domingo, 30 de junho de 2013

“Se for pra morrer, vamos morrer”, diz líder de índios que ocupam fazenda

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30/06/2013       16:36

 Aliny Mary Dias

Ocupada por índios terena desde o dia 30 de maio, a Fazenda Esperança localizada em Aquidauana pode ser palco de uma ação de reintegração de posse nos próximos dias. Na expectativa pela ação, os 1 mil índios que estão na propriedade afirmam estar “prontos para a guerra”. 

 O cacique da Aldeia Esperança, Isaias Francisco, diz ao Campo Grande News que o clima é de apreensão e espera pelo cumprimento da ação. “Nós estamos de prontidão e já preparamos os guerreiros para a luta. Se for pra morrer, nós vamos morrer, mas nenhum irmão vai ter sangue derramado por nada”, afirma o cacique.

 O fazendeiro Nilton Carvalho da Silva Filho, dono da fazenda, entrou na Justiça Federal com ação de reintegração de posse uma semana após a invasão. 

No último dia 18 de junho, a Justiça deu prazo de 10 dias para a Funai retirar os índios da área. O prazo já venceu e segundo a decisão do juiz Renato Toniasso, da 1ª Vara da Justiça Federal em Campo Grande, a força policial deverá retirar os indígenas da fazenda. Conforme os dados do processo, a Polícia Federal foi oficiada nesta sexta-feira (28). 

Na expectativa pela chegada da polícia, o cacique afirma que já houve reunião com os guerreiros e toda aldeia decidiu ficar na área. “Nós esperamos que não tenha nada de grave, mas vamos continuar aqui porque a terra é nossa. Fizemos um preparo e se tiver violência nós vamos revidar”, diz.

Uma reunião entre lideranças indígenas e autoridades que compõem o Fórum Nacional de Assuntos Fundiários do Ministério da Justiça foi realizada na última quinta-feira (27) em Campo Grande. As demarcações de terras e a ocupação da Fazenda Esperança foram assuntos da reunião. 

De acordo com o cacique, as lideranças que participaram do encontro irão repassar as definições em uma reunião marcada para este domingo (30) na Fazenda Esperança. Para o dono da fazenda, o momento é de expectativa pelo cumprimento da reintegração de posse.

“Nós continuamos esperando que a lei seja cumprida de forma pacífica e que não haja resistência dos índios”, afirma Nilton Carvalho. Reunião entre lideranças e autoridades ocorreu na última quinta-feira (Foto: Marcos Ermínio)

 Grupos 

O resultado da reunião do Fórum Nacional de Assuntos Fundiários que durou toda a quinta-feira foi a criação de três grupos que irão avaliar as áreas que podem ser compradas no Estado.


O primeiro grupo vai analisar as questões jurídicas, como as possíveis indenizações, compras de terras ou permutas. O segundo deve avaliar 53 áreas e identificar no mapa de Mato Grosso do Sul quais são os pontos mais críticos em relação aos conflitos. Já o terceiro, foi criado para fazer um mapa da regularização fundiária do Estado. 

O objetivo é identificar terras onde existe disputa e propriedades que estão em processo de regularização.

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