segunda-feira, 30 de abril de 2012

TV Brasil Pantanal exibe documentário sobre aldeias urbanas de Campo Grande

Imprimir esta págrina

 30/04/2012         21:00

 Karina Lima


 Divulgação Campo Grande (MS)



 Nesta segunda-feira (30) a TV Brasil Pantanal exibe o documentário “Aldeia Urbana”, que retrata parte do cotidiano das comunidades indígenas de Campo Grande. O programa será exibido às 19h30, com reprise no dia 4 de maio, sexta-feira, também às 19h30. 

 Mato Grosso do Sul tem a segunda maior população indígena do País, com mais de 70 mil índios. Em busca de melhores condições de vida, muitas famílias deixam as aldeias e se mudam para a cidade. A estimativa é que em Campo Grande vivam atualmente mais de 10 mil índios de diversas etnias.

 Para entender melhor como vivem as essas famílias indígenas, uma equipe da TV Brasil Pantanal visitou três aldeias urbanas: Marçal de Souza, Darcy Ribeiro e Água Bonita, além do loteamento no bairro Noroeste. Foram ouvidos, ainda, alguns indígenas que residem em outros bairros, professores e historiadores de Campo Grande. A Marçal de Souza foi a primeira Aldeia Urbana do País, conquistada depois de muita luta dos índios terena. Quem relembra a história é Enir Bezerra, cacique da Aldeia. 

Ela conta as dificuldades enfrentadas pelos moradores até hoje, principalmente para se inserirem no mercado de trabalho. “Os índios não estão preparados para morar na cidade”, declara Enir Bezerra, a primeira cacique mulher do Estado. Por outro lado, uma grande conquista das famílias da Marçal de Souza foi a criação de uma escola com educação diferenciada, com o ensino da cultura e da língua terena.

 No especial foram ouvidos os professores e a diretora da Escola Sulivan Silvestre de Oliveira. “Neste mundo globalizado não tem mais como o índio viver isolado. O papel da escola é valorizar a cultura deste povo e ajudá-lo a viver na cidade, sem perder as suas raízes”, afirma Itamar Jorge Pereira, professor da língua terena. 

 O especial tem a trilha sonora do primeiro grupo de rap indígena do País, o Brô MC's, de Dourados. A reportagem é da jornalista Lucilene Bigatão, com imagens de Márcio Acunha, produção de Luciene Tanno e edição de Carlos Dielh. 

A primeira exibição de “Aldeia Urbana” será no dia 30 de abril, às 19h30, com reprise no dia 4 de maio (sexta-feira) também às 19h30, pela TV Brasil Pantanal, Canal 4 (TV aberta) e pelo canal 15 na NET. Aldeia Urbana Exibição: 30 de abril – 19h30 Reprise: 04 de maio – 9h30 TV Brasil Pantanal – Canal 4 (TV aberta) - Canal 15 na NET

sábado, 28 de abril de 2012

III semana do índio promovida pela COPAI/OAB/MS encerrou hoje

Imprimir esta págrina

28/04/2012                   15:47

por, Sander Barbosa Pereira


Neste ultimo dia da III semana do índio os debates continuaram no ritmo dos dias anteriores, carregados de muita energia e com certa dose de emoção por parte dos palestrantes, dentro deste contexto a professora de direito internacional senhora Ana Paula em sua palestra falou da existência dos tratados e convenções internacionais e entre elas a 169 da OIT - organização internacional do trabalho, reforçou que estes mecanismos devem ser respeitados e vivenciados na sua essência, pois isso garante os princípios da Universalidade.

Profª Ana aula

Citou uma frase que reflete este momento atual das questões indígenas que diz : " para conhecer o outro e respeitar às diferanças é preciso vestir a pele do outro ".

Representando a FUNAI - fundação nacional do índio senhora Beatriz, fez um relato sobre o papel da funai, falando das recentes e antigas práticas e transformações ao longo dos tempos na defesa dos índios, enfatizou ainda as dificuldades de ações que as vezes são barradas por questões estruturais ou técnicas.

Ana Beatriz -  FUNAI/CG

Finalizou reforçando  que os sucessos que podem ocorrer depende em muito de um arco de parcerias com outras instituições ou seja, as somas de esforços.

Em tempo temos qne  destacar as pessoas que fizeram a tradução da linguagem de sinais - LIBRAS durante os três dias e que isso também foi um dos momentos de muita emoção.


Profª Shirley - linguagem de sinais - LIBRAS

Ao final do evento o Drº Marcus Ruiz fez a leitura da carta da III semana do índio a qual será encaminhada aos orgãos competentes.


Drº Marcus Ruiz - fazendo a leitura da carta


 Na sequência a Drª Samia agradeceu muito aos presentes nestes (03) três dias assim como os memros da COPAI e a diretora do Museu da Cultura indígena senhora Yvone brandão pela cedência do espaço que abrigou os debates e palestras.

Drª Samia ao encerramento do evento fazendo os agradecimentos finais da III semana do índio








No segundo dia da III semana do índio palestrantes se emocionam ao lembrar de momentos marcantes das lutas indígenas

Imprimir esta página

27/04/2012    23:49

por, Sander Barbosa Pereira

O segundo dia da III semana do índio promovido pela Copai/OAB/MS, foi marcado pela emoção nos discursos dos palestrantes ao se referirem aos indígenas e seus sofrimentos frente às violências a que são submetidos diariamente.

Em sua palestra a professora e doutora em história Vanderléa Paes mostrou um histórico da situação dos índios que moram nas áreas urbanas de Campo grande e do Chile e fez comparações destas duas realidades que se assemelham muito entre os temas como: Desemprego,moradias, educação, além de mostrar o censo demográfico do êxodo indígena para os grandes centros e apontar que são devido à problemas como: Falta de terra, levados pelos país, melhor qualidade de vida assim como outros.

Na sequência a palestrante  doutora Tatiana Ujacow  fez uma abordagem sobre os kaiowás da região de Dourados e suas condições consideradas desumanas aos olhos de uma sociedade que não os vêem ou seja vivem de forma invisível, falou das dificuldades que os índios enfrentam em dourados e da sua tristezas ao ver os indígenas revirando lixos na busca de um pedaço de pão ou outro alimento que possam levar para casa. 



Fez a leitura de um livro de sua autoria chamado de O direito ao pão novo. Neste livro ela destaca que o direito significa avanços e conquistas aos direitos ou seja ao novo, fortalecimento dos direitos difusos e coletivos amparados pelos artigos 231 e 232  da constituição federal de 88.



Doutora Samia Barbieri  em sua palestra focou em suas experiências com os índios urbanos de Campo Grande  e suas trajetórias na Copai/MS onde acompanha as denuncias de violações dos direitos indígenas. 






Citou o caso da indígena terena da aldeia cachoeirinha no município de Miranda/MS, onde o ônibus lotado de alunos sofreu um brutal ataque com o uso de coquetel molotove que explodiu e atingiu com maior gravidade a indigena Lurdisvone pires que veio a falecer meses depois na Santa casa de Campo grande.

Muito emocionada disse " aquele momento ficou marcado para sempre em minha memória"



Nos momentos finais onde se abriu para os debates o senhor Eduardo Kaiowá fez o uso da palavra para dizer do grande preconceito que os indígenas ainda sofrem no mercado de trabalho e relatou aos presentes que ele próprio foi vitima de preconceito quando buscava um emprego de contador numa empresa, não conseguiu o emprego pelo fato de ser índio. 




 Finalizou dizendo  " temos que avançar na sociedade dita "civilizada"através de um caminho chamado Educação ".


quinta-feira, 26 de abril de 2012

Iniciou hoje a III semana do índio promovido pela OAB

Imprimir esta página

26/04/2012    23:13


por, Sander Barbosa Pereira

A III semana do índio promovida pela OAB/MS teve na sua abertura a participação de representantes do poder Judiciário, lideranças indígenas, representantes das ONGs, Centro Social de Cultura Nativa - MS e Azul, as palestras do procurador da republica do MPF, Marco Antônio Delfino e de Marcos terena fundador da UNI, abordaram temas como a migração dos índios e a definição da ONU e a gama de direitos garantidos aos índios urbanos, além do tema da Rio+20 e povos indígenas    que irá acontecer este ano.




O procurador Marco Delfino destacou em sua palestra que a questão do índio urbano começa desde a sua migração para os pequenos e grandes centros, seja por processo de expulsão de suas terras ou pela busca de melhorias. enfatizou também o grande preconceito que o índio sofre na sua busca por direitos que pela lei são garantidos, o fato dele sair da aldeia jamais deixará de ser um indígena, cita por exemplos, outras raças que imigraram para o Brasil como o Italiano, Alemão e Japonês que jamais vão deixar de ser o que são. Não existe  a obrigação deles manterem contato com suas pátrias natal para dizerem que pertencem à aquele grupo e assim por diante e isso se aplica a questão indígena do nosso estado e do Brasil.




Marcos Terena falou de como começou esta questão da participação dos povos indígenas nestes megaeventos de porte internacional, falou do primeiro evento que foi a Eco-92 onde se discutiu a questão do meio ambiente mais profundamente como também a preocupação com a diminuição da emissão de gás poluentes atmosfera e a criação de Ocas na cidade do Rio de Janeiro e que  foram denominadas de Kári - oca.

Falou ainda da polêmica sobre os povos indígenas que estão vendendo crédito de carbonos para empresas estrangeiras e citou o povo munduruku como um dos que fecharam contrato com uma multinacional estrangeira.






A programação segue até o dia 28 de Abril, local: Museu de cultura indígena Dom Bosco no parque das nações indígenas nos altos da afonso pena.



Segundo MPF, governo ignora acordo para segurança pública nas aldeias

Imprimir esta página

26/04/2012    23:05

Documento determina instalação de bases de polícia comunitária nas aldeias de Dourados e Caarapó.

 Aline dos Santos

 O MPF (Ministério Publico Federal) denuncia a omissão do governo do Estado em cumprir acordo de cooperação técnica, firmado com a União, que prevê “ações de segurança pública com cidadania nas terras indígenas regularizadas”. 

O termo foi publicado no dia 5 de março no Diário Oficial da União. Para que seja efetivado, o acordo prevê a elaboração de um plano de trabalho, que irá guiar as ações específicas em cada comunidade. A Funai (Fundação Nacional do Índio) enviou o plano para a Sejusp (Secretaria de Justiça Segurança Pública) em 13 de fevereiro, mas até agora não houve resposta.

 O acordo estipula que as ações de segurança nas áreas indígenas serão realizadas pelas polícias civil e militar, mediante autorização da Funai. Serão realizadas ações de policiamento ostensivo e preventivo, além do estabelecimento de bases de polícia comunitária nas aldeias de Dourados e Caarapó. 

 Os policiais passarão por capacitação para atuar de forma diferenciada junto aos indígenas, com orientações sobre aspectos culturais e legais. A União se comprometeu a disponibilizar equipamentos e veículos. Conforme o Ministério Público, o governador André Puccinelli (PMDB) não respondeu ao questionamento quanto às responsabilidades assumidas no acordo com a União e que não foram cumpridas.

 Para o procurador Marco Antonio Delfino de Almeida, titular do ofício indígena no MPF em Dourados, “está sendo negado direito básico e constitucional ao cidadão indígena, numa clara atitude discriminatória por parte do governo estadual”. Atualmente, nas reservas indígenas do cone sul de Mato Grosso do Sul, é realizado apenas o atendimento emergencial pela Força Nacional ou pela Polícia Federal.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Colin Firth se une à campanha de proteção aos índios awás

Imprimir esta página
25/04/2012    15:30

EFE

 Tribo Awá é a 'mais ameaçada do mundo'.
 (Foto: Survival)



 O ator britânico Colin Firth se uniu a Survival International para lançar uma campanha solidária a favor da tribo indígena dos awás, cujo território está sendo drasticamente devastado pela ação dos madeireiros ilegais, criadores de gado e colonos, informou nesta quarta-feira a organização.

 Entre outros objetivos, a campanha visa a produção de um documentário com imagens inéditas desta isolada tribo da Amazônia brasileira, que, por sua vez, é muito reticente ao contato. Uma chamada do ator britânico e a música de Heitor Pereira, especialista em trilhas sonoras, também serão incluídas no curta-metragem. 

Além da produção do documentário, o site da organização também apresenta gráficos que ilustram toda a destruição na tribo dos awás. Segundo a Survival International, a situação é tão grave que alguns especialistas preferem usar termos como "genocídio" e "extinção". 



 Survival diz que tribo Awá vem perdendo território de todos os lado. (Foto: Survival) Em sua chamada, o ator Colin Firth, ganhador do Oscar por "O Discurso do Rei", assegura que os awás não só estão perdendo suas terras, mas também estão sendo assassinados. "Em outro momento da História, nós estaríamos presenciando outro povo sendo varrido da face da Terra, mas não vamos deixar que isto ocorra novamente", acrescenta. 

 Amerintxia é a mais velha dos Awá. 



Ela coleta sua própria comida e vive sozinha em um abrigo feito de folhas. (Foto: … O objetivo da campanha é persuadir o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, a tomar todas as medidas necessárias para contornar essa situação, como ordenar a expulsão dos madeireiros e criadores de gado e o controle para evitar que os mesmos retornem. 

 Colin Firth é ganhador do Oscar por "O Discurso do Rei". (Foto: Survival) 


Segundo a Survival Internacional, cerca de 360 indios awás já foram contatados, muitos deles "sobreviventes de massacres brutais", e 25% dessa população se encontra escondida na floresta em buscando de um refúgio "diante dessa constante destruição".

EDUARDO BARBOSA KAIOWÁ É HOMENAGEADO PELA CÂMARA MUNICIPAL DE CAMPO GRANDE/MS

Imprimir esta página

25/04/2012        01:13

por, Sander Barbosa Pereira

Neste mês em que se celebra o dia do Indío e com o objetivo de homenagear pessoas que lutam por um ideal de defesa da causa indígena de forma voluntária, dispondo de um  tempo para fortalecer o movimento, o senhor Eduardo Barbosa Kaiowá em mais de30 anos se dedicou a militar pelos caminhos tortuosos da questão indígena por Mato Grosso do Sul. 

Esteve em Brasilia onde lutou e debateu juntamente com diversas lideranças do Brasil às garantias dos artigos 231 e 232 na Constituição de1988.


Participou ativamente na construção e organização do movimento indígena em Mato Grosso do Sul, foi um dos fundadores do Conselho Estadual dos Direitos do Índio onde presidiu por 10 anos.

 Participou também   da criação do Conselho Municipal dos Direitos e defesa dos povos Indígenas de Campo Grande, Fundou a Ong  Indígena Centro Social de Cultura Nativa de Mato Grosso do Sul que tem o objetivo de manter à cultura indígena, religiosidade entre outros temas ligados à causa.

Atualmente coordena o Setorial Indígena do Partido dos Trabalhadores com o firme propósito de abrir espaços para o cidadão índio na busca de representatividade nos parlamentos Municipal, Estadual e Federal.

Busca também melhorias juntamente com as Bancadas municipal, estadual e federal do PT/MS, no sentido de suprir às necessidades das populações indígenas no que tange em: Habitação, Saude, Geração de rendas, mercado de trabalho e Educação escolar indígena.

Na vida profissional, foi funcionário do SPI - sistema de proteção ao índio criado por Marechal Rondon e posteriormente transformado em Fundação Nacional do Índio - FUNAI, hoje está aposentado pelo Ministério da Defesa, onde cumpriu sua missão durante 28 anos no Hospital Militar de Campo Grande - HGCG.

Uma homenagem justa a quem sempre se prontificou  a ajudar seu povo sem nada pedir em troca, para ele o mais importante é receber as palavras de carinho das lideranças indígenas como eles sempre dizem " Estamos com você sempre ".

Agradecimentos ao nobre vereador Alex do PT pela proposição de homenagem e ao presidente da câmara de Campo Grande Paulo Siufi (foto) pela entrega da homenagem

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Governo nomeia antropóloga para a presidência da Funai

Imprimir esta página
 
23/04/2012     10:40
 

Aline dos Santos

O governo federal trocou o comando da Funai (Fundação Nacional do Índio). O Diário Oficial da União desta segunda-feira trouxe a nomeação da antropóloga Marta Maria do Amaral Azevedo como presidente do órgão.

Até então, a Funai esteve sob comando de Márcio Augusto Freitas de Meira. Ele foi nomeado assessor especial do Ministério da Educação.

Foi sob a tutela de Márcio Meira, que a Funai deflagrou, em 2008, o processo de vistoria de terás indígenas para demarcação em Mato Grosso do Sul.

Os estudos antropológicos até hoje motivam disputas judiciais e os relatórios não foram divulgados.

domingo, 22 de abril de 2012

Doenças desconhecidas que a comida dos brancos provocou

Imprimir esta página

22/04/2012      22:37
  
No primeiro levantamento da saúde indígena não foi registrada a ocorrência de doenças cardiovasculares e menos de 5% dos examinados tinham pressão arterial elevada. Mas essa situação mudou

 por Roberto Baruzzi

 O Parque Indígena do Xingu, inicialmente Parque Nacional do Xingu, resultou de um amplo movimento que teve a participação dos irmãos Villas Bôas, além de personagens como Darcy Ribeiro, Noel Nutels e Heloísa Torres, diretora do Museu Nacional, entre outros defensores dos direitos dos povos indígenas.

 O Parque cobria uma área de aproximadamente 26.300 km2, estendendo-se por 300 km da região dos formadores do rio Xingu, ao sul, e ao longo de sua calha até a cachoeira de Von Martius, ao norte, nos limites do Mato Grosso e Pará. Era habitado por 14 povos indígenas dos troncos ou famílias de línguas aruaque, caribe, jê e tupi, incluindo os trumai, de língua isolada.

 Em seus primórdios a história do Parque se reporta ao início do ano de 1946, quando a expedição Roncador-Xingu, no contexto do movimento de Marcha para o Oeste do governo federal, atingiu o rio Kuluene, um dos formadores do Xingu, após atravessar o território xavante, guerreiros temidos e avessos a qualquer contato com outros povos. Presentes na expedição, os irmãos Villas Bôas: Orlando, Cláudio e Leonardo tiveram seus primeiros contatos com os kalapalo e kuicuro, no Juluene. 

Nos meses seguintes o relacionamento se estendeu aos demais povos dos formadores do rio Xingu ou Alto Xingu. Em 1953, o processo de contato se estendeu até os metuktire, ou kayapó, na área norte do Parque, próxima da cachoeira de Von Martius. Na época, teve início um movimento em defesa desses povos, ameaçados pela venda das terras que ocupavam desde tempos imemoráveis, o que levou à criação do Parque. 

Entre as atribuições definidas no decreto de sua fundação, estava: “Garantir aos povos indígenas a assistência médica, social e educacional, indispensável para assegurar sua soberania, com a preservação de seus atributos culturais”. Nesse contexto se inseria a seguinte declaração dos Villas Bôas, de anos anteriores, baseada em sua convivência com povos indígenas: “É neste setor da saúde que a ajuda do civilizado pode ser de transcendente importância. 

Diante dos acessos violentos de malária, de gripe e de pneumonia os pajés são impotentes. Se for dada a esses índios uma assistência conveniente, não temos dúvidas de que em poucos lustros teremos novamente o Alto Xingu como hábitat dos mais fortes e expressivos indígenas do Brasil”.  

Em 1965, a convite de Orlando Villas Bôas, diretor do Parque, uma equipe médica da Escola Paulista de Medicina (EPM), hoje ligada à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), foi avaliar as condições de saúde de sua população. Da avaliação resultou um acordo pelo qual a EPM se comprometia a enviar equipes médicas periódicas e, em situações epidêmicas, iniciar um plano de vacinação e abrir o Hospital São Paulo como unidade de retaguarda para seus habitantes.

 Essa foi a solução viável, dado o isolamento geográfico na época, e que se tornou possível com o apoio da Força Aérea Brasileira (FAB) no transporte das equipes médicas e remoção de pacientes. Os grupos voluntários, eram formadas por médicos, enfermeiras e dentistas, contando sempre com a presença de alunos. Os estudantes têm assegurado, por mais de quatro décadas, a continuidade do Programa de Saúde ou Projeto Xingu, como é conhecido.

 Muitos deles voltaram a participar de outras equipes, mesmo depois de formados, alguns como membros do corpo dirigente do Projeto. A política de saúde da EPM, no Parque, foi assim expressa por mim, em 1966, na condição de coordenador: “O desafio não é simplesmente implantar no Parque um modelo de assistência à saúde calcado na medicina ocidental, com mera transferência de tecnologia e locação de recursos. 

O real desafio é trazer benefícios à saúde do índio sem causar danos irreversíveis à sua cultura, sem destruir suas crenças e sua medicina tradicional. A busca de resultados imediatistas poderia significar um dano para essa população no decorrer do tempo, dentro do conceito de saúde definido pela OMS como um estado de completo bem-estar físico, social e mental”. 1 2 »

 Roberto Baruzzi   médico da antiga Escola Paulista de Medicina, atual Universidade Federal de São Paulo, foi um dos pioneiros na assistência médica às populações indígenas do Xingu.

sábado, 21 de abril de 2012

Índios comemoram a promessa de mais uma aldeia urbana

Imprimir esta página

21/04/2012      17:13
Diana Gaúna

 A comissão indígena do núcleo industrial e região se reuniu hoje para comemorar o avanço nas negociações sobre a construção da 5ª Aldeia Urbana, na Capital. O líder da comunidade, Oide Felipe da Silva, 56, declarou que a comissão foi recebida pelo secretario estadual de Habitação e Cidades, Carlos Marun, o qual garantiu que o projeto sairá do papel.

 Em comemoração, a comunidade organizou um almoço e agora planeja os próximos passos para a execução da obra. De acordo com um dos integrantes da comissão, o líder indígena, Arildo Soares, a reunião com o secretário foi realizada na segunda-feira (16) e marcada pelo deputado estadual, George Takimoto (PSL). 

Durante o encontro, eles apresentaram o mapa da região onde fica situada a comunidade e a partir da próxima segunda-feira (23), começam a encaminhar a lista com as inscrições das 150 famílias que estão solicitando a construção da aldeia urbana. 

“Começamos a levar os cadastros na segunda-feira e temos o prazo de finalizar até sexta-feira (27), conforme pedido do secretário, para que ele possa iniciar o projeto de engenharia”, afirmou Arildo. Para Oide a comemoração de hoje é pelo dia do Índio, e também pela conquista dele e de seus patrícios. 

“Há oito anos lutamos por isso e vamos continuar trabalhando para que essas benfeitorias sejam ampliadas”, declarou. Para o morador mais antigo da comunidade, Paixão Delfino, 78, a política dos índios do Indubrasil e região, agora é tomar a frente das questões para que a condição de vida nas aldeias seja constantemente melhorada. 

“Vamos nos unir e tomar a frente dos nossos pedidos. Cansamos de entregar nas mãos dos políticos e não ter volta. Vamos lutar pela garantia dos direitos constitucionais dos nossos filhos e netos” ,Luiz Alberto  concluiu. 





 A comunidade Terena do Indubrasil espera pela confirmação da obra desde 2008 Segundo os índios terenas da região, a construção da 5ª Aldeia Urbana é uma solicitação que data de 2008 e foi feita por conta da situação de abandono em que a comunidade se encontra. Oide explicou que grande parte de seus patrícios paga aluguel com o dinheiro que recebe do Governo Federal, sobrando poucos recursos para sobreviver.

 Além disso, eles cobram acesso à saúde, pois não há atendimento próximo as moradias e educação para as crianças, que acabam perdendo o ano, devido à distância das escolas.

A IMPORTÂNCIA DO DIA 21 DE ABRIL PARA TODOS NÓS BRASILEIROS

Imprimir esta página

21 DEABRIL DE 2012


Tiradentes foi enforcado por lutar pela Independência do Brasil

 O alferes Joaquim José, em retrato de W. Rodrigues

Reprodução

 O dia 21 de abril é feriado nacional. Trata-se de uma homenagem que o Brasil presta ao sacrifício de Joaquim José da Silva Xavier, que foi enforcado e esquartejado, a 21 de abril de 1792, devido a seu envolvimento com a Inconfidência Mineira - um dos primeiros movimentos organizados pelos habitantes do território brasileiro, no sentido de conseguir a independência do país em relação a Portugal.

 Vale a pena saber exatamente porque se presta essa homenagem a Tiradentes. No século 18, o Brasil era uma colônia portuguesa que gerava grandes lucros para sua metrópole, em função do ouro e dos diamantes que haviam sido descobertos na região que ficou conhecida como a das Minas Gerais. Essa região tornou-se o centro econômico e cultural do país.

 Nela surgiram várias cidades ricas e importantes, como Vila Rica (atual Outo Preto), São João Del Rei e Sabará. Portugal explorava o ouro brasileiro, mas nem todas as pessoas ligadas ao garimpo pagavam os impostos que a metrópole cobrava. Também havia muito contrabando das riquezas minerais. Além disso, essas riquezas não eram infinitas e começaram a se tornar escassas.

 O governo português, porém, acreditava que a diminuição no volume de seus lucros com a mineração se devia ao contrabando e à sonegação dos brasileiros. Por isso, começou a aumentar os impostos e tomar medidas repressivas contra os naturais da terra.

 Desse modo, os brasileiros se revoltaram e isso aconteceu quase na mesma época em que os Estados Unidos se tornaram independentes da Inglaterra. Ao mesmo tempo, na Europa, filósofos e pensadores criticavam a monarquia e o poder absoluto dos reis.

 Tudo isso influenciou as elites de Minas Gerais e as levou a conspirar em prol da Independência. A maioria dos conspiradores eram homens ricos e cultos como Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga. Pobre, somente o Tiradentes, que era um simples alferes (cargo militar semelhante ao de tenente), e que tinha esse apelido por exercer também o ofício de dentista. 

Entretanto, era ele quem saía às ruas, procurando conquistar a adesão do povo ao movimento. Resultado, durante o julgamento, todos os que tinham posses conseguiram escapar da pena máxima, trocando-a pela prisão ou pelo exílio. 

 Quanto a Tiradentes, acabou condenado à morte e ao esquartejamento, para que as partes de seu corpo ficassem expostas ao público, de modo a desencorajar outras tentativas de rebelião. Executado como um criminoso, Tiradentes se transformou no primeiro herói brasileiro, logo após a nossa Independência, em 1822.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Programa Luz para Todos leva energia às aldeias de MS e mutirão realiza cadastramento na tarifa social

Imprimir esta página

20/04/2012          20:21

 Mariana Anunciação

 O conforto da energia elétrica que, até pouco tempo, era privilégio de quem vivia na cidade e nas propriedades rurais mais estruturadas, agora, já é uma realidade nas aldeias dos municípios que compõem a área de atendimento da Enersul. 

 Isso foi possível com os programas Luz Para Todos, pelo qual a principal Concessionária de Mato Grosso do Sul construiu nos últimos anos, 15.569 quilômetros de rede. Trata-se de uma distância suficiente para atravessar, pelo menos, três vezes o Brasil de norte a sul. O serviço de distribuição da energia chega a essas comunidades acompanhado por outros benefícios, que vão além dos níveis de qualidade exigidos tanto para o cliente urbano quanto para o da zona rural. 

Quem mora nas aldeias tem uma tarifa de energia mais barata, ou seja, nos primeiros 50 Kw/h, o índio tem isenção total. O pagamento pelo consumo só começa a ser cobrado a partir desta faixa e, assim mesmo, seguindo os valores reduzidos da tarifa baixa renda.

 Cadastramento Mas para ter essas vantagens, o governo federal exige o cadastramento. É por essa razão que as famílias indígenas no Estado recebem a orientação da Concessionária para que todos atendam às formalidades que são necessárias para a conquista plena dos benefícios. Todo esclarecimento e procedimento de registro são feitos por meio de uma ação conjunta que envolve Ministério Público Federal, Secretarias de Ação Social do Estado e Município, Funai e a Enersul.  

O plantão de atendimento especial nesta Semana do Índio contemplou a aldeia Bororó, em Dourados. Além do cadastramento para garantir o benefício, o cliente indígena recebe informação sobre outros direitos no uso dos serviços de fornecimento de energia, como, por exemplo: escolher a melhor data para o vencimento da fatura de energia elétrica.

 Além disso, são repassadas outras informações, como quem tiver conta em banco pode optar por débito automático, reagendar ou parcelar contas em atraso, aprender a usar a energia de maneira econômica, correta e segura, e entre outros. 


 Divulgação/Enersul


 No início do mês de abril, o mutirão foi dedicado ao índio, e atendeu na aldeia vizinha, Jaguapiru, mais de mil clientes indígenas. De acordo com a assessoria da Concessionária, o mutirão também é uma oportunidade para quem ainda não tem ligação de energia onde mora, poder solicitar de forma gratuita, uma rede por meio do programa Luz para Todos .

quarta-feira, 18 de abril de 2012

MP realiza Ciclo de Debates sobre Criança Indígena

Imprimir esta página

18/04/2012         20:17
O evento acontece amanhã e sexta-feira na Capital


  O Ministério Público de Mato Grosso do Sul, por meio da Procuradoria-Geral de Justiça, promove amanhã (19) e sexta-feira (20), o 1º Ciclo de Debates sobre Criança Indígena e seus Direitos Fundamentais. 

O evento será realizado no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, no auditório Germano de Barros. O objetivo do evento é garantir o que prevê a Constituição Federal (art. 227) e artigo 4º do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). 

“A criança indígena está sob a mesma constituição e sob as mesmas leis que as outras crianças”, explicou a Procuradora de Justiça, ex-Promotora de Justiça da Infância e da Juventude, Ariadne de Fátima Cantú da Silva. 

 Na quinta-feira, o evento começa às 19h30min e, no dia 20, nacional”; “A criança indígena e o ECA”; “O desafio do poder público na questão da criança indígena”; “Crianças indígenas e a adoção”; “Atuação do CAOP Indígena e sua importância no enfrentamento de será realizado das 8h às 17h.

 Entre os temas que serão discutidos estão “A criança indígena no contexto questões afetas à infância”; “Aspectos importantes sobre a saúde da criança indígena”; entre outros.

População indígena de MS cresce 3,1% em 10 anos e total é de 73.295

Imprimir esta página

18/04/2012     19:55

  Campo Grande é o sétimo município em número de índios na área urbana
 Nadyenka Castro

 População indígena de Mato Grosso do Sul cresceu 3,1% em 10 anos .(Foto: João Garrigó)  




 Números divulgados nesta quarta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que a população indígena de Mato Grosso do Sul cresceu 3,1% em 10 anos e há no Estado 73.295 pessoas que se declararam índia ao último Censo, realizado em 2010.  

De acordo com os dados, enquanto no Brasil a população índia cresceu 1,1%, em Mato Grosso do Sul o crescimento foi maior, principalmente na área rural que foi de 3,4%. A urbana foi de 2,2%. E quando o assunto é índio nas cidades, Campo Grande ocupa o sétimo lugar entre os municípios brasileiros: 

São 5.657. São Paulo está na primeira posição com 11.918 indígenas. O Estado ocupa o segundo lugar em quantidade de índios no País, sendo eles 3,1% do total da população brasileira, perdendo apenas para o Amazonas, que tem 168.680. 

Já em relação ao total de moradores do território estadual, os índios representam 9%. O município com maior número de índios do Estado é Amambai, que fica na região de fronteira com o Paraguai: são 7.225 índios. 

Dourados vem em seguida, com 6.830 e depois Miranda, com 6.475. Em Japorã, também na fronteira com o Paraguai, 49,4% da população é indígena. Situação que coloca o município com maior número de índios em relação à população. 

Depois está Paranhos - 35,7% -; Tacuru - 35,6% - Miranda - 25,3% e Itaporã - 24%-. Na área urbana, Antonio João lidera na quantidade de índios em relação aos não-índios: 8,4% da população urbana do município é indígena. 

Já na área rural Paranhos está em primeiro lugar: 71,9%. Mais números relacionados à população indígena serão divulgados em julho deste ano. Todos foram apurados durante o Censo 2010.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Estudante chama índios de “fedorentos”, vira alvo de investigação e de “linchamento virtual”

Imprimir esta página

16/04/2012      19:30
 Ângela Kempfer

 Xuxa e Bruno, um dos integrantes do Brô MC's.



 Um comentário infeliz deu margem a mais um linchamento virtual via Facebook e provocou investigação do Ministério Público Federal por racismo.

 Em postagem atribuída a Lizzi Donizette, uma estudante de Dourados, os integrantes do grupo de rap Brô MC’s são chamados de “índios fedorentos”. A mensagem foi escrita depois que o grupo de jovens guarani kaiowá participou do programa TV Xuxa, no último sábado. A denúncia foi encaminhada ao MPF, com cópia da página e frases também do tipo “que lixo véi..”, “pintou uma vergonha”, "esse MS só queima". 

 Para saber se foi Lizzi a real autora das agressões, o MPF vai requisitar informação aos administradores do Facebook. “Se forem verídicas, poderá ser instaurado inquérito e posterior processo penal pelo crime de racismo, previsto pelo artigo 20 da Lei 7.716/89. A pena prevista para esse crime é de um a três anos de reclusão.

 Quando o crime é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza, a pena passa a ser de dois a cinco anos de prisão e multa”, informa a assessoria do órgão. Amigos da estudante turbinam a conversa agredindo, inclusive, a apresentadora. “Cínica”, escreve outra jovem, questionando a verdade de Xuxa sobre o encantamento com o grupo que canta rap na língua indígena. 

 Quem reproduziu os comentários racistas também está sujeito às mesmas penalidades. O assunto foi um dos temas mais polêmicos do dia hoje nas redes sociais, com centenas de compartilhamentos e pedidos de investigação, a maioria de moradores de Dourados. Entre as mensagens contra a autora também aparecem xingamentos pesados. 

Alguns dos mais leves são “menina mimada”, “desvairada”, “se manifestar sim, ofender e discriminar, nunca!”. O Ministério Público Federal lembra que em 2011 o advogado e articulista Isaac Duarte de Barros Júnior foi condenado a dois anos de prisão pelo crime de racismo contra a etnia guarani, a mesma do grupo de rap. Na sentença, o juiz afirmou que a liberdade de expressão não é uma garantia absoluta.

 “A dignidade da pessoa humana, base do estado democrático de direito, prevalece sobre qualquer manifestação de pensamento que incite ao preconceito ou à discriminação racial, étnica e cultural”. O Lado B tentou entrar em contato com Lizzi também pelo Facebook, mas não obteve resposta.




video


















domingo, 15 de abril de 2012

Índios Terena reivindicam criação da 5ª Aldeia Urbana em Campo Grande

Imprimir esta página

15/04/2012           15:17
 Diana Gaúna


 Cerca de 130 famílias indígenas do núcleo industrial e região, se reuniram na tarde de hoje para elaborar um documento solicitando à prefeitura e ao governo do Estado, a criação da 5ª Aldeia Urbana, na Capital. De acordo com o líder da comunidade, Oide Felipe da Silva, 56, seus patrícios precisam dessas moradias, pois hoje, grande parte deles paga aluguel com o dinheiro que recebe do Governo Federal, sobrando poucos recursos para sobreviver.

 De acordo com Oide, o deputado estadual George Takimoto apresentou uma indicação à Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, solicitando a implantação da aldeia urbana, para suprir o déficit habitacional da região. Segundo o líder da comunidade, o deputado se comprometeu ainda a marcar uma reunião dos representantes da comunidade com o governador André Puccinelli (PMDB). 

 Documentos apresentados pelos índios durante a reunião, comprovaram que já em 17 de abril de 2008 a comunidade do bairro Indubrasil e região, solicitava a criação de uma aldeia urbana. Os líderes indígenas Arildo Soares e Antônio Jorge Pereira - o Xindú, informaram que o governo declarou que havia um projeto para construção dessa Aldeia, contudo, nunca conseguiram saber ao certo em que secretaria isso está.

 “Falamos com o Paulo Mattos, da Emha (Agência Municipal de Habitação) e ele nos disse que lá não tinha projeto nenhum e que como esse ano é de eleição, não iríamos conseguir mesmo”, explicou Arildo. Moradores denunciam abandono da comunidade instalada no Indubrasil.

O morador mais antigo da comunidade, Paixão Delfino, 78, afirmou que hoje as pessoas vivem espremidas em um local sem acesso a saúde, educação para as crianças e até mesmo atendimento médico. “Esperamos que o nosso prefeito e governador olhem pela gente, porque estamos batalhando por melhores condições de vida desde 2008”, declarou. A indígena Clelia Maria Sese, desabafou que sua comunidade não está na região porque quer, mas sim por conta da situação de abandono das aldeias de onde vieram.





 “A gente vem para cá atrás de trabalho, porque muitas vezes somos esquecidos nas aldeias onde moramos, nem a Funai (Fundação Nacional do Índio) aparece para nos socorrer”, disse. Luiz Alberto Para Iracema Sese, a maior dificuldade hoje é a moradia, porque como a maioria dos índios vem das aldeias e não tem para onde ir, precisa arcar com contas de água, luz, aluguel e “o dinheiro é pouco”.

 Durante a conversa, um grupo de mulheres fez questão de ressaltar que creche e escola são a segunda necessidade, porque como tudo é distante e de difícil acesso, suas crianças acabam perdendo o ano escolar.

 Além disso, outra problema apontado foi o serviço de saúde. “O posto de saúde mais próximo é o do Indubrasil, mas a gente vai lá e não tem pediatra, nem ginecologista. Temos que perder um dia de serviço para marcar uma consulta e outro para sermos atendidos em um posto mais distante ainda”, afirmou Iracema.

sábado, 14 de abril de 2012

Cerca de 200 índios realizam manifestação em frente a Funai

Imprimir esta página

14/04/2012       22:18
 Diana Gaúna

Cerca de 200 índios ligados ao Coletivo dos Trabalhadores Indígenas da CUT-MS (Central Única dos Trabalhadores), fizeram uma manifestação pacífica em frente a Funai (Fundação Nacional do Índio) hoje pela manhã. 

A intenção é cobrar mais atenção às comunidades e fiscalização do cumprimento dos direitos dos trabalhadores indígenas. Cinco ônibus com representantes das aldeias de Dois Irmãos do Buriti, Sidrolândia, Dourados, Aquidauana e aldeias urbanas da região de Campo Grande, estiveram no protesto.

 Um dos índios que coordenaram o movimento, Evanildo da Silva, 47, ferroviário, disse que a classe indígena precisa de uma política que possa melhor atender a todos. “Estamos abandonados pela Funai. Queremos um atendimento melhor e o repasse dos subsídios que o Governo nos autoriza, mas que não chegam. 

Além de melhoria das questões trabalhistas”, destacou. O indígena José Carlos Pacheco, 42, geógrafo, declarou que é urgente uma maior fiscalização por parte da Funai. “Precisamos de uma fiscalização intensa e acima de tudo, permanente. Queremos melhores condições de trabalho em todos os setores em que atuamos, porque hoje fazemos o mesmo trabalho que os brancos, com mesmo nível de escolaridade, mas ainda ganhamos menos”, salientou.

 Segundo Pacheco, no Estado, os indígenas representam cerca de 2% dos trabalhadores, com carteira assinada, “algo em torno de 5 ou 6 mil pessoas”. Ele informou ainda que o próximo passo será encaminhar um documento a Fundação, com as solicitações da comunidades e marcar uma reunião para expor os problemas.