segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Construção de rodovias no governo militar matou cerca de 8 mil índios

28/12/2014          23:30

Por Luciana Lima
 iG Brasília

Projetos de governos militares são investigados pela Comissão da Verdade. Maior parte das mortes, em quatro frentes de construção de rodovias, não foi registrada.

Divulgação

Desenho de índio Waimiri-Atroari sobre ataques sofridos pela comunidade durante período militar. Estima-se que 8 mil índios foram exterminados em obras pela Amazônia
As investigações da Comissão Nacional da Verdade (CNV) pela região Amazônica indicam um verdadeiro genocídio de índios durante o período da ditadura militar. 

Não há como falar em um número exato de mortos devido à falta de registros. Os relatos colhidos, no entanto, apontam que cerca de oito mil índios foram exterminados em pelo menos quatro frentes de construção de estradas no meio da mata, projetos tocados com prioridade pelos governos militares na década de 1970. 

Os trabalhos da Comissão da Verdade miram os processos de construção e o início do funcionamento das rodovias BR-230, conhecida como Transamazônica; a BR-174, que liga Manaus a Boa Vista, a BR-210, conhecida com Perimetral Norte e a BR 163, que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA). 

Essas estradas fizeram parte do Plano Nacional de Integração (PIN), instituído pelo presidente Emílio Garrastazu Médici, em 16 de julho de 1970, e que previa que 100 quilômetros em cada lado das estradas a serem construídas deveriam ser destinados à colonização. A intenção do governo era assentar cerca de 500 mil pessoas em agrovilas que seriam fundadas.  

Transamazônica 

 A Transamazônica foi escolhida como prioridade e, por isso, representou uma verdadeira tragédia para 29 grupos indígenas, dentre eles, 11 etnias que viviam completamente isoladas. Documentos em poder da Comissão da Verdade apontam, por exemplo, o extermínio quase que total dos índios Jiahui e de boa parte dos Tenharim. 

O território dessas duas etnias está localizado no sul do Estado do Amazonas, no município de Humaitá. O Ministério Público Federal no Amazonas também abriu um inquérito para apurar as violações de direitos humanos cometidas contra esses povos no período da ditadura militar.

Grupo Planejamento e Gestão do Território na Amazônia – UFAM,  Mapa da Terra Indígena decretada por Figueiredo em 1981.
 Os documentos indicam ainda que indígenas sobreviventes acabaram envolvidos nas obras em regime de escravidão.

Grupos indígenas foram os mais prejudicados pela política de ocupação da Amazônia no regime militar Atualmente, a população Jiahui, de acordo com a Fundação Nacional do Índio (Funai), não chega a 90 índios. 

Antes da construção da estrada, eram mais de mil. Já os Tenharim somam hoje 700 pessoas. Eram mais de dois mil antes da chegada das frentes de construção.  

Matança 

Entre as práticas de violência contra índios já identificadas estão as “correrias”, expedições de matança de índios organizadas até o final da década de 1970, principalmente no sul do Amazonas e no Acre. Essa prática foi detalhada no primeiro relatório do Comitê Estadual da Verdade do Amazonas, um documento de 92 páginas, ao qual o iG teve acesso. 

O relatório descreve a matança do povo Waimiri-Atroari, que habitava até 1967 a região entre Manaus e o município de Caracaraí, em Roraima. 

A região corresponde à parte norte do vale do rio Urubu e inclui os rios Uatumã, Curiuaú, Camanaú, Alalaú, todos no Amazonas, além dos rios Jauapery e Anauá, em todo Estado de Roraima, até a fronteira com a Guiana. Esse povo foi diretamente impactado pela construção da BR-174. 

“Muitos dos episódios de 'correrias' tiveram a participação direta de agentes públicos”, aponta o relatório elaborado pelos coordenadores do comitê local, Egydio Schwade e Wilson Braga Reis. 
 
Grupo Planejamento e Gestão do Território na Amazônia – UFAM Mapa do Território Tradicional Waimiri-Atroari, antes da implantação das políticas de desenvolvimento da região Norte, na década de 1970

 “Pais, mães e filhos mortos, aldeias destruídas pelo fogo e por bombas. Gente resistindo e famílias correndo pelos varadouros à procura de refúgio em aldeia amiga. A floresta rasgada e os rios ocupados por gente agressiva e inimiga. Esta foi a geografia política e social vivenciada pelo povo Kiña desde o inicio da construção da BR-174 em 1967 até sua inauguração em 1977”, descreve no documento. 

O termo “Kiña” é uma outra denominação para os Waimiri-Atroari. O relatório também informa que, entre os povos mais duramente atacados em “correrias”, estão os Kaxinawa e os Madiha no Acre, além do povo Juma, no sul do Amazonas.  

Lista de mortos 

O relatório também pede mais investigação sobre o desaparecimento dos índios Piriutiti e sobre o que ocorreu com outras etnias durante a execução das grandes obras do governo militar. “Documentos apontam também para o genocídio do grupo Piriutiti, na mesma região, que merece uma investigação mais específica”, diz o texto. 

Para Schwade, a investigação da Comissão Nacional da Verdade sobre a violência sofrida por índios terá que apontar o que ocorreu com os Cinta Larga e Suruí, na região dos rios Aripuanã e Rooswelt, entre Rondônia e Mato Grosso; os Krenhakarore do rio Peixoto de Azevedo, na rodovia Cuiabá-Santarém (conhecidos como Índios Gigantes); os Kanê ou Beiços-de-Pau do Rio Arinos no Mato Grosso; os Avá-Canoeiro em Goiás; Parakanã e Arara no Pará, entre outros, em função dos projetos políticos e econômicos da Ditadura. 
 
Grupo Planejamento e Gestão do Território na Amazônia – UFAM Mapa dos limites da Terra Indígena decretada por Médici em julho de 1971 e área grilada em favor de empresários


Restrição de informação 

 De acordo com Schwade, apesar de o episódio ser relativamente recente e ter ocorrido bem próximo à capital amazonense, a cerca de 200 quilômetros, as pessoas sabem menos dessa matança do que sobre os massacres acontecidos aos mesmos índios há 150 anos. 

“Apesar da farta documentação existente, que comprova o exercício de uma política genocida, instalou-se junto ao povo Wamiri-Atroari um programa de controle da informação”, aponta. Os militares, de acordo Schwade, mantiveram afastados do local indigenistas, cientistas e jornalistas. 

“Não houve acesso, a não ser dos que tinham vinculação com os interesses empresariais instalados no território indígena”, denunciou. O conluio de agentes públicos com empresários e fazendeiros ligados a lideranças políticas locais é outro ponto observado por técnicos da Comissão da Verdade que estiveram na Amazônia para colher informações. Onde as frentes para a abertura de estradas chegaram, também chegaram os fazendeiros, que se instalaram demarcando latifúndios em terras antes pertencentes aos índios. 

 Yanomamis 

A construção da rodovia Perimetral Norte também é objeto de estudo da Comissão da Verdade. A obra representou um desastre para o povo Yanomami e estima-se que pelo menos dois mil índios dessa etnia tenham sido exterminados no período. 

Uma avaliação da Comissão da Verdade indica que o desastre só não foi maior porque o governo militar não chegou a concluir a obra. Com isso, muitas aldeias acabaram preservadas, já que o projeto da estrada, que cortava inteiramente o território Yanomami, não foi executado na integralidade. 

O traçado planejado para a rodovia passava pelos Estados de Amazonas, Pará, Amapá e Roraima. A proposta era cortar toda a Amazônia brasileira, desde o Amapá até a fronteira colombiana no Estado do Amazonas. Até hoje, somente um trecho, em Roraima, com pouco mais de 400 quilômetros, e outro no Amapá, com cerca de 100 quilômetros, foram construídos. 

Embora o trecho executado seja considerado relativamente pequeno, a construção foi capaz de exterminar, quase que por completo, os índios Yawarip, um subgrupo Yanomami, na década de 1970. 

Mais tarde, a publicidade dada no governo militar ao grande potencial mineral do território Yanomami desencadeou a instalação de garimpos ilegais nas terras dos índios, o que provocou mais destruição.

Grupo Planejamento e Gestão do Território na Amazônia – UFAM
Mapa dos limites da Terra Indígena decretada por Médici em julho de 1971
 Prazo 

A avaliação preliminar da Comissão da Verdade é de que os relatos sobre a violência indígenas são muitos, mas ainda pulverizados. De acordo com técnicos, o desafio da comissão para finalizar um texto capaz de promover consequências jurídicas está em estabelecer uma narrativa dos fatos. 

Diante desse desafio, os conselheiros da Comissão da Verdade estudam pedir novamente um prazo à presidente Dilma Rousseff para a apresentação do relatório final, pelo menos em relação ao tema indígena. 

As três estradas estão sendo usadas como eixos da investigação, no entanto, os técnicos e conselheiros querem ainda contemplar no documento aspectos importantes como a militarização, na época, dos órgãos encarregados de proteger os índios. 

No caso, esse orgão seria a Fundação Nacional do Índio (Funai). Outro ponto importante do texto será o de estabelecer a cadeia de comando. Como os militares alegam que muitos documentos foram destruídos, fica quase impossível para comissão indicar de quem partiram as ordens para os ataques. 

A ideia é, nesse caso, que o texto indique quem ocupava cargos importantes na hierarquia militar em determinados Estados, municípios ou frentes de trabalho e que, pela rígida hierarquia militar, teria que ordenar ou consentir os ataques.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

FELIZ NATAL MUNDO

25/12/2014


Por; Sander Barbosa Pereira



O que é o Natal? É o resumo do espírito da doce amizade que brilha todo o ano. É consideração e bondade, é a esperança renascida novamente para trazer paz, entendimento e benevolência para os homens.

Natal não é fim de ano, é recomeço, é nascimento, é a esperança de um novo ano que se aproxima, é o desejo de ter conosco todas essas pessoas queridas fazendo parte de nossa vida.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

POVO DO SORRISO

22 /12/2014       22:12

Roberto Higa -  Mago das fotografias






Um dia, essa gente era o povo do sorriso Um dia, essa gente era liberdade na terra livre das nações. E só tinham o mundo por viver. 

Outro dia, vieram as lavouras e o gado.  E no rastro dos arados, nos cascos das boiadas,trouxeram os arames farpados. Cercaram o sorriso dessa gente. 

RAUL LONGO  (texto) - ROBERTO HIGA   (foto) 1979-80.

Povo Do Sorriso - 1978



Um dia, a tanta tristeza e a injustiça vai expulsar essa gente por um caminho sem fim e sem volta. Um dia, eles vão desaparecer na poeira das rodas das máquinas. 

Outro dia, quem ficar no começo da estrada, não vai saber para onde levaram, o sorriso do povo das nações, que só tinham o mundo por viver. 

 Raul Longo (Texto)

Índios isolados atacam comunidade na Amazônia peruana em busca de comida


22/12/2014                   11:56

  

Yahoo

Duzentos índios da etnia Mashco Piro, que vivem isolados da civilização, invadiram com violência uma comunidade nativa na fronteira entre o Peru e o Brasil em busca de comida, informou neste domingo o ministério peruano da Cultura, destacando que não houve feridos na ação. 


 "No sábado, 20 de dezembro, um grupo de aproximadamente 200 indígenas não contactados Mashco Piro chegaram à comunidade Monte Salvado, exigindo comida das pessoas, após terem causado sérios danos à infraestrutura do povoado", acrescentaram as autoridades peruanas em um comunicado. 

O ataque não deixou feridos, segundo o ministério da Cultura, que avalia uma possível evacuação dos moradores afetados, em coordenação com os ministérios do Interior e da Defesa. A população nativa de Monte Salvado, composta por 39 pessoas, segundo o ministério da Cultura, refugiou-se em um local da comunidade por medo de ataques. 

"Os Mashco Piro deixaram a região, mas seu retorno nos próximos dias é iminente", alertou o ministério peruano. O incidente aconteceu no distrito amazônico de Las Piedras, na reserva natural da província de Tambopata, na região peruana de Madre de Dios (sudeste). As autoridades revelaram que se trata da segunda incursão dos Mashco Piro a Monte Salvado nesta semana. 

Na primeira, os indígenas danificaram algumas casas, sacrificaram animais domésticos e de criação e levaram utensílios, como cordas, machados e panelas. Durante o ataque, os indígenas destruíram roupas, mantas e mosquiteiros usados pelos moradores, elementos associados à cultura ocidental. 

A etnia Mashco Piro faz parte dos passeios turísticos na Amazônia Peruana, que incluem visitas a comunidades isoladas. Em agosto passado, a Federação Nativa do Rio Madre de Dios pediu ao governo que os proteja dos passeios turísticos porque existe o risco de contraírem doenças ao entrar em contato com os turistas.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Azambuja cria subsecretaria e liga questão indígena à Assistência Social


12/12/2014            11:25 

Wendell Reis 

O governador eleito, Reinaldo Azambuja (PSDB), cumpriu a promessa de campanha e criou uma coordenadoria específica para cuidar da questão indígena. Projeto enviado pelo novo governador para a Assembleia cria a subsecretaria da População Indígena.

 

Além da novidade, de criar uma subsecretaria para a População Indígena, Azambuja ainda vinculou a pasta a Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Inclusão e Assistência Social. A secretaria também ficará responsável pelas subsecretarias de Políticas Públicas para Mulheres, Juventude e Promoção da Igualdade Racial e da Cidadania. 

No dia que foi eleito o governador falou sobre a possibilidade de criar uma superintendência para a questão indígena. Ele explicou que a criação atenderia a um pedido da comunidade indígena, que queria um canal direto de comunicação. 

“Vamos colocar produtores e indígenas juntos e o estado como árbitro”, declarou, justificando que o órgão serviria para incluir aldeias na rota do turismo de Mato Grosso do Sul.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Hoje comemoramos o dia internacional dos povos indígenas

10/12/2014                  17:40

Por;   Sander Barbosa Pereira


ÍNDIOS KAIOWÁS EM ATY GUASSU
O Dia Internacional dos Povos Indígenas, comemorado no dia 9 de agosto, é uma data invocativa dos vários povos indígenas

Foi instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas através da resolução 49/214 de 23 de dezembro de 1994 para ser comemorado todos os anos durante a primeira década internacional dos povos indígenas (1995 – 2004). 

Em 2004, foi proclamada a segunda década internacional dos povos indígenas (2005 – 2015)


A criação da data comemorativa pela Organização das Nações Unidas (ONU) pretende garantir condições de existência minimamente dignas aos povos indígenas de todo o planeta, principalmente no que se refere aos seus direitos à autodeterminação de suas condições de vida e cultura, bem como a garantia aos direitos humanos.

A data foi criada por decreto da ONU em 09 de agosto de 1995, como resultado da atuação de representantes de povos indígenas de diversos locais do globo terrestre. Essa atuação visava criar condições para a interrupção dos ataques sofridos pelos povos indígenas em seus territórios, após mais de quinhentos anos da expansão das formas de sociabilidade impostas aos indígenas pelos povos de origem europeia, principalmente.

Após a publicação do decreto, foram constituídos grupos de trabalho para a elaboração de uma declaração da ONU sobre o tema. Em 29 de julho de 2006, o Conselho de Direitos Humanos da entidade internacional aprovou o texto da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas. Um ano depois, em 13 de setembro de 2007, a Assembleia Geral da ONU aprovou a Declaração.

Um dos principais objetivos da declaração é garantir aos diversos povos indígenas do mundo a autodeterminação, sem que sejam forçados a tomar qualquer atitude contra a sua vontade, como expresso no artigo 3º: “Os povos indígenas têm direito à autodeterminação. Em virtude desse direito determinam livremente sua condição política e buscam livremente seu desenvolvimento econômico, social e cultural.”

Já no artigo 1º da Declaração é garantido às diversas etnias indígenas “o pleno desfrute de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais reconhecidos pela Carta das Nações Unidas, a Declaração Universal dos Direitos Humanos e o direito internacional dos direitos humanos.” Dessa forma, a ONU possibilita a equiparação dos direitos das etnias indígenas com os direitos que são garantidos pela entidade aos demais povos e etnias do mundo.

A publicação dessa declaração é um avanço para os povos indígenas, principalmente após o ataque generalizado que sofreram a mando das classes dominantes da Europa após o processo de expansão verificado com as grandes navegações, no século XV. A promulgação da Declaração é um apoio à resistência econômica, política, religiosa e cultural que as diversas etnias indígenas ainda mantêm.

No caso brasileiro, é um importante apoio aos cerca de 850 mil indígenas que habitam o território nacional, divididos em mais de 200 etnias, segundo o levantamento feito pelo Censo Demográfico do IBGE, realizado em 2010.




terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Tramitação atualizada da PEC 215/2000 - Demarcação deTerras Indígenas / ordem do dia nas comissões



Terras indígenas -  Pataxós pedem apoio de petistas para retirada da PEC 215/2000

 Por;Sander Barbosa Pereira







09/12/2014                  16:00 

Câmara dos deputados

 Ordem do Dia nas Comissões PEC 215/00 

DEMARCAÇÃO DE TERRAS INDÍGENAS 

54ª Legislatura 
4ª Sessão Legislativa Ordinária 

 PAUTA DE REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA EM 9/12/2014 às 16h 


 Apreciação do Relatório apresentado à proposta de emenda à Constituição nº 215, de 2000. 

Proposições Sujeitas à Apreciação do Plenário 

 Disposições Especiais 

 1 - PEC 215/2000 - do Sr. Almir Sá - que "acrescenta o inciso XVIII ao art. 49; modifica o § 4º e acrescenta o § 8º ambos no art. 231, da Constituição Federal". 

(Apensados: PEC 579/2002, PEC 257/2004, PEC 275/2004, PEC 319/2004, PEC 156/2003, PEC 37/2007, PEC 117/2007, PEC 411/2009, PEC 415/2009 e PEC 161/2007 (Apensado: PEC 291/2008)) 

Explicação: Inclui dentre as competências exclusivas do Congresso Nacional a aprovação de demarcação das terras tradicionalmente ocupadas pelos índios e a ratificação das demarcações já homologadas; estabelecendo que os critérios e procedimentos de demarcação serão regulamentados por lei. 

RELATOR: Deputado OSMAR SERRAGLIO. 

PARECER: pela aprovação desta, da PEC 579/2002, da PEC 156/2003, da PEC 257/2004, da PEC 275/2004, da PEC 319/2004, da PEC 37/2007, da PEC 117/2007, da PEC 161/2007, da PEC 411/2009, e da PEC 415/2009, apensadas, com substitutivo, e pela rejeição da PEC 291/2008, apensada.

domingo, 7 de dezembro de 2014

A musica Trem do Pantanal retrata com perfeição as belezas e riquezas do nosso Pantanal de Mato Grosso do Sul

07/11/2014       10:33

Por: Sander Barbosa Pereira


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Trem do Pantanal de Geraldo Roca em parceria com Paulo Simões é considerado hoje um verdadeiro hino não oficial do Mato Grosso do Sul.

As composições destes dois autores misturam ritmos regionais e elementos da música folk e do rock, em uma lírica realista própria, com elementos da cultura regional e explorada com maestria pelo grande intérprete e também compositor Almir Sater.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Ao se ver na tela do cinema, indiazinha Guarani - Kaiowá que sonha em ser atriz se emociona


06/12/2014                   10:00

 Elverson Cardozo


                                                                                                              (Foto: André Maganha)

No cinema, acompanhada da mãe, Kariane, hoje com 11 anos, se emocionou.
No cinema, acompanhada da mãe, Kariane, hoje com 11 anos, se emocionou. (Foto: André Maganha) Kariane Martines, uma indiazinha Guarani Kaiowa de 11 anos, nascida e criada da Aldeia Amambai, no interior de Mato Grosso do Sul, é uma menina de poucas palavras. 

Pelo menos é essa a impressão que passa ao telefone. Do outro lado da linha, falando com um completo desconhecido, que se apresenta apenas como Elvis, repórter do Lado B, a garota diz poucas coisas. Com a jornalista e cineasta Jamile Fortunato, que fez um filme com ela há dois anos, o contato, ao que tudo indica, é bem diferente. Também pudera. 


Jamile estabeleceu uma relação de amizade, de confiança com Kariane. Mas isso não aconteceu em 15 minutos, a distância, por telefone, como eu fiz para escrever essa matéria. Ela visitou a casa da menina, esteve com ela, almoçou com a família, se apropriou da história e, de posse de um celular e de uma handycam, aquelas filmadoras compactas, registrou, com toda a sensibilidade, o mundo encantado da garota. 

É um universo imaginário, construído a partir de uma realidade dura, triste, que muitos, por ignorância ou maldade, teimam em fechar os olhos. O material, mais tarde, virou um curta-metragem, o “Cordilheira de Amora II”. 

O filme foi um dos selecionados para integrar a programação do Fest Cine América do Sul, festival que reúne, em Campo Grande, até o dia 7 de dezembro, outras produções brasileiras e, também, de origem sulamericana. 

Menina cria um mundo imaginário e, assim, consegue fugir da realidade em que vive.
(Foto: Reprodução/Cordilheira de Amora II)
Menina cria um mundo imaginário e, assim, consegue fugir da realidade em que vive. (Foto: Reprodução/Cordilheira de Amora II) Kariane, a personagem principal desta obra, viajou mais de 360 quilômetros para assistir à exibição na Capital, dentro de um shopping, junto com a mãe, a professora de educação infantil Sônia Martines Vera, de 43 anos. 


Teaser Cordilheira de Amora II - de Jamille Fortunato

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“Nunca imaginei que iria chegar lá, naquela tela grande”, revelou, com voz baixa. Pergunto sobre o filme e se ela é, realmente, uma menina sonhadora. “Eu sou. Imagino que tudo isso um dia vai virar realidade”. A indiazinha espera que a fantasia vire realidade, até porque o mundo imaginário que pinta, e que Jamile Fortunato retratou com primor, é bem mais colorido. 

Na época em que ocorreu a gravação, a cineasta frequentava a aldeia para ensinar, entre outras coisas, como fazer cinema com o celular. Primeiro conheceu a irmã de Kariane, que era uma das participantes do projeto. Por intermédio dela é que foi apresentada à menina. A oportunidade de gravar um filme com a garota surgiu por acaso. 

Foi no “susto”, depois de um almoço junto com a família. “Na hora de ir embora, com o carro já esperando, eu avistei uns tijolinhos entre as bananeiras e perguntei o que era aquilo. Ela [Sônia] me respondeu que era lixo e que a filha juntava para brincar”.

 Parte da casa de tijolos. (Foto: Reprodução/Cordilheira de Amora II)
Era mais que lixo. Era a “casa própria” de Kariane, como ela mesma faz questão de dizer. No filme, a imagem que se tem é a de um amontoado de tijolos, mas a menina teve o cuidado de separar as peças, empilhar outras e formar alguns ambientes, como cozinha e sala, com uma caixa de sabão em pó para representar a televisão que não tinha. 

No meio das bananeiras, fez a “biblioteca”. Os livros são, na verdade, revistinhas de cosméticos descartadas. Em uma cena, ela apresenta as obras que imagina ter: Chapeuzinho Vermelho e os Três Porquinhos. Em outra, logo no início, mostra um pedaço velho de madeira e explica que se trata de um porta-retrato, onde, de um lado, aparece com a colega da escola, com vizinha e o amigo invisível. 

Atrás, explica, tem toda a família. Kariane também imagina um shopping no quintal, mas o espaço está longe de ser glamouroso. É um amontoado de lixo. O que ela enxerga, no entanto, é bem diferente. “Aqui tem cabeleireiro, loja, comida, doces, tem champagne... meu, meu... Shopping”, conta. Por fim, apresenta a “floresta”, que chama, carinhosamente, de “Cordilheira de Amora”. Vem daí o nome do curta. Não podia ser diferente. 

O shopping de Kariane. (Foto: Reprodução/Cordilheira de Amora II)
O filme foi gravado quando Kariane tinha 8 anos. Até então ela só tinha assistido uma versão pequena, de cinco minutos. A maior, de 12, foi vista do cinema. 

“Eu estava preocupada, ansiosa, pensando se ela iria gostar ou não, mas assim que apareceu a primeira imagem ela desmoronou”, conta Jamile. A mãe, toda animada, relata a mesma coisa. “Ela se emocionou muito. Poxa vida, chorou de alegria. Foi uma surpresa. Não tenho palavras para agradecer”. Na aldeia, completa, a menina virou estrela. “Os irmãos ficaram curiosos. Ela chegou aqui e já encheram ela de perguntas. 

Ninguém viu aqui ainda”. Jamile fala em “documentário espontâneo”, porque nada foi planejado e tudo foi feito em um dia. Sônia traduz do jeito dela: “Ela não representou nada. A história é verdadeira”. A história é verdadeira e a realidade dura demais, mas Kariane é uma sonhadora de mão cheia. 

A garota diz que, do futuro, esperara muitas e que ainda vai vencer muitas batalhas, mas o principal sonho é, sem dúvida, ser atriz. Ela quer ganhar o mundo, mas de uma coisa tem certeza: “Nunca vou esquecer da minha aldeia, mesmo que saia daqui”.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Seminário marca lançamento de mestrado inovador


03/12/2014                     22:25

 UnB - Universidade de Brasilia

Divulgação

Edital do curso profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Tradicionais será apresentado nesta quinta-feira.


Na  quinta-feira (4) será realizado o seminário Educação Intercultural para a Sustentabilidade, que lançará a segunda edição do Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Tradicionais (MESPT). 

Realizado pela primeira vez em 2011, o MESPT é uma iniciativa inovadora e interdisciplinar ligada ao Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (CDS/UnB). Em 2013, formaram-se 23 mestres (incluindo representantes de 13 povos indígenas). 

A exemplo do que propõe o MESPT, que se fundamenta no diálogo entre os saberes técnico-científicos e tradicionais, o seminário desta quinta-feira reunirá lideranças e mestres tradicionais de renome, como Raoni Metuktire e Antonio Bispo dos Santos, professores universitários, representantes de organizações internacionais, entre outros. 

Além de lançar o edital da segunda edição do MESPT, o seminário discutirá temas fundamentais nas mesas-redondas "A Educação Superior Intercultural na América Latina e Caribe" e "Povos indígenas e quilombolas no Brasil e os desafios da sustentabilidade de seus territórios". 

Confira a programação aqui. A primeira mesa contará com a presença de Daniel Mato (Instituto Internacional da UNESCO para Educação Superior em América Latina e Caribe - IESALC), Jack Menke (Universidade Anton Kom, do Suriname), Antônio Carlos de Souza Lima (Laboratório de Pesquisas em Etnicidade, Cultura e Desenvolvimento, Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro) e Bárbara Oliveira Souza (Instituto Cubano de Pesquisa Cultural Juan Marinelo e Universidade de Brasília). 

Na segunda mesa, estarão presentes Francisco Apurinã (Coordenação das Organizações Indígena da Amazônia Brasileira - COIAB), Lucely Morais Pio (Articulação Pacari de Plantas Medicinais do Cerrado, Rede Cerrado), Rosa Acevedo Marín (Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia - PNCSA -, Universidade Federal do Pará - UFPA) e Henyo Barreto Trindade Filho (Instituto Internacional de Educação do Brasil - IEB). 

  O MESTRADO

Com duração de 24 meses e carga horária de 420 horas, o MESPT visa formar profissionais para o desenvolvimento de pesquisas e intervenções sociais, com base no diálogo de saberes e em prol do exercício de direitos, do fortalecimento de processos autogestionários da vida, do território e do meio ambiente, da valorização da sociobiodiversidade e salvaguarda do patrimônio cultural de povos indígenas, quilombolas e demais comunidades tradicionais. 

O público ao qual o curso se destina é de profissionais vinculados a instituições que promovam a sustentabilidade de povos e territórios tradicionais (associações de base comunitária, organizações não governamentais de assessoria, redes de representação e articulação política e/ou órgãos de governo das esferas municipal, estadual ou federal). 

São oferecidas, no total, 30 vagas, sendo 15 destinadas exclusivamente a candidato(a)s autoidentificado(a)s indígenas e quilombolas residentes no país, e 3 a candidato(a)s autoidentificado(a)s como indígenas e afrodescendentes residentes no México ou no Suriname. 

O período de inscrição vai de 4 de dezembro de 2014 a 16 de fevereiro de 2015. Mais informações mespt@unb.br.