sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Álcool de gigante dos EUA estaria manchado de sangue índio

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23/11/2012           23:25
 
Um gigante alimentício estadunidense está envolvido em um escândalo relacionado à produção de cana-de-açúcar no Brasil que manteve toda uma comunidade indígena fora de suas terras, poluindo os riachos e infligindo enfermidades e doenças aos índios Guarani.
 
Com sede nos Estados Unidos, a comercializadora de grãos, Bunge, está fortemente envolvida no mercado crescente de biocombustíveis e fontes de cana-de-açúcar de fazendeiros que tomaram a terra ancestral dos Guarani. Uma comunidade de 225 Guarani do estado do Mato Grosso do Sul, que tiveram as suas terras tomadas para plantações, diz que a invasão da cana-de-açúcar, associada com a maquinaria e os pesticidas, destruiu as suas vidas nos últimos quatro anos.
 
Dois Guarani da comunidade Jata Yvary já cometeram suicídio neste ano. Os meninos, de idades de 16 e 13 anos, foram encontrados enforcados em árvores. Também foi reportado que um caminhão usado pela Bunge, atropelou um homem, matando-o.
 
Em conversa com a Survival International, a comunidade disse, “Nós os Guarani não queremos cana-de-açúcar na nossa terra… ela machuca a nossa saúde, incluindo a saúde de nossos filhos e dos anciões, e o veneno contamina a água.” Os Guarani afirmaram que os pesticidas lançados pelos aviões afetam a sua comunidade, e maquinário e lavouras descartados foram deixados para apodrecer em riachos, aos quais os guarani dependem para o acesso à água.
 
Em uma carta eles reivindicam ‘a demarcação de nossa terra … e a retirada dos brancos porque com os brancos na aldeia não temos espaço para caçar e pescar assim a gente não conseguimos usar nossa cultura tradicional. Os brancos também ameaçam os povos daqui e não deixam caçar no mato. Queremos preservar o mato também mas os brancos continuam destruindo e comercializado ilegalmente.’
 
A empresa Bunge compra cana-de-açúcar de terras reclamadas pelos Guarani. © Survival A constituição brasileira e um acordo assinado pelas autoridades e os Guarani, obrigam o governo a mapear e demarcar toda a terra Guarani. Porém, esse programa tem estado praticamente inativo, e enquanto os Guarani esperam para que a sua terra lhes seja retornada, eles a veem ser consumida por uma onda de cana-de-açúcar em avanço.
 
A Survival escreveu à Bunge, mas a companhia, sem demostração alguma de remorso, afirmou que continuaria a retirar a cana-de-açúcar da terra ancestral Guarani, até que as autoridades brasileiras demarcassem completamente a área como indígena. Mais cedo nesse ano, a Raízen, uma companhia de biocombustíveis criada pela Shell e COSAN descartaram controversos planos de produção de cana-de-açúcar em terras roubadas dos Guarani, após uma campanha dos Guarani apoiada pela Survival.
 
O diretor da Survival International, Stephen Corry, disse hoje, ‘Muito do biocombustível brasileiro está manchado de sangue indígena. Aqueles que o usam, deveriam saber que a sua escolha ‘ética’ está contribuindo para a morte e destituição absoluta de índios Guarani.
 
 A Bunge deveria seguir o exemplo da Shell e se retirar da terra Guarani, sem esconder-se por desculpas de um reconhecimento oficial da terra, o qual poderia levar décadas. ’ (Survival International)

POSICIONAMENTO BUNGUE:

A Bunge não pode pré-julgar ou assumir situações diferentes daquelas configuradas legalmente nos títulos de imóveis. Este seria um comportamento inaceitável no estado democrático de direito. O evento em discussão abrange determinados fornecedores de cana-de-açúcar da empresa que estariam produzindo em áreas que poderiam ser consideradas indígenas.
 
É importante ressaltar que não são áreas de produção própria, e são contratos firmados antes da aquisição da usina Monteverde pela Bunge. Esta situação ainda não está definida juridicamente. Quando houver decisão definitiva das autoridades competentes (homologação pela Presidência da República e registro em Cartório de Imóveis) a respeito da propriedade das terras, e esta for favorável aos indígenas, a empresa imediatamente tomará as providências necessárias à suspensão desses contratos.
 
De qualquer forma, a companhia decidiu que descontinuará esses contratos nos seus respectivos vencimentos, a partir de 2013. Em qualquer desses cenários, buscará assegurar uma transição adequada para as centenas de trabalhadores e para as comunidades que seriam afetadas.

Atenciosamente,
 
Assessoria de Imprensa Mariana Rayol In Press Porter Novelli Tel.: 55 11 - 3323-1548 mariana.rayol@inpresspni.com.br www.inpresspni.com.br

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