terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Carta Contra o Preconceito Étnico

20/02/2018             11:30



Por; Sander Barbosa Pereira




Aos dezenove dias do mês de Fevereiro do ano de 2018, cumprimentando os senhores e senhoras do nosso país o Brasil, após 518 anos da chegada do colonizador no ano de 1500, venho – lhes relatar que pouco ou quase nada daquilo que ocorreu na época do império colonial mudou, ou seja, a visão do europeu ainda permanece quase que atual se não fosse trágica.

Nesses tempos atuais em que estamos vivendo e vivenciando as transformações deste imenso continente, estamos acompanhando as lutas dos povos indígenas contra todas as formas de preconceitos contra seu modo de ser e viver. 

A sociedade envolvente continua mascarando as diversidades cultuais indígenas e suas formas de organizações sociais que mantem suas identidades étnicas como uma importante riqueza e extremamente fundamental para a formação deste belo país.

Quero alertar os senhores e senhoras que precisamos ajudar esses povos que tanto contribuem para manter viva a nossa própria história e que mesmo assim são rejeitados, discriminados e espoliados de suas terras, forçando os as práticas integracionistas da sociedade nacional, desrespeitando seus direitos adquiridos ao longo de séculos de lutas e resistências.

Informo – lhes que o preconceito contra esses povos a cada dia esta aumentando de forma vertiginosa e perigosa, pois estão sendo acusados de serem empecilhos para o desenvolvimento deste país, digo lhes mais, suas retomadas de territórios tradicionais de ocupação estão sendo rotuladas de invasões e essas investidas estão sendo duramente reprimidas e as noticias que tenho de fontes seguras são de que esta havendo grandes quantidades de perdas de vidas por parte dos povos indígenas principalmente aqui em nosso estado de Mato Grosso do Sul.

A carta magna assegura aos nossos indígenas o direito a terra e a manutenção de suas raízes culturais e o que verifico é a total falta de respeito com os preceitos constitucionais que regem a vida de nossa nação.

Na visão de uma pequena parte da sociedade envolvente os povos indígenas ainda sofrem na pele e na alma toda a carga de estereótipos e isso esta atravessando gerações e parece que, serão necessários mais empenhos dos senhores e senhoras no sentido de fazer a correção desta divida histórica que tange a imagem destorcida dos registros oficiais que devem e podem ser combatidas com informações corretas que mostre o verdadeiro índio com seus valores e conceitos e suas contribuições especialmente na defesa deste grandioso país, peço que encaminhe esses pedidos as nossas autoridades competentes.

Senhores e Senhoras os dados da nossa atualidade sobre os povos indígenas nos permite fazer cálculos de perdas de vidas, relato – lhes que neste novo mundo como os europeus diziam, viviam aproximadamente entre cinco e seis milhões de indígenas vivendo nesta terra maravilhosa e que o mais triste é saber que esta população não passa hoje de novecentos mil pessoas, ou seja, 230 povos e algumas tribos ainda vivendo de forma autóctone nas florestas e fronteiras da Amazônia brasileira.

São tristes estes relatos sobre esses povos que resistem e quer manter suas culturas, seus territórios estão sendo reduzidos e com a boa noticia de que essa população esta aumentando, mas as politicas sociais caminham a passos lentos no que diz ao bem estar e respeito para com esses povos.
O preconceito étnico é enorme, pois ao chegarem aos pequenos e grandes centros a realidade é dura e real, pois são colocados em periferias destas cidades e recebem nomes pejorativos de favelados, desaldeados ou sem tetos e sem terras, descaracterizando lhes de toda essa gama histórica de séculos.

O processo de invisibilidade a que são submetidos é histórico, em casos mais graves são impedidos de falar suas línguas maternas em espaços públicos, pasmem Senhores e Senhoras até em escolas isso acontece.

Encerro esta carta conclamando os Senhores e Senhoras e aos que estão por vir a este mundo maravilhoso, que junte esforços para mudar os pensamentos desta sociedade envolvente e demonstre isso com fatos e ações concreta especialmente na educação que é a roda da historia que move esse pais.





Sander Barbosa Pereira – Licenciado e Bacharel em Letras – UNIDERP

Pós - graduado em Antropologia e História dos Povos Indígenas - UFMS



segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Ex-pajé' estreia no Festival de Berlim com leitura de manifesto indígena

19/02/2018                  13:17


'Documentário de Luiz Bolognesi aborda o desaparecimento da etnia Paiter Suruí, de Roraima. Manifesto assinado por 28 lideranças e 15 organizações indígenas protesta contra violência e racismo


Por;  paulodonizetti publicado  em 17/02/2018     17h51





REPRODUÇÃO

Último suspiro: 'Filme testemunha os últimos minutos de existência de uma cultura milenar cheia de sabedoria'


O Festival de Cinema de Berlim, um dos mais importantes da Europa e do mundo, exibe neste sábado (17) o documentário Ex-pajé, que apresenta um dos dramas dos povos indígenas contemporâneos. Escrito e dirigido por Luiz Bolognesi (diretor da animação Uma História de Amor e Fúria e roteirisa de Bicho de Sete Cabeças), o filme é contado a partir da história de Perpera, um índio Paiter Suruí que viveu até os 20 anos num grupo isolado na floresta onde se tornou pajé, mas que passou a viver intensos conflitos internos depois de ter tido contato com os brancos, especialmente com pastores evangélicos que “proclamaram” na comunidade que os atos e saberes indígenas são “coisas do diabo”. Apesar de hoje se dizer evangélico e se definir como ex-pajé, Perpera continua tendo visões dos espíritos da floresta.

A sessão do longa-metragem, prevista para às 20h (horário de Berlim), deve contar com a leitura do Manifesto de Povos e Lideranças Indígenas do Brasil, que critica o etnocídio e invoca um país com mais tolerância e respeito. 

O documento assinado por 28 lideranças e 15 organizações indígenas declara: "Hoje atravessamos muitas crises, ecológica, econômica, política, a nossa frágil democracia foi atacada e os territórios indígenas estão sendo invadidos e saqueados. Junto com o ferro e o fogo, vem a conversão racista. 

Trocam as rezas pela bíblia e as medicinas por aspirinas. Epidemias de depressão provocam os maiores índices de suicídio do mundo manchando de sangue as lindas florestas do Brasil".

Para contar essa história de extermínio da cultura indígena, o longa-metragem utiliza a linguagem do Cinema Direto, um gênero do documentário que procura captar a realidade com o mínimo de intervenção possível. Ainda sem trailer nem cartaz para o mercado brasileiro, a obra ainda não tem previsão de estreia nos cinemas. 

É possível apenas assistir a um extrato (com legenda em inglês) no site da Berlinale, no qual o ex-pajé Perpera afirma que, depois que os brancos evangélicos chegaram em sua comunidade e anunciaram que as crenças e rezas tradicionais eram coisas do demônio, todos os indígenas passaram a ignorá-lo até que ele aceitasse frequentar a igreja.

"Num momento em que as casas de reza indígenas estão sendo queimadas e os pajés demonizados pela violência evangélica, ter o filme Ex-Pajé estreando em Berlim significa levar as vozes dos espíritos da floresta mundo afora através do cinema", afirmou o diretor e roteirista Luiz Bolognesi. 

Para a produtora do longa Laís Bodanzky, este é o registro do último suspiro de uma cultura milenar: "O mais comovente neste cinema verdade que o Luiz Bolognesi se propôs a filmar com toda a delicadeza que o tema exige é a transformação de nós espectadores em testemunhas dos últimos minutos de existência de uma cultura milenar cheia de sabedoria que não foi registrada na história deste planeta e nem passada para as novas gerações. O último suspiro".

Ex-pajé será exibido na Mostra Panorama, paralela à competição oficial, que traz outros três documentários brasileiros: Aeroporto Central, do diretor cearense Karim Aïnouz, e Bixa Travesty, da dupla Claudia Priscilla e Kiko Goifman.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Conhecendo a cosmologia Guarani e Kaiowá




15/02/2018                 10:22




Artigo

Por; Sander Barbosa Pereira


A grande população kaiowá do subgrupo do Guarani do estado de Mato Grosso do Sul ocupa áreas situadas na faixa de fronteiras do nosso país com o Paraguai entre as suas características alimentares tem como base a caça como principal fonte de proteínas, além da prática da agricultura e a pesca.

Segundo  Brand  (1997:  01),  a  população guarani (Kaiowá e Ñandeva) em MS,  “está distribuída em 22 áreas indígenas e é estimada em  25  mil  pessoas”.

Em sua organização social os kaiowá tem uma forte característica de fortalecimento do parentesco com a tradição do fogo doméstico – Che ipyky Kuera que demonstra uma referencia aos parentes mais próximos que caracteriza uma fraternidade entre seus pares.

Além de reunir o patriarca da família, seus filhos e filhas e esposa juntamente com os filhos adotivos (guachos) isso reforça a prática da reciprocidade entre ambos. O fogo doméstico é essencial nestas relações sociais, ou seja, é ponto focal de qualquer relação social.

A parentela Tey ´yi tem como núcleo central um grupo de parentes cognativos.  Segundo Watson (1952: 33) afirma que “a família extensa intimamente relacionada com outros aspectos da cultura kaiowá notadamente como sistema de parentesco, a organização econômica e a arquitetura indígena e a típica unidade de residência, o Tapyi (t do a)”.

Esse grupo de parentela tem a exata noção do sentido do território, neste contexto a parentela tem um esteio o Hi´u, ou seja, a raiz da casa que reúne e aglutina esses grupos de residências sendo eles, atuação econômica, atuação politica.

Watson (1952), Schaden (1974) e Brand (1993, 1997), utilizam o termo “família extensa” para o que denomino parentela.

óg puhu, ogajekutu ou ogapysy é uma referencia a uma grande casa onde as parentelas residiam.
Outro ponto de destaque é referente ao território denominado de Tekoha ou seja Teko – sistema de valores éticos e morais, natureza, já a terminologia Ha indica local.

Tradicionalmente o Tekoha é o centro da organização social dos kaiowá onde residem as maiores parentelas e também os menores grupos, dentro dos Tekoha há a predominância da solidariedade entre os parentes.

 Existindo também certo grau de instabilidade o que de fato é algo que aflora no cotidiano e que ao final acaba fortalecendo suas próprias existências sociais.
Segundo Brand “É entre os fogos que compõe a parentela que continua se dando a estrita reciprocidade Oreva (Brand, 1993:84)”.

Assim oreva esta voltado para o interior da parentela e pavêm como ponto de estabelecimento das relações entre parentelas.

Os princípios ore e  pavêm foram resumidos por Brand na seguinte forma.

Segundo o texto, um corresponde ao tekoha, base social, política e religiosa dos Pãi atuais, que se manifesta nas festas religiosas, nas decisões políticas formais e em caso de conflitos externos ou ameaças vindas do sobrenatural; e outro, corresponde à família extensa (e seus núcleos locais), que se manifesta especialmente nas atividades econômicas, na colaboração nos trabalhos das roças comuns e construção de casas” (Brand, 1993:113-114).[1]

Neste mesmo contexto o autor deste artigo faz a reformulação dos princípios ore e pavêm onde se inspiram na descrição dos dois tipos de cooperação, realizada por Grünberg (1975). O princípio ore está voltado para o interior da parentela e o pavêm voltado para o estabelecimento das relações entre as parentelas que formam um tekoha.

Nota de rodapé


[1] (Brand, 1993:113-114).[1] Esta comparação mostra a real diferença entre as características do Orê e Pavêm

Assim os tekoha tem uma grande dependência do sentido pavêm que consiste na existência dos lideres religiosos e políticos que busca abranger com bastante habilidade outras relações com outros fogos saindo de seu interior único e exclusivo.

Outro ponto muito importante é a questão do modelo de estrutura social, pois a formulação deste modelo causa pensamentos diferentes tais como modelo de estrutura social proposto pelo pesquisador e a realidade social, sua composição procura se guiar pelas categorias que os membros da sociedade empregam para ordenar e significar as relações sociais que estabelecem.

Entretanto Lech define a estrutura  social,  um  termo reconhecidamente  extemporâneo,  é  aqui  entendida  como  uma  construção  lógica  e não como um dado empírico (Leach [1954] 1996: 68-69).
Portanto a estrutura social carrega os valores de ordem parental e religiosos de forma organizada e estruturada, como bem diz este artigo que diz que os sistemas Ore e Pavêm subjazem tanto a ordem morfológica e cosmológica.

Este é o modo de ser e viver do povo Kaiowá seja no seu modo de parentela ou politico e religioso, mantendo suas tradições e costumes apesar da grande adversidade a que estão submetidos atualmente.

Este povo apenas quer voltar aos Tekohá de ocupações tradicionais e cultuar firmemente esta riqueza cultural do nosso estado de Mato Grosso do Sul e do  grande e imenso Brasil.




Sander Barbosa Pereira – Licenciado e Bacharel em Letras – UNIDERP
Pós - graduado em Antropologia e História dos Povos Indígenas - UFMS




Referências

Aguilera Urquiza, Antônio Hilário, Pereira, Levi Marques, Prado, José Henrique, CAPÍTULO IV – Antropologia e Parentesco
Artigo, O território e a organização social kaiowá: inter-relações entre séries sociológicas e séries cosmológicas, Levi Marques Pereira


terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

A relação existente entre os diversos povos Indígenas antes e durante o período colonial

06/02/2018                 10:40


ARTIGO


POR; SANDER BARBOSA PEREIRA




O contexto das diversas populações indígenas antes do período colonial remonta sobre a questão da presença do homem no continente americano e que desperta grandes debates de diversos pesquisadores, cada qual defendendo seus estudos e pesquisas.

Destes podemos citar um destes estudos, de que o ponto de partida para a chegada à América seria pela entrada do estreito de Bering no Alaska e culminando também com a chegada à América do Sul, como bem diz Júlio Cezar Mellati há uma possibilidade de este estudo ter um certo consenso de que o homem não surgiu na América. 

Nos estudos realizados pelos arqueólogos Gilson Rodolfo Martins e Emília Kashimoto, apontam uma área total de oito milhões de quilômetros km²; isto é, essa área é maior que a “União Europeia (quatro milhões e trezentos mil km²)”.

Os primeiros habitantes das Américas provavelmente não teriam uma anatomia próxima à aparência mongólica, a exemplo dos índios em geral e dos esquimós. Para os autores, datações arqueológicas obtidas no Chile, México, Argentina, Brasil, e mesmo no EUA remetem a vestígios primordiais da presença do homem para momentos que segundo estudos da genética das Populações, a anatomia mongólica ainda não existia no espectro da evolução do homem moderno, isto é, anterior a quinze mil anos, o que os pré-historiadores chineses não concordam. Ou seja, a partir daí, após sofisticados estudos de morfologia craniana sobre alguns raríssimos crânios humanos remanescentes do último milênio do período glacial e do Holoceno arcaico, surgiram hipótese de que o perfil anatômico dos primeiros americanos estaria mais próximo do perfil dos aborígenes da Oceania ou, como também, de povos semi-negróides do sudoeste asiático.
 (MARTINS; KASHIMOTO, 2012, p, 19 e 20).

* Nota de rodapé 
  (MARTINS; KASHIMOTO, 2012, p, 19 e 20).  Ambos os pesquisadores apontam para a semelhanças de que os primeiros habitantes tem a aparência mais próxima dos aborígenes da Oceania do que da mongólica.


Dentro das relações de identidades dos diversos povos indígenas a cerâmica destaca-se por ser possível compreender os costumes de armazenagem de produtos, comida e bebida conforme estudos da pesquisadora Anna Rosevelt.

A reflexão que podemos fazer sobre os diversos povos indígenas é de que cada povo tem suas próprias características tanto física como culturais, religiosas, ora são caçadores, coletores, além de serem agricultores, portando suas escritas ou através de gravuras ou traços rupestres em cavernas assim como, entre outros lugares.

No século XV havia outros povos da América que viviam em “tribos confederadas” e em guerra entre si, como era o caso dos povos tupi e havia grupos nômades que não domesticavam animais. (FUNARI, 2011, p, 44).

Estas visões são passiveis de criticas quando se referem à divisão de tarefas dentre esses diversos povos indígenas, onde o homem tem papel central, mas pesquisas mostram que a mulher também exerce diversas atividades e continuam liderando ações politicas e sociais dentro de suas tribos.

Com um patrimônio grandioso os povos indígenas sendo eles do Brasil ou das Américas constituem uma presença cultural fortíssima.

A trajetória histórica do Brasil e do continente americano tem sido contada a partir de uma visão europeia, cujas explicações são diversas e etnocêntricas. Embora sua relevância e contribuição sejam importantes não se deve deixar cegar em relação às outras partes essenciais da nossa formação cultural, histórica e antropológica, como é o de reconhecer a presença indígena no país.
 (FUNARI, 2011, p, 16). 

Cada povo indígena tem sua concepção sobre a criação do mundo e das origens dos povos, Os povos indígenas, portanto, achavam um jeito de designar essas criaturas que não eram animais, mas que não eram como eles, era apenas parecido com eles. 

Então, ao se referirem aos brasileiros não indígenas, usam termos diferenciados; por exemplo, os Tenetehara (povo do Maranhão e Pará) quando queriam se referir aos não indígenas costumavam chamá-los de “Karaiw” ou de “Caraíba”, palavra que aparece entre outros povos de língua tupi desde o século XVI.


* Nota de rodapé
(FUNARI, 2011, p, 16).  Exemplifica a questão do Brasil a partir da visão europeia e a valorização da cultura brasileira assim como os povos indígenas.


Dentro do período da colonização ou do encontro do novo mundo o europeu não se deslumbrou apenas com os povos que aqui já se encontravam, mas também carregavam um grande interesse nas riquezas que porventura poderiam vir dessas explorações.

O contato com os ditos “civilizados” foram de grandes dores e sofrimentos, pois além de usurpar com as riquezas da terra brasilis os colonizadores escravizavam os indígenas.
Desqualificados como seres humanos, vistos como animais sem alma, bárbaros, demônios e seres indômitos; estava justificada não só a necessidade de sua cristianização, como de sua sujeição à civilização redentora do conquistador.

Neste rastro de genocídios contra os povos indígenas muitos tribos criaram confederações para fazer frente aos estrangeiros como forma de se manterem livres do processo de escravidão e opressão a que estavam submetidos.

Os relatos de resistência e servidão indígenas não param por aqui: no México, Francisco Hernández de Córdoba chegou pela primeira vez, em 1517, com uma expedição, cuja finalidade era a captura dos índios; o próprio Hernández de Córdoba regressou a Cuba muito ferido, morrendo logo depois. Nesta região, havia muita resistência por parte dos indígenas, contra os espanhóis. De acordo com Josefina Coll, outro conquistador, o Cortez, chegou a levar cerca de “508 homens, 16 cavalos, 10 canhões e 4 calubrinas muita pólvora e pelotas”, e no conflito, morreram milhares de indígenas. (COOL, 1986, p.22). 

Como bem disse o padre Anchieta a respeito dos Tamoios em seu relato à coroa portuguesa de que esses índios eram a reencarnação do mal, pois não atendia aos interesses portugueses e nem da igreja, os Tamoios assim como os indígenas mexicanos, formaram também uma confederação com povos diversos, com o objetivo único e claro de combater o colonizador.

Tamanho foi o estrago do enfrentamento, que foi decisivo para que os portugueses começassem a pensar em braços escravos africanos para resolver o seu problema de mão-de-obra na Colônia (VIEIRA, 1949).

* Nota de rodapé
 (COOL, 1986, p.22). Através destes relatos mostra em outros cenários a questão da grande violência  contra os povos indígenas em outras partes do mundo.


Destas lutas e resistências podemos citar os Guaicurus que em suas lutas contra os espanhóis na localização do rio da prata, garantiram geograficamente o que é hoje o nosso estado de Mato Grosso do Sul.



Considerações finais


Antes de mais nada, porque o que chamamos genericamente de população indígena refere-se em realidade de mais de 300 povos distintos ao contrário da população antes da chegada do colonizador pois era superior a de nossa atualidade. 
Cada povo com sua organização social, sua língua e seus costumes, suas crenças e suas tradições. 

Além disso, a condição bastante diversa desses povos, alguns vivendo em reservas demarcadas, outros sequer “aldeados”, outros tantos habitando as cercanias de áreas densamente povoadas, outros com baixo nível de contato com a população não indígena. 

Encontram – se hoje afetados diretamente em suas necessidades, prioridades e demandas com séculos de colonização, expropriação e extermínio desses povos, substituíram no imaginário popular o índio real por uma figura mitológica e caricata ou ora próxima ao bom selvagem rousseauniano, ora remetendo ao ser “incivilizado e perigoso”.



Sander Barbosa Pereira – Licenciado e Bacharel em Letras – UNIDERP
Pós - graduado em Antropologia e História dos Povos Indígenas - UFMS




Referências


MUSSI, Vanderléia Paes Leite. História dos Povos indígenas, ed. Ufms: 2014: Campo Grande – MS.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Representações Sobre os Povos Indígenas



31/01/2018                        14:50


Artigo


Por;   Sander Barbosa Pereira



O processo de dominação ainda persiste na forma da colonialidade muito mais do que o colonialismo, mesmo o nosso país já contar com a idade de 516 anos o pensamento eurocêntrico continua vivo e forte no imaginário da maior parte da nossa população brasileira.

E o grande desafio é superar o etnocentrismo ainda que, este estranhamento de uma cultura por razão de outra ainda seja muito forte, pois as representações sobre os povos indígenas ainda é fortemente distorcida do ponto de vista histórico e carece também de um grande entendimento e aprofundamento sobre a realidade indígena em todos os contextos sociais.

No Brasil vários preconceitos foram construídos (inventados) no bojo do projeto colonial, estes se solidificaram com as representações errôneas sobre os povos indígenas, o qual marcou por muito tempo a historiografia ocidental e, particularmente, a brasileira (TROQUEZ, 2005).

Podemos perceber que o modelo eurocêntrico ainda resiste e persiste em pleno século 21, apesar dos avanços das leis vigentes em nosso país e das garantias conquistadas nos artigos da carta magna.

Ao analisarmos o desenho do pequeno Arthur feito no ano de 2014, percebemos o quanto ainda precisamos avançar para superar as representações e estereótipos direcionadas aos povos indígenas em nosso estado de Mato Grosso do Sul e quiçá no Brasil.

Em sala de aula essas representações repassadas aos alunos carecem de maiores informes e aprofundamentos da realidade entre o Índio do passado e o Indígena da atualidade. 

Mesmo com leis avançadíssimas como a 11.645/2008 que substituiu a 10.639/2003, LDBEN 9394/1996, temos ainda os Parâmetros curriculares Nacionais – PCN, que propicia abertura para os temas verticais e transversais que são fortes instrumentos para superar essas representações negativas aos primeiros habitantes desta terra. 

Entendemos que os livros didáticos ainda são uma realidade nas escolas do nosso país e que de fato não mostra a verdadeira realidade destes povos e é importante que os próprios estudantes entendam isso para que possam interagir respeitosamente com toda essa gama de diversidade cultural no Brasil.

Na relação entre professor, conhecimento e aluno sempre existirão a possibilidade de apreensão da dissonância causada pelo estereotipo das representações e de sua correção através de atividades critico-criativas amparadas pelas leis citadas acima.

Penso que corrigir o estigma da desigualdade atribuído às diferenças constitui-se em tarefa de todos, tenho a consciência de que já são numerosos os que contribuem para atingir esses objetivos.

As academias tem hoje um papel fundamental no preparo de professores e a  certeza de que os tempos atuais são propícios para alavancar essas mudanças de forma estrutural.  

Podemos acreditar que é possível fortalecer a formação do professor de ensino fundamental, no sentido de utilizar de forma critica o tão falado livro didático, transformando esse livro em um instrumento gerador de consciência critica por parte dos alunos que iniciam sua jornada na busca de conhecimentos. 

Nota de rodapé


 A citação de (TROQUEZ, 2005) foi colocada para reforçar a argumentação de que esse processo das representações e estereótipos perdura desde o tempo da colonização e resiste até os nossos tempos atuais.





Referências

CALDERONI, Valéria. A.M.O. Desconstruindo Preconceitos sobre os Povos Indígenas, Campo Grande – MS, Maio/2016

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Guarani e Kaiowá: pelo direito de viver no Tekohá

30/01/2018                         13:40




Por; Sanders Barbosa








Em 2017, a Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas completou 10 anos.

Este marco relembra a importância dos povos indígenas na formação e riqueza da sociedade e como eles são ameaçados.

No Brasil, no ano de 1500, a população de indígenas era de 8 milhões; hoje, em 2017, eles são cerca de 900 mil.

No Mato Grosso do Sul, centro-oeste do país, a situação territorial é dramática e provoca uma série de abusos de direitos humanos, que afetam principalmente os guarani e kaiowá.


Para contar um pouco sobre a situação dessas populações, o Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) visitou a Reserva Indígena de Dourados e diversas aldeias do estado de Mato Grosso do Sul.


Foram mais de mil quilômetros percorridos durante cinco dias para a produção do documentário “Guarani e Kaiowá: Pelo direito de viver no Tekoha”



Fonte: ONU - Organização das Nações Unidas

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Línguas Indígenas no Brasil e perdas culturais

29/01/2018                                12:20




Artigo


Por, Sander Barbosa Pereira


Antes da chegada do colonizador ao nosso continente, tínhamos uma população indígenas estimada em 5 milhões, falantes de mais de 1200 línguas, depois do contato o resultado que se segue podemos avaliar como dramático e nefasto ao mesmo tempo. 

Pois ao colonizador o mais importante era explorar ao máximo essa colônia ainda inexplorada e levar todas as riquezas para a Europa, dentro desse contexto os habitantes naturais dessas terras os indígenas, iriam pagar um preço muito alto.

 Milhares de vidas ceifadas no que caracterizou – se um dos maiores genocídios das expedições colonizadoras europeias.
Esse preço, 514 anos depois, em pleno século XXI, ainda estamos sentindo esses efeitos devastadores que não cessaram ainda mesmo com os avanços conquistados com a constituição federal de 1988. 

Entendemos o quanto da nossa história se perdeu para sempre sem deixar vestígios ou relatos dessa grande riqueza cultural e também um grandioso patrimônio linguístico.

Essas línguas desapareceram sem deixar vestígios. 
                                                     Provavelmente algumas famílias linguísticas inteiras deixaram de       existir (RODRIGUES, 1999).

Estamos vivendo tempos difíceis em nossa atualidade com centenas de povos indígenas e suas línguas em riscos de extinção, agravados por fatores como a diminuição de membros de determinadas etnias que são falantes do idioma e que não tem a perspectiva de fazer a interação com outros do seu grupo linguístico originário.

Dessa forma uma língua tem um processo real de extinção também pela situação em que ocorre a redução de pessoas de um determinado grupo étnico. 

Em nosso pais sabemos que existem tribos que outrora durante a colonização tinha um contingente considerável e que atualmente em alguns casos mais graves conta apenas com 70 pessoas ou menos e com pouquíssimos indivíduos falando a língua fluentemente.

Podemos citar aqui em nosso estado de Mato Grosso do Sul a situação gravíssima do povo Ofayé na região de Brasilândia, com risco cada vez mais iminente de desaparecer para sempre essa riqueza linguística.

Segundo estudos realizados o quantitativo de uma língua falada tem como parâmetro a marca de 100 mil falantes e abaixo desse índice já corre um risco de avaliação nesse processo de extinção linguística, isso é realmente muito preocupante e precisa urgentemente de maiores atenções das sociedades nacionais e internacionais e com maior responsabilidade da academia.

Em meio a essa diversidade, apenas 11 línguas têm acima de cinco mil falantes: 
    Baniwa, Guajajara, Kaingang, Kayapó, Makuxi, Sateré-mawé, Terena, Ticuna, Xavante, Yanomami e Guarani.  
Em contrapartida, cerca de 110 línguas contam com menos de 400 falantes (SEKI, 1999). 
As demais são línguas em adiantado processo de extinção.  São línguas obsolescentes. Não são faladas cotidianamente por falta de interlocutores. Estão guardadas na mente de pessoas mais idosas que raramente têm oportunidade de usá-las (LUCIANO, 2006).

Essas línguas tem um papel fundamental na manutenção da cultura assim como também exerce papel de grande importância na autoestima desses povos.

Dessa forma urge uma necessidade de buscar a preservação deste imenso patrimônio da humanidade. Atualmente os avanços tecnológicos tem tido um papel bastante animador com vistas e objetivos realmente comprometidos com a questão de não deixar extinguir as línguas destes povos, tendo em vista que grandes partes das línguas indígenas estão em processos muito perigosos de desaparecerem num curto espaço de tempo.

Neste contexto o nosso país o Brasil tem se destacado nesta luta gigantesca, pois existe uma gama de projeto trabalhando neste sentido e dos projetos que reforça esta luta esta a LDB – lei de diretrizes e bases da educação que reforça esse compromisso com a introdução do ensino bilíngue, ainda que de forma bastante lenta, pois esta lei tenta furar o bloqueio ainda do sistema de educação bastante conservador da nossa sociedade envolvente. 

Hoje temos um grande desafio de como contornar esse problema da questão da extinção das línguas em nosso país, pois sabemos que o tempo esta correndo contra nós e precisamos preparar e estruturar pesquisadores e projetos para esta árdua missão.


As tarefas que têm hoje os linguistas brasileiros de documentar, analisar, comparar e tentar reconstruir a história filogenética das línguas sobreviventes é, portanto, uma tarefa de caráter urgente urgentíssimo. Muito conhecimento sobre as línguas e sobre as implicações de sua originalidade para o melhor entendimento da capacidade humana de produzir línguas e de comunicar-se ficará perdido para sempre com cada língua indígena que deixa de ser falada. (RODRIGUES, 1999).

Temos toda a capacidade hoje de resgatar os anciões indígenas outrora também esquecidos e que carregam uma riqueza dentro de si e de fato são um poderoso referencial linguístico que pode estar interagindo não somente internamente com familiares, mas também com outros parentes do mesmo grupo étnico, propiciando ainda o estudo da grafia e do sistema do tronco linguístico, culminando com uma gramatica rica.

Fortalecimento das políticas públicas que garantam escolas com ensino bilíngue e intercultural nas comunidades indígenas, com produção de material pedagógico voltados para a prática da pronunciação e conversação. 

As futuras gerações com certeza estarão agradecidas com a preservação e valorização do legado de seus antepassados, assim poderão usufruir desta herança e continuar a manter viva a chama da cultura indígena com suas diversidades culturais e traços físicos característicos de um povo que já esta resistindo por mais de 514 anos e com certeza querem viver por mais longos séculos.



Sander Barbosa Pereira – Licenciado e Bacharel em Letras – UNIDERP
Pós - graduado em Antropologia e História dos Povos Indígenas - UFMS




Referências

SOUZA, Ilda, Ferreira, Rogério Vicente ed. Uma breve reflexão sobre a diversidades linguísticas e os povos indígenas do Pantanal, Ufms: 2014: Campo Grande – MS.

MOORE, Denny. ; GABAS, N.. O Futuro das Línguas Indígenas Brasileiras.  In: Louis Forline; Ima Vieira; Rui Murrieta.  (Org.). Amazônia além dos 500 Anos. Belém: Museu Paraense Emílio Goeldi, 2006, v., p. 433-454.

sábado, 27 de janeiro de 2018

A dramática situação das lutas por terras e demarcações em Mato Grosso do Sul


27/01/2018                                15:00




Por;  Sanders  Barbosa





No sul do Mato Grosso do Sul, quase fronteira com o Paraguai, indígenas e produtores rurais disputam a posse da terra. 

Num clima tenso, sobram confrontos, despejos, ataques e até mortes. O conflito vem de séculos, provocado por erros do próprio Estado brasileiro. 

Agora, os dois lados exigem solução urgente. A disputa já se transforma numa tragédia de grandes proporções.

O documentário revela os bastidores do drama sofrido por indígenas e produtores rurais na luta pela terra.


Edição e Finalização: Guem Takenouchi 


FICHA TÉCNICA

Direção e Roteiro: Dulce Queiroz
Imagens: Cícero Bezerra 
Produção: João Gollo e Lia Tavares 
Trilha original: Alberto Valerio, Eurípedes Martins, Sascha Kratzer e Rafael Maklon; 


Arte: Pedro Mafra  
Áudio: Misael do Rosário 
Produção-Executiva: Getsemane Silva










segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Partido Democrático Trabalhista - PDT/MS criará Setorial para tratar das questões Indígenas do estado

22/01/2018                              16: 00




Por; Sanders Barbosa




Em reunião com duas importantes lideranças Indígenas do PDT, o deputado federal Dagoberto Nogueira sinalizou como um grande passo para organizar a questão Indígena do Mato Grosso do Sul.

Nesta reunião disse ainda que todas as demandas dos povos Indígenas serão encaminhadas através desses esforços tanto do Setorial quanto de parlamentares para que as comunidades tanto da capital Campo Grande e interior do estado se sintam prestigiadas e valorizadas por esse trabalho em conjunto.

Deputado Federal Dagoberto Nogueira, Eduardo Kaiowá e Sanders Barbosa





Em sua  fala enalteceu o trabalho do Indígena Eduardo Kaiowá pela luta em prol da causa deste segmento e que o partido dará todas as condições para que o setorial alcance todos  os objetivos no que tange as demandas, organizações e filiações de outros indígenas ao partido.

Para Sanders Barbosa a grande tarefa do Setorial Indígena será fazer a interlocução junto ás autoridades com a participação dos parlamentares do PDT no intuito de levar respostas as solicitações da população Indígena.

Já Eduardo Kaiowá reforçou que em nossa capital temos 03 Aldeias em contexto urbano e 01 na área rural, contando ainda com 05 assentamentos Indígenas irregulares espalhados por Campo Grande e uma população em torno de 11.000 Índios. 

E sendo o 2º estado da federação em população Indígena do Brasil com números oscilando em torno de 75.000 a 85.000 Indígenas. 

sábado, 20 de janeiro de 2018

Nativa Americana e destaque na politica anuncia lançamento de candidatura ao governo de Idaho

20/01/2018                                      17: 17


Texto original de: Emily Schwing



Tradução por;  Sanders  Barbosa

Paulette Jordan é politica e nativa americana do norte de Idaho, estará concorrendo para governador em seu estado natal em 2018.

Jordan é uma democrata, anunciou sua candidatura na festa de aniversário de Moscow em Idaho nesta quinta – feira. Ela é representante da tribo Coeur D`alene .

Esta no seu segundo mandato na legislatura estadual, graduada pela  universidade de Washington, Jordan é profundamente envolvida em causas civis por muitos anos.

Paulette Jordan candidata ao governo do estado de Idaho
“ Quando você se levanta por Idaho, é um sentimento mutuo  “ diz.  “  Vejo tudo isso do fundo do meu coração e reflito” se estou levantando por Idaho é porque  conheço Idaho e sofro por Idaho.

Conquistar o governo será o melhor caminho para impactar as vidas das pessoas e um meio de servir e se dedicar.

Jordan reúne multidões na corrida sucessória do atual governador republicano Butch Otter que não tentará a reeleição após três mandatos.


 
Entre uma dúzia de outros candidatos que se declaram, apenas dois são  mulheres.
Jordan estará frente a frente com o homem de negócios A.J Balukoff nas primárias democratas.

O ultimo democrata a vencer a disputa ao governo num estado predominantemente republicano foi Cecil Andrus em 1990.

Jordan se eleita, será a primeira governadora nativa americana dos estados unidos da américa  e também será a primeira a se eleger governadora por Idaho.   


·         Obs: Moscow, cidade ao norte de Idaho,  localizada no condado de Latah

       Fonte: KNKX     http://knkx.org/