quarta-feira, 24 de abril de 2013

Jovem Kadiwéu é primeira mulher indígena a se tornar advogada em MS

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24/04/2013      13:26


Natália Gonçalves

 A jovem Kadiwéu Carla Mayara Alcântara Cruz foi aprovada na última prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e tornou-se a primeira advogada indígena de Mato Grosso do Sul. O estado tem a segunda maior população indígena do país - cerca de 72 mil pessoas de oito etnias diferentes. 

Atualmente, contando com Carla, há apenas quatro advogados indígenas. Ela foi a primeira mulher indígena a conseguir o título. Filha de mãe Terena e pai Kadiwéu, a advogada nasceu e cresceu na aldeia Kadiwéu Alves de Barra, que pertence ao município de Porto Murtinho. 

A oportunidade de ingressar no Ensino Superior aconteceu quando a mãe, professora, conheceu o historiador Antônio Brand durante um curso de capacitação. “O professor Brand disse para a minha mãe que estava começando um projeto de apoio a acadêmicos indígenas na UCDB (Universidade Católica Dom Bosco) e sugeriu que eu viesse estudar em Campo Grande”, explica. 

Carla ingressou no curso de Direito em 2004 e foi uma das pioneiras no desenvolvimento do projeto Rede de Saberes de apoio à permanência de acadêmicos indígenas no ensino superior. Concluiu a graduação em 2009. Segundo Carla, os desafios passaram pela adaptação à cidade até à dificuldade com as matérias “uma das principais dificuldades dos acadêmicos indígenas é a língua. Estamos mais acostumados com nossas línguas tradicionais, então ás vezes é mais difícil compreender os conteúdos. 

Além disso, a rotina da faculdade é muito diferente, a adaptação foi complicada. Na época éramos poucos indígenas na UCDB, no máximo dez. Eu consegui superar graças ao professor Brand e o projeto Rede de Saberes. Os cursos de extensão e monitorias e também os encontros ajudaram muito”. 

Divulgação


Passar no exame da Ordem foi o último desafio para realizar o sonho de ser advogada. “Agora eu pretendo advogar em prol dos indígenas. O direito indígena ainda é muito desconhecido pelos profissionais da área, muitos não sabem como aplicar. Quero continuar estudando. Fazer mestrado, doutorado e ajudar minha comunidade”, afirma.

 (Com informações assessoria UCDB)

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