quarta-feira, 20 de julho de 2011

Caso de menina guarani de 8 anos com câncer pode virar briga judicial


19/07/2011 16h41

Ana Paula Carvalho

O caso da indígena Thiely Mendes, 8 anos, que está internada no Hospital Regional para fazer tratamento contra um câncer no joelho pode parar na justiça, segundo a administradora da Casai (Casa de Apoio à Saúde Indígena), Maria Almeida.

“Se eles continuarem querendo interromper o tratamento dela, o hospital solicita o apoio da justiça, porque ela é uma criança", diz Maria Almeida. Ainda de acordo com ela, a mãe assinou um documento que libera o tratamento.

A família da criança decidiu interromper o tratamento para levá-la de volta a aldeia Porto Lindo, em Japorã, município que fica a 487 quilômetros da Capital, onde segundo eles, Thiely será “curada” por um benzedor.
A Casai e a equipe médica do hospital permitiram que os curandeiros praticassem os métodos de cura durante o tratamento da menina em Campo Grande, a Funasa solicitu um carro da Sesai(Secretaria Estadual de Saúde Indigena)para trazê-los, mas até agora isso não aconteceu.

Por telefone o Cacique da Aldeia onde a criança mora com a família, Capitão Bento Hara, disse ao Campo Grande News que havia conseguido convencer os curandeiros a vir a Capital, mas que foi informado pela Casai que eles não teriam onde ficar. A administração da casa de apoio nega.

Ele afirmou que os benzedores não virão para Campo Grande e que a menina será levada para a aldeia. “Os três benzedores garantiram para a família que podem curar a menina, por isso eles querem que ela seja trazida para a aldeia”, afirma mesmo sabendo que a doença da criança é grave e que pode ficar ainda mais complicada se o tratamento for interrompido.

Segundo Maria Almeida,amanhã (20) um carro da Funasa estará na aldeia logo cedo para trazer os curandeiros para a Capital.
O cacique da aldeia disse que se o carro realmente for disponibilizado, ele vai tentar conversar com os curandeiros, mas que não garante que eles queiram viajar. “Só vou acreditar quando o carro estiver aqui, daí falo com eles, mas não posso obrigar”, diz.

Doença- A doença foi diagnosticada há aproximadamente dois meses durante uma visita de rotina de agentes de saúde a aldeia. O joelho da criança estava muito inchado e por isso eles avisaram a família que Thiely precisava ser levada a um médico.

Um tio da criança a levou ao Hospital de Dourados, onde os médicos identificaram a doença e pediram a transferência para Campo Grande. Ele veio para a Capital com a menina e com a mãe dela que demorou aproximadamente três dias para autorizar o tratamento.

Hoje, a criança está acompanhada pelo avô, Santiago Tapori, 57 anos.

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