quarta-feira, 5 de junho de 2013

Terena baleado em Sidrolândia é primo de índio morto durante confronto

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05/06/2013                10:02

Ângela Kempfer e Nyelder Rodrigues

 Familiares no velório de Oziel, morto na quinta-feira, 30 de maio, em confronto (Foto: Marcos Ermínio) 

Familiares no velório de Oziel, morto na quinta-feira, 30 de maio, em confronto  (Foto: Marcos Ermínio)

 O terena Joziel Gabriel, de 34 anos, baleado hoje em Sidrolândia, é primo de Oziel Gabriel, morto na última quinta-feira durante confronto com a Polícia Federal e PM, durante reintegração de posse da fazenda Buriti. 

 Ele foi atingido no ombro, mas a bala está alojada na coluna. Testemunhas que registraram boletim de ocorrência depois do terena ser baleado contaram ter visto um homem atirar quando passava com uma camionete prata, pela região da aldeia Buriti. Os amigos disseram que não houve tempo para anotar a placa do veículo porque tiveram de socorrer Joziel. 

 O índio foi encaminhado ao hospital de Sidrolândia e, como o estado é considerado delicado, acabou transferido para a Santa Casa de Campo Grande. Os terena também afirmam que outros 3 "guerreiros" estão desaparecidos desde a tarde de hoje. 

 Sobre os tiros contra Joziel, as informações são desencontradas ainda. Apesar do registro policial indicar que o caso ocorreu na aldeia Buriti, o Cimi (Conselho Indigenista Missionário) informou que o terena estava na fazenda São Sebastião, ocupada nesta terça-feira por famílias indígenas que cobram a ampliação do território terena.

 Na versão dos índios, eles foram recebidos a bala por capatazes. Já o irmão do proprietário da fazenda, Lincoln Curado, de 58 anos, garante que não houve qualquer confronto, apesar de confirmar a presença de índios na área. Ele afirma que a violência partiu dos terena. "Os índios queimaram tudo." Segundo ele, ontem todos os funcionários da fazenda foram retirados do local, justamente por conta da tensão no município. 

No momento da ocupação desta terça-feira, apenas um capataz estava local, afirma. "Ele estava no trator, quando os índios chegaram e mandaram ele sair. Depois colocaram fogo no trator". O fazendeiro garante que todos os capatazes foram orientados a não usar armas ou força contra os índios.

 Mas ele admite que é difícil saber o que ocorre na área porque "os índios bloquearam tudo por ali, todos os acessos às fazendas". Na propriedade há rebanho de 1.2 mil cabeças. Há mais de duas semanas Mato Grosso do Sul enfrenta uma onda de invasões de terra e tensão. 

Cansados de esperar por uma posição do governo federal, os terena decidiram pela "retomada" de áreas que já foram consideradas indígenas em 2001, mas não avançam no processo de demarcação por conta de recursos judiciais dos fazendeiros que contestam laudos antropológicos da Funai. Hoje, o maior conflito ocorre em Sidrolândia, onde na quinta-feira passada Oziel Gabriel, de 35 anos, foi morto.

 Amanhã vence prazo de 48 horas para que o grupo que acampou na fazenda Buriti deixe a área, de acordo com ordem de reintegração de posse da Justiça Federal. As famílias entraram pela primeira vez na área em 2003. No dia 15 de maio deste ano voltaram à fazenda, mas foram retirados na base da força na quinta-feira, quando incendiaram a sede da propriedade do ex-deputado Ricardo Bacha. 

Um dia depois, ainda revoltados com a morte de Oziel Gabriel durante a desocupação, grupo retornou à area. Nesta semana, outras duas fazendas da região foram invadidas e hoje a São Sebastião. Os fazendeiros dizem que estão se organizando para retirar o gado das fazendas de Sidrolândia, para evitar maiores prejuízos. 

Atualmente, nas contas dos terena, além da São Sebastião e Buriti, a etnia já está acampada nas fazendas Água Doce, Lindoia, São José, Querência, 3R, Flórida, Santa Clara e Bom Jesus - que também pertence à família Curado.

Comunidade indígena e produtores rurais brigam pela posse de 17 mil hectares na região de Sidrolândia e Dois Irmãos do Buriti, a maioria terras administradas pela família Bacha. Também há ocupação recente em Aquidauana. 

Na sexta-feira os terena entraram na fazenda Esperança, onde fazendeiro e família também foram obrigados a sair pelo índios.

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