terça-feira, 28 de julho de 2015

Campo Grande terá R$ 4 milhões para incentivar produção agrícola indígena

Capital 

 27/07/2015                           12:23

Antonio Marques

 O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento vai liberar R$ 4 milhões para Campo Grande elaborar projeto piloto de incentivo a produção agrícola indígena na Capital. 

O anúncio, segundo a Prefeitura, foi feito na manhã de hoje pela ministra Kátia Abreu, com quem o prefeito Gilmar Olarte (PP) esteve em audiência na semana passada, em busca de recursos. “Tratamos diversas vezes com a ministra para dar continuidade ao diálogo de um projeto piloto, que virá para Campo Grande para fortalecer e capacitar produção agrícola indígena”, explicou o prefeito.

Em Campo Grande, segundo a Prefeitura, tem uma população de 10 mil índios em quatro aldeias e duas em fase de reconhecimento (Foto: Antonio Marques)
 Conforme a assessoria da Prefeitura, o anúncio da liberação dos recursos aconteceu hoje de manhã, em Brasília, durante prestação de contas da ministra Kátia Abreu, dos seis primeiros meses de sua gestão à frente da pasta, a jornalistas. 

De acordo com a Prefeitura, em Campo Grande moram cerca de 10 mil habitantes indígenas, em quatro aldeias e duas em fase de reconhecimento. Mato Grosso do Sul tem a segunda maior população indígena, argumentos que também foram elencados na apresentação da candidatura para que a Capital possa ser sede dos Jogos Mundiais Indígenas, que será anunciada em outubro deste ano. 

“O cuidado com nossos irmãos indígenas é marca do nosso trabalho e ser contemplado com este novo projeto piloto mostra que este trabalho é visto e recompensado”, comemora Olarte. O Plano de Desenvolvimento Agropecuário, do Ministério da Agricultura, será aplicado de agosto a dezembro deste ano e também contemplará Marabá (PA), Pontal do Paranapanema (SP), Região da Mata Atlântica de Alagoas e Sergipe e Mato Grosso. Campo Grande é o único projeto indígena do novo plano. 

Aniversário 

Em agosto, mês de aniversário de Campo Grande, a cidade irá sediar dois eventos voltados à comunidade indígena, organizados pela Prefeitura. No dia 15 de agosto, será realizado o I Encontro de Anciãos e Lideranças Indígenas em Campo Grande, organizado pela Subcordenadoria de Assuntos Indígenas, que visa promover o encontro entre gerações, como forma de transmitir valores culturais e históricos dos povos tradicionais indígenas residentes no Município. 

O outro será a 10ª edição dos Jogos Urbanos Indígenas, no dia 16 de agosto, pela subcoordenadoria e pela Funesp (Fundação Municipal de Esporte), no Parque Jacques da Luz, nas Moreninhas.

domingo, 19 de julho de 2015

Marcos Terena diz que maior preconceito contra índios está na desinformação


16/07/2015                     13:00


Por Carol Alencar

 O indígena Marcos Terena está em Campo Grande para articular a vinda dos Jogos Mundiais Indígenas para nossa Capital. Durante a sua passagem por aqui, contou à equipe do Jornal Midiamax um pouco sobre sua experiência enquanto líder indígena. Dentre os assuntos elencados durante a reportagem, o primeiro, sem dúvida, foi a família.

MARCOS TERENA
 Quando perguntei sobre o número de filhos que tem, logo ele ressaltou: ‘tenho três filhos já crescidos”. São eles: Nahari de 23 anos, Malcov de 24 e Taely de 21 anos. Os três moram em Brasília, capital onde o indígena escolheu para morar após assumir a gerência do Memorial dos Povos Indígenas, em 2007. Vale lembrar que ele foi o primeiro indígena a assumir um cargo federal. 

Os filhos, um antropólogo, outro pianista clássico e professor de história e a caçula estuda estatística são apenas descendentes indígenas, uma vez que a mãe deles, esposa de Marcos, é paraibana. Sobre preconceitos sofridos, Marcos disse que apenas um o incomodava. 

“ ‘Você não fala a língua do seu povo?’, este foi um dos preconceitos que meus filhos sofreram no decorrer de suas vidas, o maior deles, porque eu os poupei de vários, aliás, eu os preparei para não passarem pelo que passei”, diz Marcos, que se tornou avô recentemente. 

Quanto à luta pela vida, Marcos nos confirmou que nenhum dos filhos entraram na universidade pública a partir de cotas e todos falam até três idiomas – espanhol, inglês e francês. “Eu sempre resgatei o sentido da afirmação... é como uma tradição indígena, de dignidade mesmo”. Já preconceito para ele está ligado a duas situações. 

A primeira é a desinformação agregada de medo e a segunda está na falta de oportunidade que os índios têm. “O medo em si gera a desinformação, o preconceito que as pessoas têm é por pura falta de acesso à informação e consequentemente, acaba atingindo as pessoas inocentes”, avalia Marcos Terena, que tem textos publicados em provas do Enem – Exame Nacional do Ensino Médio. 

Sobre uma retrospectiva de toda sua história e luta, uma das únicas frustrações é não ter um índio na presidência da Funai. “Para mim é mais um outro tipo de preconceito isso, os governantes não confiam em índios e nunca colocariam um indígena num cargo desses”. 

E para finalizar o bate-papo com o nosso representante, genuinamente sul-mato-grossense, o tema medo voltou à pauta. “Não tenho medo de mais nada nessa vida, nem da morte porque nós índios fomos preparados para isso... já tive quatro acidente complicados que me tirariam a vida e não temo mais nada quanto a isso”. 
  
Trajetória

Entrou na escola aos 9 anos de idade. Continuou seus estudos, sempre sendo confundido com um descendente de japoneses. Aprendeu o ofício de aviador e entrou para a Força Aérea Brasileira, enfrentando, porém, grande dificuldade em ter sua capacidade profissional reconhecida, em função de os índios, no Brasil, não terem plena capacidade civil. Estudou administração de empresas. É piloto comercial de avião. 

Criou um dos primeiros movimentos indígenas modernos do país, a União das Nações Indígenas. Durante a Assembleia Constituinte que redigiu a Constituição Brasileira de 1988, foi um dos articuladores dos direitos indígenas.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Justiça nega reintegração e mantém comunidade Yvy Katu em fazenda


07/07/2015                      16:20 

  
Viviane Oliveira


A comunidade indígena guarani kaiowá de Yvy Katu vai permanecer na Fazenda Paloma, em Japorã, distante 487 quilômetros de Campo Grande. A Justiça Federal negou pedido de reintegração de posse dos fazendeiros e reconheceu a legalidade do processo de demarcação da terra validado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em outra ação. 

(Foto: divulgação/MPF), A terra indígena de Yvy Katu fica em Japorã, Sul do Estado.  


De acordo com a liminar, “não há justo título na propriedade e muito menos posse lícita fundada em terra tradicionalmente indígena que o legitime a ingressar com o presente feito, pois a portaria 1289/05 expressa em demarcar a área como indígena”. 

Aos proprietários, conforme a Justiça, restam o ajuizamento da ação de reparação de danos contra a União, porque a terra é de ocupação tradicional. Há 33 anos, o processo de demarcação da Terra Indígena YvyKatu iniciou e em 2005, uma portaria do Ministério da Justiça declarou a área como tradicional e delimitou um espaço de 9.484 hectares, em 14 fazenda da região, aos guarani kaiowá. 

Os estudos foram contestados judicialmente, mas decisão do STF (Superior Tribunal Federal) garantiu a legalidade do trabalho realizado pela Funai (Fundação Nacional do Índio). A efetiva demarcação da terra indígena depende apenas de homologação da presidente Dilma Rousseff.