sábado, 12 de dezembro de 2015

Presidente do CMDDI Sander Barbosa relata aos conselheiros balanço de ações e participações em 2015

03/12/2015                   14:00



Por; CMDDI - CG




                    CMDDI - CG/  breve apresentação 03 12 2015 from SAMPANEWS


Na ultima sessão ordinária do ano de 2015, o presidente do Conselho \municipal dos Direitos e Defesa dos Povos Indígenas de Campo Grande - MS, Sander Barbosa apresentou em formato de PowerPoint aos conselheiros as ações e participações deste pleno em diversos eventos.

Em cada apresentação de slide o presidente fez um comentário do ocorrido e a sua importância para os povos indígenas da nossa capital. 

Ao final das apresentações  disse que o ano que se finda foi de muita dificuldade e superação e que o conselho encerra essa jornada com resultados positivos e expressivos, tudo isso fruto da participação de cada conselheiro que dispõe do seu tempo para alavancar  cada vez mais a valorização das comunidades indgenas em contexto urbano.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Conheça o indígena brasileiro que escreveu um dos melhores livros do ano

01/12/2015                          15:20


(Imagem: Reprodução Una Usi Kayawa)


 O livro Una Isi Kayawá – o Livro da Cura, escrito pelos pajés Huni Kuin do rio Jordão em parceria com o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, conquistou o terceiro lugar na categoria Ciências da Natureza, Meio Ambiente e Matemática no 57º Prêmio Jabuti, considerado o mais importante prêmio do mercado editorial brasileiro.

 (Imagem: Reprodução Una Usi Kayawa)



O pajé é considerado uma das figuras mais importantes dentro das tribos indígenas brasileiras. Conhecido como “médico da tribo”, o pajé usa técnicas de massagens, banhos e até mesmo algumas práticas cirúrgicas para curar os seus pacientes. 

video

Além disso, é um profundo conhecedor dos “medicamentos naturais”, à base de ervas medicinais, raízes, sementes, substâncias animais e minerais que auxiliam, de acordo com a cultura indígena, a cura das mais diversas doenças, sejam elas físicas ou espirituais. 

Este é um livro pioneiro, que reúne o profundo conhecimento (até então acessível apenas pela tradição oral) das plantas e as práticas medicinais do povo indígena Huni Kuin, também conhecido como Kaxinawa, maior população indígena que habita a região do Rio Jordão, no Acre. 

 (Imagem: Reprodução Una Usi Kayawa)

 O livro teve um processo criativo bastante original, utilizando os cadernos de anotações dos pajés do rio Jordão. A ideia do livro teve início a partir de um sonho do pajé Agostinho Iká Muru, que queria registrar o conhecimento de medicina natural adquirido pela tribo e garantir a passagem destas informações às novas gerações. 

O livro é um catálogo etnobotânico das ervas medicinais conhecidas e estudadas por ele durante toda a vida. O pajé, juntamente com o taxonomista Alexandre Quinet, são os organizadores do projeto.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Múmia de criança inca tem DNA nunca antes visto pela ciência

17/11/2015                           18:00 

Super Incrível


O corpo da criança inca foi congelado em 1985, após ter sido encontrado semi-enterrado na base da montanha de Pirâmide, na província de Mendoza, na Argentina. De acordo com os estudiosos, a múmia era de um garoto andino de aproximadamente oito anos que morreu há mais de 500 anos em um ritual religioso chamado ‘capacocha’.


(Reprodução/Wiki)


Uma equipe de investigadores espanhóis e argentinos analisou o DNA procedente da biópsia de um dos pulmões da criança. O que eles encontraram foi surpreendente, de acordo com os detalhes apresentados na revista 'Scientific Reports'. 

O que descobriram na verdade foi um genoma completamente desconhecido e nunca antes identificado, tal fato significa que ele deve fazer parte de uma linhagem de humanos nunca antes vista. 

A novidade foi 'apelidada' de C1bi e faz parte de uma organização do material genético passada de mãe para filhos, com valiosas informações do ponto de vista populacional.  A equipe que fez a descoberta é liderada pelo professor e geneticista Antonio Salas Ellacuriaga e pelo pediatra Federico Martinón Torres, ambos da Universidade de Santiago de Compostela. 

(Reprodução/Nature)


Eles creem que está 'nova linhagem' apareceu a cerca de 14 mil anos, provavelmente durante as primeiras etapas de expansão do ser humano pelo continente americano. "Cruzaram o continente e se extinguiram por alguma razão", explica o professor Salas. 

Trata-se da primeira vez em que uma múmia andina foi estudada geneticamente. A aplicação das novas técnicas de DNA a restos humanos antigos abrem um janela para o conhecimento das doenças e a forma de vida dos ancestrais. 

O próximo passo aos estudiosos agora é sequenciar o genoma completo do menino, para que múltiplas novas informações possam ser analisadas.

domingo, 25 de outubro de 2015

Johnny Depp quer comprar terras históricas e devolvê-las para os Índios

25/10/2015                                   15:00


Redação/Rede TV

O ator Johnny Depp anunciou que pretende comprar o campo de batalha "Wounded Knee" e entregar a terra de volta para os índios norte-americanos, que perderam o território em uma batalha em 1890.

Depp disse em entrevista ao jornal The Daily Mail que está disposto a gastar milhões para entreguer o controle dolocal de volta para as pessoas que 'herdaram' a terra. "É um território sagrado e muitas atrocidades foram cometidas contra os [índios] Sioux ali", disse o ator. 


"Esta terra é tão importante para a cultura Sioux e tudo o que eu quero fazer é comprá-la e devolver para eles. Por que o governo não faz isso?"

O massacre de índios em Wounded Knee foi a última batalha dos conflitos indígenas. Estimativas colocam o número de nativos mortos entre 150, entre eles crianças e mulheres.










quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Vice presidente Alexandre Arévalos e presidente do Conselho Municipal dos Direitos dos Índios participam de apresentação de trabalho e debates com acadêmicos de pedagogia da Funlec

19/10/2015                            19:00


Por; Sander Barbosa Pereira


Atendendo ao convite do acadêmico Rodolfo o Vice presidente da Associação de Moradores da Comunidade Indígena  Água Bonita Alexandre Arévalos palestrou aos acadêmicos do curso de pedagogia IESF FUNLEC da disciplina  Educação e Formação para as Questões Étnicas Raciais com a orientação de professora Adriana.


Vice presidente da comunidade Indígena Água Bonita Alexandre Arévalos
Em sua fala  o Vice Presidente abordou a parte cultural como o modo de vida dos nossos antepassados aos tempos atuais, disse  aos acadêmicos a importância das rezas para o povo indígena assim como as danças, “ dependendo da força da reza é possível evocar o chamamento de alguma espécie a presença dos presentes neste ritual ”.


Presidente do CMDDI Sander Barbosa e Alexandre Arévalos da Comunidad Indígena Àgua Bonita



Ainda explanou sobre as caças e tipos de alimentos e as armas que são utilizadas como o arco e flecha especialmente preparados para cada ocasião, disse que a manutenção da cultura indígena é uma forma de enfrentar o processo de aculturação frente a proximidades dos centros urbanos.



O presidente do Conselho Municipal dos Direitos e Defesa dos Povos Indígenas de Campo Grande – CMDDI, Sander Barbosa em continuidade ao debate abordou temas como as demarcações de terras aqui no Mato Grosso do Sul, além da situação dos processos em andamentos em especial aos casos do Cerro Marangatu em Antonio João e Dois irmão na região de Sidrolândia  ambos emblemáticos por razão  de mortes de indígenas.
Presidente do CMDDI  Sander Barbosa em sua palestra


Ainda citou os artigos 231 e 232 da Constituição Federal e o recente projeto de emenda constitucional PEC 71, além das recentes Comissões parlamentares de inquéritos – CPI do Cimi e CPI do Genocídio cada uma com objetivos distintos.
Acadêmico Rodolfo fazendo perguntas ao presidente do Conselho Municipal dos Direitos dos Indios


Durante os debates respondeu perguntas sobre a documentação Indígena como o RANI – Registro Administrativo de Nascimento, Parque Nacional do Xingu, censo da população do nosso estado/capital, demora nos processos de demarcação, uso de tecnologias diversificadas além de indígenas nas universidades.


Nossos agradecimentos especiais aos acadêmicos (as):
Rosenilda, Rodolfo, Maria Cecilia, Sandra, Vanessa, Eudinéia, Martina, Daniela Taisla, Daniela Nogueira, Arilucy, Vanessa Bartiman, Thais, Thalita

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Indígenas homenageiam lideranças que morreram em conflito por terras no MS


Desfile da Independência


Samira Ayub 


Após o desfile cívico em comemoração ao Dia da Independência do Brasil, um grupo de indígenas ocuparam a rua 14 de Julho, durante a Marcha dos Excluídos, para sensibilizar autoridades e população sobre a morte de lideranças durante conflito de terras no Estado. 

Indígenas carregaram cruzes com nomes de vítimas em conflito (Foto: Samira Ayub) 
Na manhã desta segunda-feira (7), indígenas carregaram caixão e familiares seguraram cruzes com os nomes das vítimas, como o Oziel Gabriel e Dorvalino Rocha. 

Segundo o professor Sander Barbosa, da etnia Kaiowá, morador na Aldeia Água Bonita, de Dourados, a manifestação de hoje tem como objetivo sensibilizar o Governo Federal e Estadual sobre a urgência na demarcação de terras no Estado. 

“Queremos alertar a população, alertar o Governo Federal e Estadual, porque pessoas já morreram e outras podem vir a morrer”, afirmou. “Não podemos deixar que outras lideranças percam suas vidas, queremos que olhem pela demarcação”, disse. 

Em um determinado momento, o grupo colocou o caixão, que representava simbolicamente os indígenas mortos, e cercaram o caixão. Os indígenas rezaram pelos seus mortos em um ritual de canto e dança. 

No dia 29 de agosto, O Departamento de Operações de Fronteira confirmou a morte de um indígena durante o durante conflito em uma fazenda no município de Antônio João – distante a 253 km de Campo Grande. Ele foi morto com um tiro na cabeça.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

MPF pede à Justiça que anule títulos de terras e mande indenizar fazendeiros


10/09/2015                             14:33


Solicitação é para que áreas sejam devolvidas aos índios 

Marta Ferreira 

Para o MPF, terras são originalmente dos guarani-kaiowá Se a polêmica já é grande em relação a áreas disputadas por índios e fazendeiros em Mato Grosso do Sul, tende a ficar ainda maior com uma nova ação proposta pelo MPF (Ministério Público Federal), que pede a anulação de títulos de propriedade de terras que incidam a Terra Indígena Panambi-Lagoa Rica, localizada em Dourados, município a 230 km de Campo Grande. 

Para o MPF, terras são originalmente dos guarani- kaiowá
O pedido feito pelo MPF à Justiça Federal é para que os proprietários rurais de posse dos títulos recebam indenização e que a a terra seja demarcada para os índios guarani-kaiowá. Para o MPF, tutor jurídico dos índios no País, os títulos das propriedades devem ser considerados nulos porque foram concedidos contrariando a Constituição da época (1934), que vedava transferência de terras ocupadas por comunidades indígenas. 

No caso de Panambi-Lagoa Rica, segundo o órgão divulgou, a titulação ocorreu principalmente por força do decreto nº 5.941, de 28 de outubro de 1943, que criou a Colônia Agrícola Nacional de Dourados, envolvendo uma área de 300 mil hectares. 

Após a distribuição dos títulos aos colonos, relata o MPF, houve a expulsão dos indígenas de suas áreas tradicionais e o consequente confinamento em uma área de 240 hectares. Hoje, os guarani-kaiowá de Panambi-Lagoa Rica ocupam três pequenas parcelas do seu território tradicional, cerca de 300 hectares, todas inseridas na área de 12.196 hectares que foi reconhecida como de ocupação tradicional indígena pela Funai (Fundação Nacional do Índio). 

  Caso é diferente

Embora a indenização dos proprietários pelo valor da "terra nua" seja proibida pela Constituição, o MPF argumenta que o pagamento solicitado "não decorre da nulidade dos títulos de terra mas do dano que a União causou a terceiros de boa-fé, em virtude da emissão de títulos nulos". 

O argumento é que a responsabilização civil do Estado baseia-se no artigo nº 37 da Constituição Federal de 1988: "As pessoas jurídicas de direito público (...) responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros". O MPF cita, ainda, o enunciado nº 11 da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal:  "É possível o pagamento de indenização aos ocupantes de terras indígenas (possuidores ou não de títulos) com base no princípio da proteção à confiança legítima. 

O cabimento e os limites de aplicação desse princípio serão analisados casuisticamente". Em caso de o pedido ser acatado, o a solicitação é que seja determinada multa de mil reais em caso de descumprimento.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Laudo sobre morte de indígena desmente deputado e sindicato




09/09/2015                     13:45

 Polícia Federal ainda investiga o caso

Renata Portela  

O laudo da morte de Semião Fernandes Vilhalva, de 24 anos, foi entregue para a PF (Polícia Federal) e confirma que o indígena morreu no dia 29 agosto, durante retomada da Fazenda Fronteira por fazendeiros. 

(Foto: Divulgação)
Ele foi vítima de disparo de arma de fogo na cabeça, na fazenda que fica localizada em Antônio João, a 431 quilômetros de Campo Grande. Segundo o delegado Bruno Maciel, da PF, Semião foi morto entre 7 e 15 horas do dia 29, horário em que ocorria conflito entre fazendeiros e indígenas. Ainda segundo o delegado, há pouca informação sobre como o crime ocorreu e testemunhas devem ser ouvidas para que o caso possa ser esclarecido. 

“Ouvi os chefes das polícias que estavam no local, no dia, e também alguns indígenas”, afirma. Segundo o delegado, não há como confirmar de onde partiu o disparo da arma de fogo. Semião foi vítima de um tiro na cabeça e segundo o delegado Bruno Maciel, só é possível precisar que a arma usada era de pequeno calibre. 

No dia 30, o Sindicato Rural de Antônio João informou que o indígena já estava morto há um dia e que o cadáver teria sido baleado após o confronto. A fazenda é de propriedade da presidente do sindicato, Roseli Maria Ruiz. Também no dia 30, o deputado federal Luiz Henrique Mandetta confirmou que esteve na fazenda e que o índio já estava morto antes do conflito entre indígenas e fazendeiros. 

“Os proprietários entraram no peito e os índios saíram após uma batalha campal. (...) Só que o conflito migrou para outra sede e a troca de tiros rolou de ambos lados. (...) Ouviu-se um tiro numa mata a 800 metros e dez minutos depois os índios trouxeram um corpo que diziam ter sido alvejado. Me coloquei como médico e fui até o local. 

O cadáver de um homem já em rigidez cadavérica foi jogado na estrada”, diz um dos trechos do relato. No boletim de ocorrência registrado pela Polícia Civil após o crime, consta a informação de que Semião estaria bebendo água em um córrego quando foi atingido pelo tiro. Não há precisão sobre a distância entre a vítima e o autor dos disparos e nem relato de testemunhas sobre quem efetuou o tiro. 

A equipe de reportagem tentou entrar em contato com o deputado Mandetta e o Sindicato Rural, mas as ligações não foram atendidas.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Ministro vem anunciar aprovação de projeto de lei para indenizar a "terra nua"


02/09/2015                      09:03 

Senador Delcídio quer a solução definitiva para os conflitos em MatoGrosso do Sul

Antonio Marques


O ministro da Justiça José Eduardo Cardoso chega a Campo Grande agora pela manhã para uma extensa agenda com o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e diversas conversas com representantes dos produtores e dos indígenas e com o arcebispo da Capital, Dom Dimas Lara Barbosa. 

Ele vem anunciar a aprovação da PEC (Projeto de Emenda Constitucional) 71/2011, que autoriza a União a indenizar os produtores pelo valor da “terra nua”, medida que poderá evitar novos confrontos. A informação foi dada agora pela manhã pelo senador Delcídio do Amaral (PT), líder do governo no Senado, em entrevista no programa Jornal das 7, da Rádio UCDB. 

Senador Delcídio do Amaral disse que a CCJ do Senado deve aprovar hoje pela manhã a PEC 71, que vai autorizar a União a indenizar a "terra nua" (Foto: Marcos Ermínio)
O senador relatou que, ontem os três representantes de Mato Grosso do Sul no Senado, ele, o senador Waldenir Moka, a senadora Simone Tebet, ambos do PMDB, o relator da PEC 71, Blairo Maggi (PR-MT), mais o ministro da Justiça discutiram o texto do projeto que vai ser aprovado hoje, às 10 horas, na reunião da Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal. 

Delcídio explicou que a provação desse projeto deve trazer mais segurança jurídica para as questões de indenização de áreas em situação de litígio, especialmente, essas reivindicadas pelas etnias. 

“Essa PEC não vai interferir no artigo 231 da Constituição”, lembrou o senador. Esse artigo permite a indenização aos donos de terras com títulos dominiais, declaradas como indígenas. Segundo o senador, durante a reunião da CCJ, será definido o prazo que a PEC entrará em vigor. Há duas possibilidades, iniciar a partir de 2013, quando a Constituição de 1988 completou 25 anos, ou a partir de sua homologação. 

“Devemos discutir e acertar isso na reunião de hoje”, declarou. Delcídio disse ainda que com a aprovação do projeto, vai tratar com o ministro José Eduardo Cardoso a possibilidade incluir na lei do orçamento da União para 2016 e assim, no próximo ano já teria recursos para as indenizações. “Isso vai resolver uma série de fatores com serenidade e com olhar para os dois lados da questão”, comentou. 

Segundo o senador sul-mato-grossense essa medida deve evitar novos conflitos, considerando que a situação está seguindo o caminho de radicalização preocupante. “Estamos fazendo um esforço para resolver isso e será um sinal para o futuro”, concluiu. 

Indenização

Sobre a situação das áreas em que já foram negociados os pagamentos pelas áreas consideradas indígenas, como a da terra indígena Buriti, na região de Sidrolândia e Dois Irmãos do Buriti, Delcidio explicou que não houve acordo para a solução, “lamentavelmente, em razão do processo eleitoral ocorrido no ano passado. Não podemos permitir que essas disputas sejam levadas para o lado político partidário”, reiterou. 

O senador pontou que, infelizmente, dos dois lados tem gente atuando para não resolver o problema. “Precisamos ter paz, respeitando os produtores e as etnias”, declarou Delcídio, lembrando que o estado tem a segunda maior população indígena do país. 

Para resolver a questão do valor da indenização e chegar a um acordo entre a União e os produtores, o governo federal aceitou a elaboração de um laudo de auditoria independente, que será isenta em relação ao laudo apresentado pela Funai (Fundação Nacional do Índio) e ao apresentado pela entidade representativa dos produtores, no caso do estado, a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul). 

“O governo está disposto a pagar pelo valor apresentado pela auditoria independente, mesmo que seja acima do indicado pelo órgão governamental”, afirmou Delcídio do Amaral.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Comoção e choro no velório de índio morto ao buscar filho de 4 anos


31/08/2015                       09:28

  Confronto entre indios e fazendeiros em Antonio João - MS

  Antônio Marques, enviado especial a Antônio João 



Comoção entre os índios ao chegar o caixão do patrício Simeão (Foto: Marcos Ermínio, enviado especial a Antônio João) 
Depois de três horas de viagem até Antonio João, a equipe do Campo Grande News chegou a cidade no início da manhã deste domingo (30), sob um clima de tranquilidade, depois dos conflitos ocorridos nas fazendas Barra e Fronteira, ocupadas pelos índios Guarani Kaiowá desde a semana passada, que culminou na morte do indígena Semião Fernandes Vilhalva, de 24 anos. 


Índio chora a morte de Simeão durante velório (Foto: Marcos Ermínio)


O momento da abertura do caixão em que estava o corpo dele foi a cena mais comovente de ontem. Semião era casado com Janaína, de pouco mais de 20 anos de idade, e deixou uma criança de 4 anos, filho que ele teria tentado defender, mas antes de encontrá-la na invernada, foi atingido por um tiro no rosto, que saiu na nuca, caindo às margens do córrego estrelinha, próximo da sede da Fazenda Fronteira. 


A índia Leni, avó e mãe do bebê ferido com tiros de borracha, retirando a mortalha para ver o rosto de Semião (Foto: Marcos Ermínio)


O corpo de Semião chegou a sede da Fazenda Cedro, a cerca de 9 quilômetros da cidade, por volta das 14 horas da tarde desse domingo. Em seguida, cerca de 50 indígenas seguiram caminhando sob sol forte e temperatura acima dos 33ºC, por cerca de 40 minutos até chegarem a sede da Fazenda Fronteira, local em que o índio foi morto. 

  Inicialmente, os índios queriam velar o corpo na sede da fazenda, porém o local está sob proteção da Força Nacional e do Exército. No momento, houve tensão entre os indígenas e os policiais, até que aceitaram a proposta do capitão da Força Nacional, que recomendou que eles velassem o corpo na casa do outro lado do córrego, local em que estavam os familiares da vítima. 


O irmão Mariano Vilhaça observa o rosto de Simeão (Foto: Marcos Ermínio)


A chegada do caixão no local foi uma cena muito triste e que emocionou a todos, principalmente ao retirarem a tampa e revelar o rosto do rapaz de 24 anos, mais um na estatística de mortes na luta pela terra, segundo nesta área em litígio há mais de 10 anos. As três pessoas da equipe do Campo Grande News, foram os únicos não índios a presenciar a comoção dos familiares e amigos naquele momento. 

Marcada pela simplicidade dos indígenas, o caixão foi colocado em uma varanda da casa sobre um banco de madeira, ao lado de um galpão onde fica guardado o sal e o calcário da fazenda. Por alguns minutos a esposa do índio morto chorou desesperada ao vê-lo no caixão. O filho não estava próximo no momento. A cena é a mesma, sendo índio ou branco, a despedida de um “guerreiro”, como diz os índios, é algo que choca, pela brutalidade. 

O corpo de Semião foi velado durante toda a noite deste domingo, quando aconteceu uma reza durante a cerimônia de despedida e o enterro deve acontecer no mesmo local em que ele foi morto na tarde desta segunda-feira. 


  a esposa Janaina chorou o tempo todo ao ver o rosto do marido Semião no caixão (Foto: Marcos Ermínio)


Durante o período da tarde deste domingo em que o Campo Grande News permaneceu entre os índios não observou qualquer situação de hostilidade por parte dos indígenas, mas sim a preocupação de um povo na tentativa de se defender para evitar mais mortes e sedentos por divulgar a versão deles dos fatos, como disse a índia Leni, avó e ao mesmo tempo mãe da pequenina Analieni, ferida com duas balas de borracha, uma nas costas e outra na nuca, “nós queríamos o diálogo e não o confronto”, ao lembrar do conflito ocorrido no sábado.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Campo Grande terá R$ 4 milhões para incentivar produção agrícola indígena

Capital 

 27/07/2015                           12:23

Antonio Marques

 O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento vai liberar R$ 4 milhões para Campo Grande elaborar projeto piloto de incentivo a produção agrícola indígena na Capital. 

O anúncio, segundo a Prefeitura, foi feito na manhã de hoje pela ministra Kátia Abreu, com quem o prefeito Gilmar Olarte (PP) esteve em audiência na semana passada, em busca de recursos. “Tratamos diversas vezes com a ministra para dar continuidade ao diálogo de um projeto piloto, que virá para Campo Grande para fortalecer e capacitar produção agrícola indígena”, explicou o prefeito.

Em Campo Grande, segundo a Prefeitura, tem uma população de 10 mil índios em quatro aldeias e duas em fase de reconhecimento (Foto: Antonio Marques)
 Conforme a assessoria da Prefeitura, o anúncio da liberação dos recursos aconteceu hoje de manhã, em Brasília, durante prestação de contas da ministra Kátia Abreu, dos seis primeiros meses de sua gestão à frente da pasta, a jornalistas. 

De acordo com a Prefeitura, em Campo Grande moram cerca de 10 mil habitantes indígenas, em quatro aldeias e duas em fase de reconhecimento. Mato Grosso do Sul tem a segunda maior população indígena, argumentos que também foram elencados na apresentação da candidatura para que a Capital possa ser sede dos Jogos Mundiais Indígenas, que será anunciada em outubro deste ano. 

“O cuidado com nossos irmãos indígenas é marca do nosso trabalho e ser contemplado com este novo projeto piloto mostra que este trabalho é visto e recompensado”, comemora Olarte. O Plano de Desenvolvimento Agropecuário, do Ministério da Agricultura, será aplicado de agosto a dezembro deste ano e também contemplará Marabá (PA), Pontal do Paranapanema (SP), Região da Mata Atlântica de Alagoas e Sergipe e Mato Grosso. Campo Grande é o único projeto indígena do novo plano. 

Aniversário 

Em agosto, mês de aniversário de Campo Grande, a cidade irá sediar dois eventos voltados à comunidade indígena, organizados pela Prefeitura. No dia 15 de agosto, será realizado o I Encontro de Anciãos e Lideranças Indígenas em Campo Grande, organizado pela Subcordenadoria de Assuntos Indígenas, que visa promover o encontro entre gerações, como forma de transmitir valores culturais e históricos dos povos tradicionais indígenas residentes no Município. 

O outro será a 10ª edição dos Jogos Urbanos Indígenas, no dia 16 de agosto, pela subcoordenadoria e pela Funesp (Fundação Municipal de Esporte), no Parque Jacques da Luz, nas Moreninhas.

domingo, 19 de julho de 2015

Marcos Terena diz que maior preconceito contra índios está na desinformação


16/07/2015                     13:00


Por Carol Alencar

 O indígena Marcos Terena está em Campo Grande para articular a vinda dos Jogos Mundiais Indígenas para nossa Capital. Durante a sua passagem por aqui, contou à equipe do Jornal Midiamax um pouco sobre sua experiência enquanto líder indígena. Dentre os assuntos elencados durante a reportagem, o primeiro, sem dúvida, foi a família.

MARCOS TERENA
 Quando perguntei sobre o número de filhos que tem, logo ele ressaltou: ‘tenho três filhos já crescidos”. São eles: Nahari de 23 anos, Malcov de 24 e Taely de 21 anos. Os três moram em Brasília, capital onde o indígena escolheu para morar após assumir a gerência do Memorial dos Povos Indígenas, em 2007. Vale lembrar que ele foi o primeiro indígena a assumir um cargo federal. 

Os filhos, um antropólogo, outro pianista clássico e professor de história e a caçula estuda estatística são apenas descendentes indígenas, uma vez que a mãe deles, esposa de Marcos, é paraibana. Sobre preconceitos sofridos, Marcos disse que apenas um o incomodava. 

“ ‘Você não fala a língua do seu povo?’, este foi um dos preconceitos que meus filhos sofreram no decorrer de suas vidas, o maior deles, porque eu os poupei de vários, aliás, eu os preparei para não passarem pelo que passei”, diz Marcos, que se tornou avô recentemente. 

Quanto à luta pela vida, Marcos nos confirmou que nenhum dos filhos entraram na universidade pública a partir de cotas e todos falam até três idiomas – espanhol, inglês e francês. “Eu sempre resgatei o sentido da afirmação... é como uma tradição indígena, de dignidade mesmo”. Já preconceito para ele está ligado a duas situações. 

A primeira é a desinformação agregada de medo e a segunda está na falta de oportunidade que os índios têm. “O medo em si gera a desinformação, o preconceito que as pessoas têm é por pura falta de acesso à informação e consequentemente, acaba atingindo as pessoas inocentes”, avalia Marcos Terena, que tem textos publicados em provas do Enem – Exame Nacional do Ensino Médio. 

Sobre uma retrospectiva de toda sua história e luta, uma das únicas frustrações é não ter um índio na presidência da Funai. “Para mim é mais um outro tipo de preconceito isso, os governantes não confiam em índios e nunca colocariam um indígena num cargo desses”. 

E para finalizar o bate-papo com o nosso representante, genuinamente sul-mato-grossense, o tema medo voltou à pauta. “Não tenho medo de mais nada nessa vida, nem da morte porque nós índios fomos preparados para isso... já tive quatro acidente complicados que me tirariam a vida e não temo mais nada quanto a isso”. 
  
Trajetória

Entrou na escola aos 9 anos de idade. Continuou seus estudos, sempre sendo confundido com um descendente de japoneses. Aprendeu o ofício de aviador e entrou para a Força Aérea Brasileira, enfrentando, porém, grande dificuldade em ter sua capacidade profissional reconhecida, em função de os índios, no Brasil, não terem plena capacidade civil. Estudou administração de empresas. É piloto comercial de avião. 

Criou um dos primeiros movimentos indígenas modernos do país, a União das Nações Indígenas. Durante a Assembleia Constituinte que redigiu a Constituição Brasileira de 1988, foi um dos articuladores dos direitos indígenas.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Justiça nega reintegração e mantém comunidade Yvy Katu em fazenda


07/07/2015                      16:20 

  
Viviane Oliveira


A comunidade indígena guarani kaiowá de Yvy Katu vai permanecer na Fazenda Paloma, em Japorã, distante 487 quilômetros de Campo Grande. A Justiça Federal negou pedido de reintegração de posse dos fazendeiros e reconheceu a legalidade do processo de demarcação da terra validado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em outra ação. 

(Foto: divulgação/MPF), A terra indígena de Yvy Katu fica em Japorã, Sul do Estado.  


De acordo com a liminar, “não há justo título na propriedade e muito menos posse lícita fundada em terra tradicionalmente indígena que o legitime a ingressar com o presente feito, pois a portaria 1289/05 expressa em demarcar a área como indígena”. 

Aos proprietários, conforme a Justiça, restam o ajuizamento da ação de reparação de danos contra a União, porque a terra é de ocupação tradicional. Há 33 anos, o processo de demarcação da Terra Indígena YvyKatu iniciou e em 2005, uma portaria do Ministério da Justiça declarou a área como tradicional e delimitou um espaço de 9.484 hectares, em 14 fazenda da região, aos guarani kaiowá. 

Os estudos foram contestados judicialmente, mas decisão do STF (Superior Tribunal Federal) garantiu a legalidade do trabalho realizado pela Funai (Fundação Nacional do Índio). A efetiva demarcação da terra indígena depende apenas de homologação da presidente Dilma Rousseff.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Artigo de minha autoria publicado em um site de São Gabriel do Oeste - MS

15/06/2015                        15:13

www.idest.com.br

Artigo: Uma política indigenista séria, é possível

Sander Barbosa Pereira | 15.08.2009 | 23h12 |  Imprimir  
Foto: divulgação








A história dos índios no Brasil, no decorrer desses 500 e poucos anos de resistência e luta contra o genocídio e a extinção, não é motivo de alegria para os povos que ainda resistem e guardam suas culturas e tradições. Centenas de nações foram extintas e levaram consigo conhecimentos no trato com ervas, de respeito à flora e à fauna, acumulados por séculos.
Nestas trajetórias não nos cabe fazer uma tese das mazelas que acompanham a vida dos índios, desde que Cabral por aqui aportou até os nossos dias, seja por conta das diversas denominações religiosas, ou quer seja pela vontade política de alguns governos de perseguirem, discriminarem ou expulsarem de suas terras, os índios que ali estariam por tempo imemorial. 
Não queremos também abordar a completa falta de uma política clara de atendimento às necessidades das comunidades indígena do nosso estado de Mato Grosso do Sul. Nunca houve investimentos com determinações e propósitos de que essas populações alcançassem avanços significativos seja no campo social, econômico e político.
No Mato Grosso do Sul, as etnias desde a guerra do Paraguai se veem envolvidas, quer como participantes passivos ou ativo, de todas as interferências que o embate trouxe em seu bojo. A implantação das linhas telegráficas, a construção da ferrovia Noroeste, às destilarias de cana de açúcar que produzem o etanol, o gasoduto, são exemplos de atividades econômicas e estruturais que impactam diretamente as comunidades indígenas Sulmatogrossenses, sem que sejam ouvidas ou consultadas.
Não entraremos no mérito da decisão do Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, ao constatar que, por onde passou com as linhas telegráficas, que famílias viviam em regimes de escravidão nas fazendas. Mesmo libertando os índios do jugo do latifundiário, o militar oportunizou a criação de reservas, quase sempre próxima às cidades, consideradas, hoje, por alguns estudiosos como “confinamento”. Um exemplo é no município de Dourados, na Aldeia Jaguápiru e Bororó, onde existe um choque cultural latente, resultando na perda da identidade, baixa estíma, fome, miséria e falta de perspectiva de vida do ser humano índio.
O que se pretende mostrar através destes relatos históricos e fatídicos o quão é importante e urgente um marco indicativo para a formulação de uma Política Indigenista Brasileira séria. Lembrando que esta formulação já foi exaustivamente debatida pelas verdadeiras lideranças indígenas de Mato Grosso do Sul, visando à reestruturação das funções do Estado Nacional que norteará as ações do Estado, na defesa dos direitos dos povos indígenas. 
E o propósito principal desta formulação é a Gestão participativa que garantirá a participação livre, legitima e plenamente informada das nações indígenas, em todos os níveis, de decisão sobre as iniciativas que as afetem. Este tipo de participação é o mesmo sustentado pela CONVENÇÃO 169 DA OIT, Genebra, 27/07/1989, onde 147 países assinaram e assim também da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indigenas aprovada na 107° Sessão Plenária em 13 de Setembro de 2007. 
Somente assim é possível uma melhoria de todos os indicadores de bem estar no que diz respeito à temática das Comunidades Indígenas sejam elas nas aldeias ou nos centros urbanos de Mato Grosso do Sul, que abriga as nações: Kaiowá, Guarani, Terena, Kadiwéu, Ofaié, Guató.
Atualmente ainda somos a 2° população indígena do País, com cerca de 64 mil pessoas, contraditoriamente, com a menor área disponível de terra. Ainda assim, somos submetidos a uma discriminação social, racial e classe, sem precedentes. Mato do Grosso do Sul é terra de índio, sim!, Queremos ser reconhecidos, contar com políticas públicas específicas, ter nossas aldeias demarcadas e os nossos núcleos urbanos reconhecidos, afinal, na democracia é fundamental o respeito às diferenças.
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terça-feira, 2 de junho de 2015

Ação do Governo evita que Funai jogue fora 300 toneladas de alimentos


02/06/2015                        15:13 

Evelin Araujo 

Produtos deveriam ter sido distribuídos às comunidades indígenas em dezembro 



 Para ajudar a quem mais precisa e impedir um desperdício maior de alimentos, o Governo de Mato Grosso do Sul entrou em contato com o Exército e criou uma força-tarefa com cerca de 65 voluntários para levar aos indígenas do Estado cestas alimentares de responsabilidade da Funai (Fundação Nacional do Índio), do Governo Federal, que estão estocados desde dezembro na Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), no Indubrasil, em Campo Grande. 



Das 900 toneladas estocadas, 300 serão entregues às comunidades indígenas, em uma verdadeira operação de guerra, na região Sudoeste de Mato Grosso do Sul, a partir do próximo dia 8, graças à iniciativa da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho (Sedhast).  As outras 600 toneladas estão muito próximas da validade e não poderão mais ser distribuídas. 

Descaso 

Alegando dificuldade logística, a Funai deixou o alimento estocado e não fez essas cestas chegarem aos indígenas, que dependem da ajuda do Estado para sobreviver. 

Agora, o Governo do Estado irá entregar 11.645 cestas alimentares para as cidades de Antonio João, Ponta Porã, Bela Vista, Laguna Carapã, Eldorado, Sete Quedas, Dourados, Amambai, Caarapó, Paranhos, Tacuru, Japorã, Coronel Sapucaia e Aral Moreira. 

Os dados são da coordenadora de apoio ao Sisan (Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional), Luciene Almeida. Hoje, o Governo do Estado já atende 15 mil famílias indígenas de nove etnias por meio do programa Segurança Alimentar. 

O número ainda está longe de atender todos os 72 mil indígenas (71.937 índios, segundo dados da Funasa), que em sua maioria vivem em uma situação de pobreza em Mato Grosso do Sul, mas já é possível ver uma diferença no tratamento dado aos índios em relação aos governos anteriores, mesmo diante de um cenário de desconfiança por conta de o governador Reinaldo Azambuja ser produtor rural. 

Novidade 

É a primeira vez que o Governo de Mato Grosso do Sul cria uma política específica para aquela população, inclusive com a criação da Superintendência de Política Indígena, que é ligada à Sedhast e está sob comando da terena Silvana Dias de Souza Albuquerque. 

Outra mudança foi com relação a regularidade e qualidade do alimento fornecido aos povos indígenas. Agora, as cestas são entregues todos os meses. São 405 mil quilos de alimentos. Cada uma das 15 mil cestas pesa 27 quilos e contém arroz, feijão, óleo, fubá, farinha, leite, charque, sal e macarrão, mas os próprios indígenas de cada comunidade escolhem se algum desses itens deve ser substituído. 

“Estamos sempre em contato com as comunidades. São os indígenas que dizem o que precisa ser substituído por conta da qualidade ou dos seus hábitos alimentares. Recentemente mudamos a marca do leite por uma melhor”, explicou a superintendente dos Benefícios Sociais, Angela Nunes. 

Para o segundo semestre, o Governo prevê outras ações complementares como a constituição da Polícia Comunitária Indígena, que respeita as características dessa população, e a implantação de um projeto de prevenção às drogas nas aldeias.

domingo, 17 de maio de 2015

Achados mostram que índios viveram na região de Baturité


17/05/2015                20:25

BATURITÉ / SP



Sítio arqueológico no Maciço de Baturité tem materiais que evidenciam modo de vida de uma aldeia indígena. Vasilhas, potes e ossada foram achados. Estudos mostram que índios habitaram a região entre 1280 e 1390 

 Lérida Freireleridafreire@opovo.com.br 

 IGOR PEDROZA/DIVULGAÇÃO

Vasilhas, machados, potes e ossada estão entre os achados de pesquisadores na região do Maciço de Baturité

Materiais encontrados em escavações feitas na Serra do Evaristo, em Baturité, mostram detalhes da vida de uma possível aldeia indígena que viveu no local há mais de 700 anos. 

Vasilhas, potes, machados e ossada foram coletados. Análises feitas nesses achados evidenciaram práticas agrícolas e indicaram tipos de alimentos que os índios consumiam. Vestígios de batata-doce, milho e algodão foram encontrados nas amostras coletadas. 

De acordo com Verônica Viana, arqueóloga do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), pode-se concluir que os índios cultivavam algodão e utilizavam outros instrumentos na produção de cerâmica, também encontrada nos achados. A pesquisa feita nas amostras coletadas é chamada de análise palinológica. 

Ela é feita a partir da detecção de pólen (grãos presentes nas plantas) que são resistentes ao tempo. A presença desse pólen revelou os tipos de alimentos consumidos pelos índios e a vegetação predominante naquela época. O historiador Igor Pedroza e os arqueólogos do Iphan verificaram que a datação dos achados é de 1280 a 1390 do atual calendário. 

Uma das vasilhas encontradas continha ossada humana e restos de pequenas caças, possivelmente tatus. Segundo Igor, estudos revelaram que a ossada é de um homem de aproximadamente 60 anos. Materiais achados junto ao esqueleto humano, em uma das vasilhas, mostram que havia um ritual funeral para o sepultamento, afirma Verônica. 

“Provavelmente, eles faziam um banquete para o morto como ritual da própria cultura, pois restos de ossada animal foram encontrados junto à ossada humana”, cita. Para o historiador Igor Pedroza, o mais importante dessas pesquisas é manter preservado o contexto histórico que os objetos revelam. As escavações foram financiadas pelo Iphan. 

O Museu Comunitário da Serra do Evaristo, que abriga os achados arqueológicos e é local de pesquisas para historiadores, foi construído com verbas também repassadas pelo instituto. Atualmente, o museu é gerenciado por pessoas da própria comunidade.