objetivo era me calar. Mas calar não só aquele que denuncia a grilagem e a exploração ilícita (ou irracional) dos recursos naturais do Pará (e da Amazônia). É também para punir quem acompanha com muita atenção a atuação da justiça e a crítica abertamente quando ela erra, de caso pensado.

 E tem errado muito. As atuais dificuldades enfrentadas pela ministra Eliana Calmon, corregedora do CNJ, têm origem numa barbaridade cometida por uma juíza paraense e confirmada por uma desembargadora. No mês passado a juíza foi promovida a desembargadora, a despeito de estar passível de punição pelo Conselho Nacional de Justiça. 

Decidi tirar uma edição exclusivamente dedicada ao meu caso não para me defender, mas para atacar. Não um ataque de retaliação pessoal, mas uma reação da opinião pública contra os "bandidos de toga", que usam o aparato (e a aparência) da justiça para atingir alvos que só a eles interessa. 

Também contra os que se disfarçam de julgadores para agir como partes; que recorrem aos seus poderosos instrumentos para afastar todas as formas de controle que a sociedade pode exercer sobre os seus atos. Por isso decidi não recorrer da condenação que me foi imposta e conclamar o povo a participar de uma campanha pela limpeza do poder judiciário do Pará. Nossa força é moral. 

E ela deriva do fato de que temos a verdade ao nosso lado. A verdade é a nossa arma de combate. Com ela iremos ao tribunal, no dia em que ele executar a sentença infame contra mim, para apontar-lhe a responsabilidade que tem. 

Não satisfeito em defender os interesses do saqueador, do pirata fundiário, ainda nos obriga a ressarci-lo porque a verdade causa dano moral ao grileiro. Que moral é essa? A dos lobos, que predomina quando é instituída a lei da selva. 

Sob sua vigência, vence o mais forte. O resultado é essa selvageria, que se manifesta de tantas e tão distintas formas, sem que nos apercebamos da sua origem. Frequentemente ela está no Poder Judiciário, o menos visível e com menos controle social de todos os três poderes estabelecidos na constituição.

 Esse poder absoluto precisa acabar. Para que, com ele, acabe um dos seus males maiores: a impunidade. Queremos um Pará melhor do que esta selvageria em que o estão transformando.

Em Dourados, índios reivindicam construção de postos de polícia para garantir a segurança de reserva

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04/03/2012   13:41
douradosnews

 foto arquivo




A prorrogação por mais 90 dias da permanência dos homens da Força Nacional de Segurança na reserva indígena em Dourados, em Mato Grosso do Sul, foi comemorada por lideranças indígenas das aldeias Jaguapiru e Bororó, que formam a reserva.

 No entanto, eles avaliam a medida como paliativa e reivindicam a construção de postos de polícia na região para combater a violência e garantir a segurança dos quase 15 mil índios que moram no local. “Antes da chegada da Força Nacional era muito pior. Tínhamos duas mortes por mês e agora não registramos nenhuma nos últimos dois meses. 

Mas precisamos de uma delegacia com estrutura dentro da aldeia”, disse Silvio de Leão, líder guarani-kaiowá. Leão é uma espécie de delegado dos índios que vivem na Aldeia Jaguapiru. Para ele, devido ao grande número de pessoas que moram nas aldeias, é essencial que o policiamento esteja sempre presente. 

 Com uma população maior que a de 41 municípios do estado de Mato Grosso do Sul, a reserva indígena de Dourados sofre também com a falta de infraestrurtura. São quase 15 mil índios vivendo em uma área de 3,6 mil hectares sem iluminação pública nas vias de terra batida, com o fornecimento de água instável, com quatro postos de saúde precários e com sete escolas públicas, quantidade, segundo lideranças locais, insuficiente para os jovens da comunidade. 

 “De cinco anos para cá a população cresceu muito. Muitos índios ainda não se acostumaram a viver tão próximos e isso acaba provocando conflitos entre os próprios índios”, disse Silvano da Silva Duarte, um dos conselheiros da Aldeia Bororó. “Com o consumo de bebidas alcoólicas, o problema fica ainda pior”, acrescentou. 

 De acordo com militares da Força Nacional durante o patrulhamento nas aldeias o principal trabalho tem sido impedir a venda de bebidas alcoólicas, considerada crime segundo o Estatuto do Índio. No entanto, a localização da aldeia – ao lado da cidade de Dourados – e a falta de iluminação púbica, tornam a fiscalização difícil. 

“Precisamos de um projeto que envolva a construção de mais escolas, mais postos de saúde e, principalmente, ampliar a área da reserva. Hoje não temos como plantar, cultivar”, disse Duarte. Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai) em Dourados, está sendo elaborada uma parceira entre o órgão e o governo de Mato Grosso do Sul para desenvolver programas sociais para os índios. No entanto, ainda não há previsão para o início das ações. 

 Desde junho de 2011, a Força Nacional está na região auxiliando as ações da Operação Tekohá (Nossa Terra), desencadeada pela Polícia Federal em parceria com a Funai.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Lentidão da Justiça colabora para aumentar tensão entre índios e fazendeiros em MS

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02/03/2012    20:16
Justiça Nacional

Ivan Richard Enviado Especial  - Amambai - Tacuru (MS)

 A lentidão da Justiça brasileira para finalizar os processos relacionados às homologações de terras indígenas colabora para aumentar o clima de tensão e violência em as áreas de conflito, em especial no estado de Mato Grosso do Sul. 

A avaliação foi feita pela desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo e uma das fundadoras da Associação de Juízes pela Democracia (AJD) Kenarik Baujikian. Uma das observadoras da Aty Guasu, uma grande assembleia do povo indígena Guarani-Kaiowá do estado de Mato Grosso do Sul, que ocorre no município de Tacuru até amanhã (3), a desembargadora acredita que devido à lentidão do Poder Judiciário tanto índios quanto fazendeiros e produtores rurais partem para o conflito a fim de defender seus direitos. 

“O Judiciário brasileiro precisa saber dos reflexos do descumprimento da sua obrigação, que é fazer justiça. Nesse caso, acaba criando mais injustiça e isso é gravíssimo. É preciso ter consciência de que a falta de decisão está fomentando situações muito tristes que estamos vendo agora, especialmente em Mato Grosso do Sul”, disse Kenarik Baujikian à Agência Brasil. 

Para a desembargadora, os processos de demarcação e homologação de terras indígenas não podem tramitar por anos nos tribunais sem que tenha uma definição. “A demora na solução acaba reforçando os problemas que existem de violência, tensões, seja dentro das comunidades indígenas, seja nas outras comunidades que estão em volta. 

O Judiciário tem cumprido um papel de reforçar [isso], na medida em que a questão da demarcação de vários processos está paralisada no Supremo Tribunal Federal”, argumentou. “A demora da Justiça contribui para a violência e não só para isso como também para a instabilidade geral em todos os sentidos, inclusive, econômico dos envolvidos. 

A pior coisa que pode acontecer é não se resolver esse problema logo, seja por meio das homologações, seja pelas questões que já estão no Judiciário”, acrescentou a desembargadora. Kenarik Baujikian também responsabilizou o Poder Executivo pela dificuldade em solucionar os problemas indígenas. “Não é só o Judiciário. 

O Executivo [tem responsabilidade] também porque existem atribuições próprias do Executivo e isso não tem sido realizado. Estamos muito atrasados em relação a isso e o que só vem reforçar a questão de incerteza, tensão para todas as pessoas envolvidas.” 

Iniciada na quarta-feira (29), a primeira Aty Guasu de 2012 reúne cerca de 250 lideranças, que representam cerca de 45 mil índios das etnias Guarani-Kaiowá e Nhandéwa, de 26 municípios de Mato Grosso do Sul.

 Criada na década de 1970, Aty Guasu é parte da organização social e um movimento político-religioso do povo indígena Guarani-Kaiowá. Ao final do encontro, os índios divulgarão um documento com reivindicações e demandas que serão encaminhados às três esferas de Poder. 

Edição: Talita Cavalcante

PAZ, DIÁLOGO E CONCILIAÇÃO NO CAMPO

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