quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Perícia desmonta versão de fazendeiro que assassinou adolescente guarani em Caarapó

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27/02/2013        19:00

  Pio Redondo


 A perícia da Polícia Civil de Dourados já concluiu a sua apuração técnica da morte do adolescente guarani-kaiowa, Denílson Barbosa, de 15 anos, assassinado pelo réu confesso, o fazendeiro Orlandino Carneiro Gonçalves, à delegada que conduz a investigação, Magali Leite Cordeiro. 

Denilson foi executado com tiro de carabina 22, no último dia 19, num açude dentro das terras do fazendeiro, quando pescava com dois outros indígenas, um de 17 anos e outro de apenas 11 anos, num açude dentro da fazenda de Orlandino. 


  O fato do fazendeiro ter alegado que disparou e atingiu o adolescente “por acaso”está caindo por terra.

Orlandino declarou à Policia Civil que disparou um tiro de alerta, de longe, cerca de 50 metros, à noite, para assustar os meninos, tendo atingido o ouvido de Denilson acidentalmente. 

 A delegada de Dourados responsável pelo inquérito contesta a versão do de Orlandino.“É possível ele de ter atirado da sede em direção ao açude. No entanto, é preciso observar o fato do menor ter sido atingido à noite, a metros de distância, em um disparo certeiro, que poderia ser apontado como de extrema sorte. Mas tudo será investigado”, declarou Magali Cordeiro. 

 Outro ponto de interrogação do inquérito policial, reforçado pelo trabalho da perícia, é quanto à versão de Orlandino, de que teria agido sozinho. Os outros dois menoresque pescavam junto com o Denilson falam em três pessoas – Orlandino e mais dois jagunços, um deles falando em idioma guarani, que disse “mata, mata”. Para o delegado regional da Polícia Civil de Dourados, Antônio Carlos Videira, a perícia coloca dúvidas claras sobre as afirmações do fazendeiro.

 “O laudo aponta que é preciso esclarecer como ele conseguiu, sozinho, colocar a vítima na carriola, e carregá-la até a camionete”, afirmou odelegado regional, questionando a própria versão do fazendeiro, de que teria prestado socorro à vítima. O fazendeiro ainda afirmou ter socorrido o garoto em sua camionete, mas depois de encontrar um grupo numa estrada vicinal de terra, abandonou o adolescente, ainda com vida, segundo ele, achando que fossem índios que se aproximavam.

 “Ele alega que seguia para socorrer a vítima e parou ao se sentir ameaçado após avistar um grupo que pensou ser de indígenas, e resolveu deixar o menor na beira da estrada. Mas o intervalo de tempo nisso tudo é questionável, porque era noite, e para enxergar o grupo que ele alega ter visto, ele teria apenas a luz do farol da caminhonete como referência, o que faz com que proximidade desses indígenas fosse curta demais para que desse tempo dele parar o carro, deixar o menor na estrada, e fugir. Isso também questiona uma ação solitária”, garante o delegado Videira.

 Os índios que ocuparam a fazenda de Orlandino, sobre a qual alegam posse, permanecem na área. Boatos na cidade indicam que os outros dois índios teriam sido colocados no Sistema Nacional de Proteção à Vítimas e Testemunhas Ameaçadas, programa da Subsecretaria de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos (SPDDH) do governo federal.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Fazendeiro confessa ter assassinado adolescente indígena em Caarapó

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21/02/2013   09:13

Viviane Oliveira


                 O adolescente foi encontrado morto com um tiro na cabeça. (Foto: Sidnei Bronka) 

 O Fazendeiro Orlandino Carneiro Gonçalves, de 61 anos, confessou ter atirado no adolescente guarani-kaiowá, de 15 anos, Denílson Barbosa. O Corpo do jovem, morador da aldeia tey’ikue, em Caarapó, cidade distante 283 quilômetros de Campo Grande, foi encontrado no último domingo (17), em uma estrada vicinal que separa a aldeia de algumas fazendas.

 Segundo o delegado regional de Dourados, Antônio Carlos Videira, o proprietário da fazenda Sardinha se apresentou ontem (19) à noite na delegacia de Caarapó e confessou o crime. Durante depoimento, o fazendeiro informou que estava só na propriedade quando ouviu os latidos dos cachorros, que correram para a área da lagoa. 

Ao perceber o movimento, Orlandino disse ter disparado dois tiros. Para a Polícia, o fazendeiro contou que quando se aproximou da lagoa percebeu que alguém estava ferido. Então ele pegou o garoto, colocou dentro do carro e diz que tentou levá-lo até Caarapó. 

 No caminho, ele conta que imaginou que estava sendo seguido por um grupo de indígenas e por isso alega ter abandonado o corpo do adolescente na estrada. "Ele deu a versão dele. Agora vamos ouvir outras testemunhas e apurar as circunstâncias do crime", disse o delegado. Conforme Antônio Carlos, o fazendeiro que prestou depoimento acompanhado da advogada, Sueli Silva, foi liberado logo em seguida. 

 A delegada responsável pelo inquérito policial instaurado para apurar o caso, Magali Leite Cordeiro, esteve na manhã de hoje (20) na reserva, acompanhada por investigadores da Polícia Civil e representantes da Funai (Fundação Nacional do Índio) e apreendeu uma arma de propriedade do fazendeiro.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Guaranis Kaiowás ocupam fazenda e tentam linchar fazendeiro depois de assassinato de jovem


19/02/2013       16:52 

Pio Redondo 

 Depois de terem ido pescar em terras que consideram suas, no açude dentro da fazenda Sardinha, no município de Caarapó, três meninos Guaranis Kaiowás da aldeia Tey'ikue foram perseguidos e o mais velho deles, Denílson Barbosa, de apenas 15 anos, foi executado por jagunços com três tiros à queima-roupa.

 O assassinato ocorreu no último sábado (16), e o corpo do menino foi abandonado em uma estrada de terra do local. Como Denílson era filho do cacique Wilson Quevedo Barbosa, que lidera uma grande família kaiowá, a reação foi instantânea. Em consequência do crime, cerca de 300 índios da etnia invadiram a fazenda Sardinha, para sepultar o adolescente, no momento em que o fazendeiro Orlandino Carneiro Gonçalves retirava o gado e móveis. 

 Por temer linchamento, Orlandino fugiu da fazenda, que agora está em poder dos indígenas. Ontem, a Força Nacional e a Polícia Federal estiveram no local do conflito, mas se retiraram alegando falta de autonomia para agir, depois da ocupação, mesmo com a possibilidade de confrontos. Entrevistada pela reportagem, a liderança indígena Valdelice Veron contou que os três jovens pescavam no córrego Mbope'i quando foram perseguidos por três jagunços. Segundo ela, Denílson foi vitimado com dois tiros na cabeça e um no pescoço depois que se enroscou em uma cerca de arame farpado durante a fuga, e foi detido pelos jagunços. Os indígenas acreditam que o menor tenha sido torturado e depois assassinado pelos seguranças da fazenda, porque, segundo eles, o seu corpo tem vários sinais de espancamento. 

O corpo ficou no local do crime até a chegada da Polícia Civil. Valdelice conta que os índios costumam pescar na área porque ali está o único riacho da região da reserva José Bonifácio, onde moram. Os guaranis kaiowás também frequentam a área para extrair ervas usadas na fabricação de medicamentos. 

 “O lugar pertence ao povo indígena, que tem água no rio, açude, e sempre tiveram acesso. Cinco anos atrás eles não deixaram mais índio entrar e pescar. Seu Orlandino, não tem escritura, mas não deixava mais entrar”, relatou a liderança. A líder guarani contou a versão de que uma parte da reserva, ainda à época do Serviço de Proteção do Índio(SPI)foi vendida por um ex-funcionário ao fazendeiro, razão da disputa até hoje. 

 Segundo a líder indígena, os índios se revoltaram com a fim de uma trégua firmada entre o governo federal, as lideranças guaranis kaiowás e a Famassul, firmada no dia 26 de novembro, na presença do secretário Nacional de Articulação Social, Paulo Maldos. A trégua previa fim das invasões e da violência contra os índios até que a Funai concluísse os levantamentos sobre a origem da fazenda e sua possível demarcação, com indenização.


 



 O Conselho da Aty Guasu Guarani e Kaiowá emitiu nota depois do crime

  “Infelizmente, é com muito pesar, nós conselho da Aty Guasu guarani e Kaiowá, vimos a todos (as) AUTORIDADES E CIDADÃOS DO BRASIL E DO MUNDO comunicar que ontem um grupo indígenas Guarani-Kaiowá foram atacados e violentados pelos pistoleiros das fazendas da região de Caarapó-MS. 

Um adolescente foi assassinado a tiro-bala pelos homens das fazendas, localizada próxima da Reserva/Aldeia Tey'ikue/Caarapo, município de Caarapó-MS. Hoje (18/02/2013) mais de duas centenas de Guarani-Kaiowá enterraram o corpo do menino no local em que foi assassinado. Esse lugar é terra Guarani-Kaiowá tradicional reivindicada pelos indígenas que está em estudo antropológico, há anos. 

Diante do fato de violência antiga contra as vidas dos indígenas Guarani-Kaiowá, hoje à tarde, mais de 200 Guarani-Kaiowá tentam reocupar o tekoha e permanecerem no lugar, fazendo protesto contra as violências contra as vidas Guarani e Kaiowá, pedindo a JUSTIÇA. Está tenso no local em que começou o protesto passivo dos Guarani e Kaiowá. 

Os agentes da PF e FUNAI foram no local ontem e hoje. Por fim, mais uma vez, solicitamos a investigação do fato pela Polícia Federal e pedimos a presença permanente de seguranças federais no local. A comunidade Guarani e Kaiowá já decidiu em permanecer em protesto nesse tekohaguasu onde foi assassinado o menino Kaiowá.

 Entorno de tekoha reocupada em protesto já começou movimento dos pistoleiros. O risco de ataque dos pistoleiros é iminente”. 

 Amanhã, retornaremos a comunicar a todos (as). 

 TekohaGuasu Guarani e Kaiowá, 18 de fevereiro de 2013.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

ÍNDIGENAS SE REUNEM PARA REATIVAR O CONSELHO DE SAÚDE INDIGENA DE CAMPO GRANDE -MS

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14/02/2013      11:59

Por; Sander Barbosa Pereira

 Agora de manhã exatamente as 08:30 estiveram reunidos no Pólo Base de saude ìndigena representantes de entidades e lideranças índigenas de Campo grande para tratar sobre a reativação do Conselho de Saude indigena.


Dentro das discussões o ponto mais importante foi o de readequar o estatuto (regimento interno) para posteriormente lançar edital de convocação para eleição de escolha do presidente e demais membros.

 Estiveram presentes: Eduardo Kaiowá, Nito Nelson cacique da comunidade indigena Água bonita, elcio terena, Alicinda Terena presidente do CMDDI/CG, Drº Wilson capistrano da COPAI/OAB/MS, Aguinaldo, Pedro da Secretaria Especial Saúde Indígena, Ruth secretaria do CMDDI/CG, Silvana terena e Sander Barbosa Pereira.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

PF envia agentes para fazenda invadida por índios Terena

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07/02/2013            09:50

 Francisco Júnior

 A área já havia sido invadida em 2011.
A área já havia sido invadida em 2011. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)
                                      (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

 A Polícia Federal enviou nesta manhã (7) agentes para a fazenda Querência São José, em Dois Irmãos do Buriti, invadida por índios da etnia Terena. 

Servidores da Funai (Fundação Nacional do Índio) acompanham os policiais. De acordo com informações recebidas pela Funai, hoje de manhã aconteceu um tiroteio no local. Não há informações sobre feridos. 

 A assessoria de imprensa da PF informou que os agentes estão indo ao local como observadores e apurar a situação. O número de policiais enviados para área não foi informado. A propriedade de 300 hectares fica distante cerca de 100 quilômetros de Campo Grande. A fazenda de propriedade de Lurdes Bacha, 80 anos foi invadida na noite da última terça-feira. 

 Os indígenas estavam acampados na fazenda 3R, que também é da família Bacha, e passou para a fazenda vizinha. A 3R pertence ao ex-deputado estadual e ex-secretário de Fazenda Ricardo Bacha, que acompanha a movimentação no local. 

 Em entrevista ao Campo Grande News, Paulo Bacha, 59 anos, filho da proprietária Lurdes Bacha disse que o clima é tenso na região e sua família tem ganho o direito de propriedade na Justiça e os índios querem criar um fato. 

 Em 2011, cerca de mil índios armados com arcos e flechas invadiram a fazenda 3R e acamparam na divisa com a fazenda Buriti. Os Terena reivindicam 17 mil hectares na região.

 Já existe relatórios declarando a terra como indígena, mas a posse ainda não foi dada aos índios.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

MPF recomenda à Sema que não libere mineração de ouro no Xingu, PA

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05/02/2013            11:30

Do G1 PA

 MPF afirma que não foram feitos estudos de impacto e consulta a indígenas. Belo Sun Mineração diz que se trata da maior mina de ouro do Brasil. 



 Barragem construída pela Norte Energia corta Rio Xingu, na região de Altamira, no Pará. (Foto: Divulgação/Greenpeace/Marizilda Cruppe)Barragem construída pela Norte Energia corta Rio Xingu, na região de Altamira, no Pará.


                             (Foto: Divulgação/Greenpeace/Marizilda Cruppe) 

  O Ministério Público Federal (MPF) enviou esta semana duas recomendações à Secretaria de Meio Ambiente do Pará (Sema) para alertar sobre a irregularidade da concessão de licença prévia para o projeto de extração de ouro Belo Sun Mineração no atual estágio do licenciamento.

 Segundo o MPF/PA, o empreendimento pediu licença para extrair ouro na volta grande do rio Xingu, mesmo local em que o rio está sendo desviado pelas obras da usina de Belo Monte, em Altamira. O MPF recomendou ao secretário José Alberto da Silva Colares que nenhuma licença seja concedida enquanto não forem feitos estudos de impacto e consultas aos povos indígenas. 

E também que é indispensável uma avaliação dos impactos da mineração acumulados com os impactos da usina, antes de atestar a viabilidade do projeto de mineração. De acordo com o projeto da Belo Sun, trata-se da maior mina de ouro do Brasil, com previsão de exploração durante 12 anos. A mina está quase 100% dentro da área de impacto de Belo Monte e, de acordo com o parecer da Fundação Nacional do Índio (Funai), deve potencializar e agravar os impactos da usina.

 Para o MPF, o direito constitucional dos indígenas à consulta prévia, livre e informada precisa ser respeitado antes de qualquer licença. 

 Rio Xingu, no Pará, vai abrigar hidrelétrica de Belo Monte, prevista para ser a segunda maior do país em capacidade.
  (Foto: Mariana Oliveira / G1)
 Rio Xingu, no Pará, vai abrigar hidrelétrica de Belo Monte, prevista para ser a segunda maior do país em capacidade. (Foto: Mariana Oliveira / G1)
 Rio Xingu, no Pará, vai abrigar hidrelétrica de Belo Monte, prevista para ser a segunda maior do país em capacidade. (Foto: Mariana Oliveira / G1) 


 A outra recomendação trata da fragilidade da região da volta grande do Xingu, impactada por Belo Monte. A dimensão dos danos causados pela usina seria de tamanha importância que nem o Ibama teria sido capaz de dimensioná-los durante o licenciamento. 

“Reconhecendo a impossibilidade de prognóstico seguro sobre o que virá a ser a volta grande do Xingu, o Ibama impôs a necessidade de um rigoroso monitoramento por seis anos”, relata a recomendação do MPF. 

 Durante a audiência pública, ocorrida em janeiro deste ano em Vitória do Xingu, no sudoeste paraense, que discutiu o projeto da Belo Sun Mineração, representantes da empresa afirmaram diversas vezes que as operações de extração de ouro “não interferem com a vazão do rio Xingu” ou que “não temos nenhuma influência nisso”.

 Para o MPF, o secretário do meio ambiente do Pará não pode aceitar as afirmações como verdade e devem ser feitos estudos detalhados para dimensionar os impactos acumulados dos dois empreendimentos.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

TERRA DOS ÍNDIOS

04/02/2013      15:13


Um filme do Cineasta Zelito Viana


Por, Sander Barbosa Pereira 

Depoimentos rarissímos do grande lider indigena guarani, Marçal de souza tupã.   Onde ele próprio relata as sua preocupações futuras tendo em vista o advento do nascimento de novas lideranças que continuarão esta luta insana em busca dos territórios de ocupação tradicional aqui no Mato grosso do Sul.
Marçal neste filme relata ainda seu sofrimento, fala do seu espancamento na aldeia de Dourados onde fora expulso e tendo sua moradia  e local de trabalho destruidos. 

Dentro deste grandioso filme temos ainda depoimentos de Angelo Kretã kaingang em sua luta pela retomada de seus territórios no Rio Grande do Sul e também de Mario Juruna da etnia Xavante que anos depois se tornaria deputado federal pelo estado do Rio de janeiro.

 Este filme continua atual, pois com o passar dos tempos a luta parece cada vez mais desigual e as lideranças continuam em suas buscas frenéticas e insanas pelos seus direitos nos tempos atuais.

 Este filme resgata de forma verdadeira a memória daqueles que tombaram e derramaram seu sangue na terra que sempre lhes perteceram e que tornou-se motivos de genocidios e exterminios de grandes populações indigenas por esse Brasil afora.

 Como bem disse  Zelito Viana, " apesar de séculos de violência e opressão os índios continuam firme em seus propósitos de levar adiante suas heranças ancestrais as futuras gerações que continuarão sendo índigenas eternamente ".


Confira o video abaixo e faça suas reflexões!!!!