segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Índios guató estão há mais de 50 dias sem água tratada em Corumbá

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 12/08/2013            17:40

Elverson Cardozo

 Comunidade fica a 350 quilômetros de Corumbá.

(Foto: Divulgação)

Comunidade fica a 350 quilômetros de Corumbá. (Foto: Divulgação)

O MPF-MS (Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul) recomendou, em caráter de urgência, que a Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), reative o abastecimento de água potável na comunidade indígena Guató, em Corumbá. Os indígenas estão há mais de 50 dias sem o recurso porque um gerador instalado na aldeia foi danificado devido à queda na energia elétrica. 

O equipamento movimenta uma pequena estação de tratamento de água, que é bombeada diretamente do Rio Paraguai. Sem o gerador, a comunidade está fazendo uso de água não tratada. A Sesai havia sido alertada da situação e tinha se comprometido a solucionar o problema até o dia 5 agosto, mas não cumpriu o prazo. 

O órgão federal, criado especificamente para tratar da saúde das populações indígenas, informou que há um aparelho novo em Campo Grande, mas não tem condições de levá-lo até a comunidade, que fica isolada. Desta vez, caso a recomendação não seja acatada, o MPF poderá adotar medidas judiciais. 

Isolados - A Comunidade Guató fica a 350 quilômetros de Corumbá; 769 de Campo Grande. A viagem de barco, da Cidade Branca até o local, dura 36 horas. Os indígenas ocupam a Ilha Ínsua, com 10.900 hectares. A área foi demarcada pela Funai (Fundação Nacional do Índio). 

Os índios estão instalados às margens do Rio Paraguai. Eles ocupavam as terras hoje pertencentes aos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Após serem expulsos de seu território e terem suas aldeias substituídas por fazendas de gado nas décadas de 1940 e 1950, os guató migraram para a periferia das cidades do Pantanal. 

Eles foram, então, julgados extintos. Somente em 1976, alguns indígenas guató foram encontrados em Corumbá e começaram a se organizar e lutar pelo reconhecimento de sua etnia. 

São considerados, hoje, os últimos dos povos indígenas canoeiros que ocuparam as terras baixas do Pantanal.

  (Com assessoria)

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